História | Cultura

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Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural do Douro Internacional.

 

 

PNDI - Canhão do Douro Mazouco PNDI

Paisagem

A paisagem do Parque Natural do Douro Internacional é controlada pela geologia complexa, sublinhando-se o vale em canhão do rio Douro, encaixado em fraturas ao longo dos granitos que dão origem à grande planura do planalto Mirandês, os relevos abruptos das cristas quartzíticas como o Penedo Durão, a topografia ondulada de montes e vales abertos dos terrenos de xisto da zona de Freixo de Espada à Cinta e as margens escarpadas do rio Águeda cobertas de densos matagais.

Na região domina o carvalhal - bosques de carvalho-negral Quercus pyrenaica e carvalho-cerquinho Quercus faginea nas zonas de maior altitude, azinheiras e sobreiros nos terrenos mais secos. Há zimbrais nos vales apertados e nos esporões rochosos do Douro e seus afluentes, bosques de amieiros, salgueiros e freixos junto às linhas de água e ainda grandes extensões de giesta e esteva.

A paisagem natural é enriquecida por elementos resultantes das atividades humanas, como é o caso dos campos cultivados, delimitados por sebes de freixos e carvalhos, das culturas em socalcos, em algumas zonas das arribas, e também das construções tradicionais, como os pombais. As paisagens seminaturais, assim resultantes, demonstram bem a harmonia que pode ser conseguida entre a ocupação humana e a preservação da biodiversidade.
 

Património histórico-cultural

A região abrangida pelo Parque Natural apresenta uma grande riqueza cultural, começando desde logo pelo mirandês, falado em algumas aldeias dos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso. As festas e romarias tradicionais ainda mantêm aqui uma forte expressão, fazendo parte da vivência quotidiana das populações locais e atraindo cada vez mais visitantes. 

A língua mirandesa ou mirandês é a segunda língua oficial de Portugal. Considera-se que deriva do asturo-leonês. Atualmente é falada por cerca de quinze mil pessoas, em diversas freguesias dos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso. Tendo a língua mirandesa uma forte tradição oral, só em 1882 começou a ser escrita e investigada por José Leite de Vasconcelos, ilustre filólogo, arqueólogo e etnógrafo português, e atualmente é ensinada nas escolas da região. Para facilitar a aprendizagem e lutar contra a ameaça da sua perda pela influência da televisão, e as pressões do português e do castelhano, foram já publicadas várias obras em mirandês ou sobre esta língua - Convenção Ortográfica, Dicionário, Gramática, Contos, dois volumes da série de banda desenhada Astérix, entre outros.

Ainda no domínio da língua, dois proeminentes escritores portugueses são originários deste território. Guerra Junqueiro nasceu no concelho de Freixo de Espada à Cinta, a 17 de setembro de 1850 e Trindade Coelho, nascido a 18 de junho de 1861, é natural de Mogadouro.

Em Miranda do Douro é possível assistir à dança dos Pauliteiros, expoente máximo do folclore Mirandês. Trata-se de uma dança comunitária ao som das gaitas de fole e dos bombos. São oito dançadores, que envergam um trajo para-militar, considerado por alguns especialistas como sucessor do trajo militar greco-romano, substituindo as túnicas pelas saias, o escudo pelo lenço sobre os ombros, os chapéus enfeitados e a utilização da flauta pastoril.

Ainda hoje se cultivam, em toda esta região, manifestações a que se dá o nome de Festas de inverno. De entre as inúmeras festas e figuras, de origem pagã, referem-se aquelas que poderão ser as mais reconhecidas a nível regional e mesmo nacional, nomeadamente a do Carocho, Dança do Fogo, Festa dos Rapazes, Chocalheiro, Caretos, Velha, Farandulo, Zangarrón, Festa dos Casados, a Fogueira dos Rapazes, Enterro do Entrudo, Sete Passos e Rebentar do Judas. Quase todas estas manifestações etnográfico-culturais são de origem pagã, de caráter crítico, sarcástico e irónico.

As festas e romarias, mais populares durante os meses de verão, abundam um pouco por toda a região e estão, na sua maioria, associadas a acontecimentos religiosos. Estes eventos assumem cada vez maior importância em termos do número de pessoas que mobilizam, representando um forte motivo de atração. 

 

Património arquitetónico
Pombais tradicionais Cristina Girão Vieira 479-180 pxl

Ao nível do património arquitetónico do Parque Natural do Douro Internacional encontram-se em todo o território exemplos de arquitetura religiosa (igrejas e capelas), arquitetura tradicional de feição erudita (casas solarengas) ou popular (edifícios isolados ou conjuntos arquitetónicos), para além de outros elementos diversos como cruzeiros, alminhas, pontes, etc..

São de destacar os pombais tradicionais, cuja forma vai variando ao longo do território, à medida que nos deslocamos de norte para sul, muitos dos quais se encontram recuperados através de um projeto desenvolvido pelo PNDI e prosseguido pela Palombar, Associação de Proprietários de Pombais Tradicionais do Nordeste, criada com o apoio do Parque.

O património arqueológico existente no território é igualmente vasto e abrange desde gravuras rupestres e castros aos testemunhos da ocupação romana - povoados, necrópoles, pontes e estradas -, de castelos e atalaias medievais, até aos exemplares de arquitetura do ferro de finais do século XIX, estações de comboio da linha do Sabor e da linha do Douro. Uma parte deste património está classificada como Monumento Nacional, Imóvel de Interesse Público ou como Valor Concelhio.

Atividades humanas

A ocupação humana na área do Parque Natural do Douro Internacional é imemorial, perdendo-se no tempo, o que é atestado pelos vestígios deixados pelas populações nas diferentes épocas da história - a arte rupestre do Paleolítico Superior, os povoados fortificados, os castros, os sítios romanos e medievais, as igrejas, etc..

A população atualmente residente na área do Parque é de cerca de 13.500 habitantes (INE, 2011), distribuídos por 46 povoações, sendo que a agricultura e a pecuária ocupam a maior parte da população ativa. É uma zona de minifúndio, com explorações de pequena e média propriedade, do tipo familiar. Nas arribas, predominam as culturas mediterrânicas a vinha, o olival, o amendoal, o laranjal e os pequenos ruminantes autóctones – ovinos - Churra Galega Mirandesa e Churra da Terra Quente -, e caprinos - Cabra Serrana. No planalto, predominam os sistemas cerealíferos, sobretudo trigo e centeio, e forrageiros (lameiros) associados à criação de bovinos da raça Mirandesa. Também há grande produção de leite.

O setor secundário ocupa cerca de 21% da população ativa e abrange atividades no âmbito da construção e obras públicas e de uma indústria constituída por pequenas empresas concentradas nas sedes dos concelhos e algumas cooperativas de transformação: azeite e vinho.

O setor terciário representa atualmente cerca de 25% da população ativa, verificando-se que tem havido um incremento do comércio e do turismo em alguns concelhos. O comércio é constituído por pequenas unidades retalhistas de caráter familiar concentradas nas sedes dos concelhos e o turismo, apesar das apreciáveis potencialidades, encontra-se insipientemente desenvolvido.

As atividades tradicionais ainda têm algum peso na economia das famílias residentes no território, nomeadamente a apicultura, a charcutaria e o artesanato, destacando-se os trabalhos em madeira como é o caso das rocas e cabos de navalhas bordados, flautas e gaitas de foles, até aos ferros forjados e cutelaria, passando pela cestaria, a latoaria, a tecelagem em lã, linho e seda, de que são exemplo as “capas de honras” feitas em burel e as colchas.

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