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Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo

Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo. Criação e área. Enquadramento e valores naturais e paisagísticos.
Vista geral - CMV Conde
Aspeto da Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo (® CM de Vila do Conde).
 

 

 

Enquadramento

Paisagem 2 - CMV Conde Paisagem - CMV Conde
Aspetos da Paisagem Protegida (® CM Vila do Conde).
 
A Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo localiza-se no litoral do noroeste de Portugal, na Área Metropolitana do Porto, entre a margem esquerda da foz do rio Ave e a margem direita do rio Onda, no limite de Matosinhos.
 
Distribui-se por parte de cinco freguesias do concelho, i.e. Azurara, Árvore, Mindelo, Vila Chã e Labruge, numa área total de 380 ha.
 

Valores naturais e paisagísticos

Paisagem 4 - CMV Conde Patos voo - CMV Conde
Aspeto geral e patos em voo (® CM Vila do Conde).
 
O litoral sul do concelho de Vila do Conde possui um variado conjunto de valores de ordem biológica e paisagística, sendo de destacar a existência de um interessante e original mosaico de habitats, desde cordões dunares, rochedos, zonas húmidas, bouças e áreas agrícolas, desenvolvendo-se ao longo de uma linha de costa com 8,5 km de extensão.
 
Persistem as paisagens seminaturais e humanizadas, de interesse local e regional, resultantes da interação das pessoas com a natureza.
 
Trata-se de uma área emblemática pelo seu pioneirismo da conservação da natureza em Portugal, com particular relevo para a avifauna, ligada à figura de Santos Júnior desde a década de 50, tendo sido aqui criada a Reserva Ornitológica do Mindelo.
 
Esta área de costa revela-se particularmente importante na medida em que se apresenta como a única área costeira minimamente preservada entre a Barrinha de Esmoriz e o litoral de Esposende.
 
Confirmou-se a ocorrência de 81 espécies sendo que mais de metade (54%) das espécies observadas depois de 1990 é residente, mas as migradoras representam 28% do total. Das 81 espécies, 57 têm um estatuto de conservação de acordo com uma ou mais das principais Diretivas Comunitárias ou Convenções Internacionais, salientando-se o elevado número de espécies abrangidas pela Convenção de Berna, relativa à proteção das espécies migradoras (33 espécies).
 
Esta área apresenta também uma paisagem vegetal diversificada em que é ainda significativa a representação da vegetação natural. Apesar de nela ocorrer um número apreciável de táxones vegetais, a diversidade fitocenótica e paisagística do território deixa antever, caso seja desenvolvido um processo de requalificação, um aumento da diversidade específica, caso seja desenvolvido um processo integrado de requalificação. Aqui ocorrem importantes valores florísticos, incluindo diversos endemismos de distribuição restrita, maioritariamente concentrados nos habitats dunares. A relevância dos valores florísticos e fitocenóticos presentes atribuem a esta área um inegável valor ecológico, no contexto do Grande Porto e do noroeste de Portugal.
 
A presença dos luso-endemismos Coincya johnstonii e Jasione maritima var. sabularia atribui um significado particular à flora do cordão dunar. Do ponto de vista ornitológico, as áreas de maior relevância para a avifauna são o estuário do rio Ave, a zona de praia e sapal adjacentes, e a área original da Reserva Ornitológica de Mindelo. Outros animais podem ser aqui encontrados como anfíbios e répteis, por exemplo, o licranço Anguis fragilis ou o endemismo ibérico, o lagarto-de-água Lacerta schreiberi. Encontramos igualmente mamíferos, como a doninha Mustela nivalis, o ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus ou ainda o esquilo Scurius vulgaris, bem como uma assinalável presença de espécies de invertebrados e de peixes, estes últimos ainda pouco estudados.
 
A sul, a Paisagem Protegida Regional testemunha a antiga ocupação do território com vestígios de um povoado da Idade do Ferro, possuidor de grande beleza cénica e condições naturais razoavelmente preservadas, fruto de uma sábia utilização ao longo dos séculos por atividades agrícolas tradicionais, representando um interesse arqueológico a que acresce a particularidade de especificidade científica como diversos afloramentos de depósitos marinhos.
 
Castro de Sampaio - CMV Conde Castro de Sampaio 2  - CM V Conde
Castro de São Paio - Labruge (® CM Vila do Conde).
 
A classificação do litoral sul do concelho de Vila do Conde como Área Protegida visa possibilitar a adoção de medidas eficazes que permitam a manutenção e valorização da diversidade biológica e do caráter da paisagem e o atenuar de certas dissonâncias ambientais e estéticas.

 

Fotos gentilmente cedidas pela Câmara Municipal de Vila do Conde.

U.A.: 2018-07-04

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