Fauna
Borrelhos-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus e borrelhos-grande-de-coleira Charadrius hiaticula (® Cristina Girão Vieira).
Anfíbios e répteis
No Parque estão referenciadas 9 espécies de anfíbios. Destas algumas constam do Anexo II da Convenção de Berna, nomeadamente a rã-de-focinho-pontiagudo Discoglossus galganoi, o sapo-de-unha-negra Pelobates cultripes, o sapo-corredor Bufo calamita e a rela-comum Hyla arborea.
A rã-de-focinho-pontiagudo, provavelmente com distribuição localizada neste Parque Natural, é um endemismo ibérico e consta do Anexo II da Diretiva Habitats. Foi encontrada em depressões húmidas intradunares (charcos temporários) onde se confirmou a sua reprodução.
As restantes espécies em geral são espécies comuns no Parque, estando presentes sobretudo nos charcos, zonas alagadiças e linhas de água/valas, ou seja, locais importantes para a sua reprodução, havendo casos como o sapo-comum Bufo bufo e o sapo-corredor que, fora da época reprodutora, ocorrem um pouco por todos os biótopos do Parque Natural, incluindo os mais afastados dos corpos de água.
Em relação aos répteis, estão referenciadas 7 espécies. No entanto, é provável a ocorrência de pelo menos mais uma, a lagartixa-ibérica Podarcis hispanica.
Do conjunto de espécies de ocorrência confirmada, duas constam do Anexo II da Convenção de Berna, nomeadamente o sardão Lacerta lepida e o lagarto-de-água Lacerta schreiberi. Este último é um endemismo ibérico protegido ao abrigo da Convenção de Berna, que consta também do Anexo II da Diretiva Habitats, e a lagartixa-de-bocage Podarcis bocagei (endemismo ibérico).
Peixes
A orla costeira do Parque apresenta uma grande diversidade ictiológica sendo rica em espécies de elevado valor comercial.
Dentro dos limites desta área existem 93 espécies de peixes, estando 4 incluídas como espécies ameaçadas no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e 3 na Diretiva Habitats.
Na zona estuarina as espécies piscícolas são várias, das quais se destacam a enguia Anguilla anguilla, a lampreia Petromyzon marinus, a savelha Alosa fallax, o sável Alosa alosa e as tainhas Liza ramada e L. aurata.
Na área marinha a biodiversidade de espécies piscícolas é elevada, apresentando-se aqui as mais relevantes para a conservação no Parque Natural, quer pelo seu estatuto de proteção, representatividade das populações nesta área ou pela pressão antropogénica de que são alvo, nomeadamente da pesca, como o robalo Dicentrarchus labrax, o sargo Diplodus sargus, o congro Conger conger, a solha Pleuronectes platessa e a faneca Trisopterus luscus.
Aves
Para a área terrestre estão referenciadas 142 espécies de aves, sendo que o número total de espécies observadas com regularidade é de 115.
Esta diferença de valores deve-se ao facto de muitas das espécies referenciadas apenas ocorrerem no Parque de forma muito ocasional, nomeadamente em épocas de migração e em números muito reduzidos (um ou dois indivíduos) pelo que este Parque Natural não é importante para a conservação das suas populações. Entre elas contam-se a garça-vermelha ou imperial Ardea purpurea, o colhereiro Platalea leucorodia, o ostraceiro Haematopus ostralegus, o ganso-bravo Anser anser, o alfaiate Recurvirostra avosetta e o milhafre-preto Milvus migrans.
Alfaiate Recurvirostra avosetta em voo com o seu bico recurvado para cima (daí o seu nome científico "Recurvirostra") e um juvenil de milhafre-preto Milvus migrans (® Cristina Girão Vieira).
Embora a diversidade avifaunística existente no Parque não seja de todo excecional, ocorrem aqui 14 espécies (12% do total) com estatuto de ameaça, i.e. o mergulhão-de-pescoço-preto Podiceps nigricollis, corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis, açor Accipiter gentillis, tartaranhão-ruivo-dos-pauis Circus aeruginosus, águia-pesqueira Pandion haliaetus, seixoeira Calidris canutus, perna-verde Tringa nebularia, maçarico-das-rochas Actitis hypoleucos, garajau Sterna sandvicensis, andorinha-do-mar-comum Sterna hirundo, bufo-pequeno Asio otus, noitibó-da-europa Caprimulgus europaeus, rouxinol-pequeno-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus e escrevedeira-dos-caniços Emberiza schoeniclus. Destas, seis encontram aqui condições favoráveis à sua nidificação. São elas o tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou águia-sapeira e o bufo-pequeno com nidificação possível, o rouxinol-pequeno-dos-caniços e o açor com nidificação provável, e o noitibó e a escrevedeira-dos-caniços com nidificação confirmada.
As restantes são espécies invernantes na área. Além deste conjunto de espécies, o Parque apresenta ainda uma interessante comunidade de aves limícolas invernantes, as quais estão, sobretudo, associadas à foz do rio Cávado e orla costeira. Entre elas, destaca-se a presença regular de borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula, borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus (símbolo do Parque), tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola, seixoeira Calidris canutus, pilrito-das-praias ou pilrito-d’areia Calidris alba, pilrito-comum ou de peito-preto Calidris alpina, maçarico-de-bico-direito Limosa limosa e maçarico-galego Numenius phaeopus.
Borrelho-de-coleira-interrompida Charadrius alexandrinus ((® Antonio Coelho e Enri Sastre) e pilrito-de-peito-preto ou pilrito-comum Calidris alpina (® Cristina Girão Vieira), em plumagem de verão,
Ao estuário está também associada a presença, sobretudo no período invernal, de várias espécies de anatídeos, nomeadamente piadeira Anas penelope, marrequinha Anas crecca, pato-real Anas platyrhynchos e pato-trombeteiro Anas clypeata.
Assim, no Parque, e em particular na área estuarina, tal como acontece na generalidade das áreas húmidas do litoral, assiste-se a uma acentuada variação sazonal das espécies sendo evidente um empobrecimento de diversidade e abundância de aves no período reprodutor, uma vez que as limícolas e anatídeos, presentes durante o período de invernada, procuram outros locais para se reproduzirem. A zona do Estuário surge assim como uma importante área para alimentação e descanso durante a época das migrações e no inverno.
Desta forma, o estuário assume uma maior importância para as espécies migradoras de passagem e invernantes e não propriamente como local de nidificação sendo que, a este nível, do conjunto de aves limícolas aqui presentes apenas o borrelho-de-coleira-interrompida nidifica no Parque.
Mamíferos
Estão referenciadas 11 espécies de mamíferos, sendo aqui notória a falta de trabalho de campo a nível do recenseamento deste grupo. Assim, poderá ocorrer um conjunto mais diversificado de espécies, nomeadamente a nível dos micromamíferos. Assim, considera-se como de ocorrência potencial na área um conjunto adicional de 8 espécies. No total, estima-se que ocorram pelo menos 19 espécies de mamíferos, das quais 8 são potenciais.
Relativamente ao interesse conservacionista deste grupo destaca-se a presença confirmada de lontra Lutra lutra, a qual consta do Anexo II da Diretiva Habitats e ocorre nas principais linhas de água do Parque - rio Neiva, estuário do Cavado e ribeiro do Peralta.
De referir ainda a presença confirmada do toirão Mustela putorius, e a presença potencial do musaranho-anão-de-dentes-vermelhos Sorex minutus, musaranho-de dentes-vermelhos Sorex granarius, e musaranho-de-dentes-brancos Crocidura russula todos com estatuto de “Insuficientemente Conhecido”.
