Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural do Douro Internacional.

PNDI - GrifosGrifos em voo sobre o canhão do Douro Internacional.

Em termos de fauna e em especial de aves, o Parque Natural do Douro Internacional constitui uma das zonas mais importantes no contexto nacional e mesmo ibérico.

A sua riqueza e diversidade de espécies deriva das condições orográficas, climáticas e de ocupação humana que apresentam uma marcada variação ao longo da vasta superfície do Parque.

Relativamente à fauna de vertebrados silvestres, existem 250 espécies, sendo 35 de mamíferos, 170 de aves, 20 de répteis, 11 de anfíbios e 14 de peixes. A fauna de invertebrados é também diversificada, mas ainda muito desconhecida.

Aves

Cegonha-preta Ciconia nigra Grifo Gyps fulvus - Penedo Durão
Cegonha-preta Ciconia nigra | Grifo Gyps fulvus no Penedo Durão.

A avifauna é o grupo de maior representatividade nesta área, pela elevada diversidade e pela ocorrência de várias espécies ameaçadas, que guardam aqui uma importante parcela das suas populações nidificantes a nível nacional e ibérico. Das 170 espécies registadas, 126 são nidificantes, podendo considerar-se 4 grupos principais, nomeadamente as aves rupícolas, as florestais, as estepárias e as aquáticas.

As aves rupícolas (i.e. de zonas rochosas) são as mais emblemáticas deste território, concentrando-se aqui uma grande percentagem dos efetivos nacionais de algumas das espécies mais ameaçadas, tais como a cegonha-preta Ciconia nigra, o abutre do Egito Neophron percnopterus, a águia-real Aquila chrysaetos, a águia de Bonelli Hieraaetus fasciatus, o falcão-peregrino Falco peregrinus, a gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax e o chasco-preto Oenanthe leucura. De referir também outras espécies com o estatuto de "Quase Ameaçadas", tais como o bufo-real Bubo bubo, a maior ave de rapina noturna da Europa, o grifo Gyps fulvus e o andorinhão-real Apus melba.

Neophron percnopterus Abutre do Egito juvenil Phyrrhocorax phyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho 3 - CGV
Abutre-do-egito Neophron percnopterus juvenil | Gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira).
 

Outras aves também observadas nestas zonas são o melro-azul Monticola solitarius, a gralha-de-nuca-cinzenta Corvus monedula, o corvo Corvus corax, a andorinha-das-rochas Ptyonoprogne rupestris e o pombo-das-rochas Columba livia.

Entre as aves florestais observáveis podemos destacar a presença do milhafre-real Milvus milvus, espécie muito ameaçada que possui um efetivo populacional importante nesta área, o açor Accipiter gentilis, o milhafre-preto Milvus migrans, a felosa-de-bonelli Phylloscopus bonelli e o mocho-de-orelhas Otus scops.

Milvus milvus Milhafre-real - HROtus scops Mocho-pequeno-de-orelhas - OM
Milhafre-real Milvus milvus (® Humberto Ramos) | Mocho-de-orelhas Otus scops juvenil em recuperação (® Olímpio Martins). 

Nos terrenos de cultura cerealífera podemos encontrar aves estepárias, tais como o sisão Tetrax tetrax, o alcaravão Burhinus oedicnemus, a calhandra Melanocorypha calandra, a calhandrinha Calandrella brachydactyla e o tartaranhão-caçador Circus pygargus, espécie ameaçada que sobrevoa os campos de cereal na busca de alimento. No inverno, estes campos são utilizados por várias espécies invernantes, em particular a petinha-dos-campos Anthus campestris.

As aves aquáticas ocupam os planos de água existentes, podendo encontrar-se nestes biótopos várias espécies de patos, corvos-marinhos-de-faces-brancas Phalacrocorax carbo e o mergulhão-de-crista Podiceps cristatus, nidificante habitual na barragem de Sta. Maria de Aguiar.

Mamíferos

O mosaico de habitats (lameiros rodeados por sebes arbóreas, terrenos de cereal, vinhedos, etc.) que caracteriza a zona do planalto, constitui local de refúgio para numerosas espécies de mamíferos das quais se destacam o lobo Canis lupus, o corço Capreolus capreolus, o gato-bravo Felis silvestris, o rato de Cabrera Microtus cabrerae e o javali Sus scrofa.

Existem também importantes colónias, tanto de hibernação como de criação, de morcegos cavernícolas, muitos dos quais ameaçados, em minas abandonadas e nos túneis das barragens. O morcego-de-ferradura-mediterrânico Rhinolophus euryale e o morcego-rato-pequeno Myothis blythii estão Criticamente Em Perigo.

Myotis spp MorcegoEmys orbicularis Cágado-de-carapaca-estriada - CC
Morcego Myothis spp | Cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis (® Carlos Carrapato).

Répteis e Anfíbios

No Parque Natural ocorre um elevado número de espécies deste grupo, do total presente em Portugal e na Península Ibérica. São de referir, pelo seu estatuto de ameaça, o cágado-de-carapaça-estriada Emys orbicularis e a víbora-cornuda Vipera latastei.

Peixes

O grupo das espécies de peixes presentes na área do Parque sofreu, nas últimas décadas, alterações no seu número e composição, sendo atualmente constituído por 14 espécies, entre elas a panjorca Chondrostoma arcasii - em Perigo, o barbo-comum Barbus bocagei, a boga-do-norte Chondrostoma duriense e o escalo-do-norte Squalius carolitertii.

Invertebrados

Os invertebrados são o grupo faunístico menos conhecido, apesar de o Parque ter sido alvo de um estudo sobre este grupo alargado de animais, realizado pelo CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, no âmbito de um protocolo com o então ICNB, que financiou o projeto, com comparticipação de Fundos Comunitários.

Atualmente são conhecidas algumas centenas de espécies de diversos grupos de insetos, nomeadamente, Coleópteros (escaravelhos, carochas e besouros), Colêmbolos, Dermápteros (tesourinhas ou bichas-cadela), Dípteros (moscas e mosquitos), Himenópteros (vespas e abelhas), Lepidópteros (borboletas e traças), Odonatos (libélulas e libelinhas) e Ortópteros (gafanhotos, grilos e saltões).

Para além dos insetos, a fauna de invertebrados engloba mais de 200 espécies de Aracnídeos, incluindo aranhas, um escorpião e um solífugo. De salientar a recente descrição, na área do Parque, de algumas espécies de aranhas novas para a ciência. Consulte o relatório completo deste estudo:


Os crustáceos não foram abordados no trabalho acima mencionado, mas são de referir os lagostins, estando a espécie autóctone, lagostim-de-patas-brancas Austropotamobius pallipes, considerada como extinta, apesar de ter ocorrido até recentemente nesta área. O lagostim-vermelho-da-luisiana Procambarus clarkii, originário dos Estados Unidos, tem vindo a expandir-se por toda a área.

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