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Classificação | Caracterização

Classificação | Caracterização
Porque foi classificado o Parque Natural do Douro Internacional. Caracterização e mapa.
PNDI - Canhão do Douro Mazouco
Canhão do Douro Mazouco.
 

 

Classificação

O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) foi criado através do Decreto-Regulamentar n.º 8/98, de 11 de maio.

O enclave orográfico constituído pelo rio Douro e seu afluente, o Águeda, fronteira natural entre Portugal e Espanha, possui características únicas em termos geológicos e climáticos, condicionando as comunidades florística e faunística, nomeadamente a avifauna, e as próprias atividades humanas.

A classificação desta área como Parque Natural visou a adoção de medidas tendentes a valorizar as características mais relevantes do ponto de vista natural, paisagístico, sócio-económico e cultural.

Constituem objetivos específicos deste Parque Natural:

  1. valorizar e conservar o património natural e o equilíbrio ecológico, através da preservação da biodiversidade e da utilização sustentável das espécies, habitats e ecossistemas;
  2. promover a melhoria da qualidade de vida das populações em harmonia com a conservação da natureza;
  3. valorizar e salvaguardar o património arquitetónico, histórico e cultural, com integral respeito pelas atividades tradicionais, designadamente a Região Demarcada do Douro, a mais antiga região demarcada do mundo; e
  4. ordenar e disciplinar as atividades recreativas na região de forma a evitar a degradação dos elementos naturais, seminaturais e paisagísticos, estéticos e culturais da região.

 

Em 11 de abril de 2002, foi criado o Parque Natural Arribes del Duero, com uma superfície de aproximadamente 106.105 ha, que forma parte da rede de espaços naturais e protegidos de Castela e Leão, com o objetivo de conservar, proteger os recursos naturais da zona, preservar a sua biodiversidade e manter os ecossistemas.

A criação deste Parque Natural em território espanhol complementa a proteção da zona mais sensível em termos de conservação da natureza, que corresponde ao canhão dos rios Douro e Águeda.

No seu conjunto, os dois Parques formam um dos maiores espaços protegidos da Europa, com uma superfície de 192.605 ha.

Caracterização

De rio de águas violentas, o Douro, devido às barragens, fez-se um vasto e tranquilo espelho de água aprisionado entre muralhas a prumo, sendo notório o contraste entre a estreita garganta por onde corre e o ondulado das superfícies adjacentes.

A área do Parque abrange o troço fronteiriço do rio Douro, incluindo o seu vale e superfícies planálticas adjacentes, e prolonga-se para sul através do vale do seu afluente, o rio Águeda, numa extensão de cerca de 120 km.

A parte norte corresponde à zona de menor influência atlântica de Trás-os-Montes, sendo constituída por um extenso planalto, com altitudes que variam entre os 700 e os 800 metros. Aqui, o vale do Douro é bastante encaixado, com margens escarpadas essencialmente graníticas, as "arribas". À medida que se avança para sul, o vale apresenta-se mais aberto, com fundos de vales aplanados, permanecendo as vertentes escarpadas; há ainda pequenas áreas planálticas e relevos residuais encimados por quartzitos. Esta zona, onde o vale já se assemelha ao "Douro vinhateiro", caracteriza-se pelo seu microclima, com escassa precipitação e amenas temperaturas invernais, fazendo parte da chamada Terra Quente Transmontana.

A região inclui-se no domínio do carvalhal - bosques de carvalho-negral Quercus pyrenaica e carvalho-cerquinho Quercus faginea, nas zonas de maior altitude e de azinheira Quercus rotundifolia e sobreiro Quercus suber, nos terrenos mais secos. Há zimbrais e lodoais nos vales apertados e em esporões rochosos do Douro e seus afluentes, bosques de amieiros, salgueiros e freixos junto às linhas de água e grandes extensões de giesta Cytisus striatus e esteva Cistus ladanifer.

A atividade agropecuária é extremamente importante na definição da paisagem. A cultura extensiva de cereal cria biótopos estepários, importantes para a avifauna e o mosaico de habitats criado pelos lameiros, vinhedos, olivais, etc., conferem a esta área uma elevada biodiversidade.

A fauna presente neste Parque Natural distingue-se pelo número de espécies e pelo seu estatuto de conservação. Nas aves, o milhafre-real Milvus milvus e o chasco-preto Oenanthe leucura estão Criticamente Em Perigo; o abutre-do-egito Neophron percnopterus, o tartaranhão-caçador Circus pygargus, a águia-real Aquila chrysaetos, a águia-de-bonelli Hieraaetus fasciatus e a gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax estão Em Perigo; a cegonha-preta Ciconia nigra e o falcão-peregrino Falco peregrinus, entre outros, são Vulneráveis. Todas estas aves têm o seu habitat preferencial nas arribas, com exceção do milhafre-real e do tartaranhão-caçador  que ocupam o planalto. A albufeira da barragem de Santa Maria de Aguiar, na parte sul do Parque, é a zona húmida mais importante de todo o interior norte e centro para as aves aquáticas, destacando-se a população de mergulhão-de-crista Podiceps cristatus.

Miniopterus schreibersii Morcego-de-peluche - AR Myotis blythii Morcego-rato-pequeno - AR
Morcego-de-peluche Miniopterus schreibersii e morcego-rato-pequeno Myothis blythii (® Ana Raínho).

Quanto aos mamíferos, o morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus euryale e o morcego-rato-pequeno Myothis blythii estão Criticamente Em Perigo; o lobo Canis lupus está Em Perigo; o morcego-de-peluche Miniopterus schreibersii, o rato-de-cabrera Microtus cabreraeo gato-bravo Felis silvestris, entre outros, são Vulneráveis. No Parque e área envolvente encontram-se alguns abrigos de criação e/ou de hibernação de morcegos cavernícolas com importância nacional.

No grupo dos répteis, o cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis está Em Perigo e a víbora-cornuda Vipera latastei  é Vulnerável. 

As casas concentram-se, envoltas por campos cultivados. A floresta é escassa e uma faixa de incultos acompanha o escarpado do rio e seus afluentes. Nas zonas planálticas predomina a cultura de cereais; os lameiros ocupam as zonas mais baixas e húmidas dos vales. Nas arribas, predominam as culturas mediterrânicas - a vinha, o olival, o amendoal, o laranjal. Criam-se raças autóctones de ovelhas, Churra Galega Mirandesa e Churra da Terra Quente, e de gado bovino, vaca Mirandesa. O pombo, abrigado nos tradicionais pombais, faz parte da dieta do agricultor e enriquece a terra.

Mapa

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PNDI - mapa
 

 PNDI - logótipo

O Abutre do Egipto ou Britango Neophron percnopterus, ave necrófago presente entre março e setembro, período após o qual emigra para África central, foi escolhido como símbolo do PNDI. Trata-se de uma espécie ameaçada, com parte significativa da população nacional a nidificar nas arribas do Douro e Águeda em cavidades rochosas, como fendas ou pequenas grutas. O Abutre de Egipto associa-se também à região planáltica contígua onde a cerealicultura e pecuária extensivas lhe permitem obter e localizar com facilidade os cadáveres de animais de que se alimenta.