Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural de Montesinho.

Cervus elaphus cabeça de Veado
Macho de veado Cervus elaphus.

Diversidade é a palavra de ordem quando se fala dos valores naturais existentes no Parque Natural de Montesinho

Várias circunstâncias concorreram para que o território do Parque chegasse aos dias de hoje encerrando uma biodiversidade diferencial no contexto do espaço nacional, ibérico e europeu. À sua situação particular de ecotono entre o meridional bioma mediterrânico e as particularidades eurosiberianas proporcionadas pelo prolongamento sul das cordilheiras atlânticas da Península Ibérica, junta-se o seu caráter periférico relativamente aos grandes eixos de desenvolvimento urbano de Portugal e Espanha, preservando comunidades e habitats com caráter sustentável praticamente inexistentes nos âmbitos temporais e espaciais que enquadram o Parque. Por outro lado, destaca-se uma base também diversificada, tanto do ponto de vista do sua história geológica, como do seu caráter de montanha condicionador do clima, hidrologia e solo.

Nas componentes vegetal, fúngica e animal dos valores naturais do Parque destacam-se as biocenoses características de litologias raras presentes neste território, como sejam as relativas aos afloramentos ultrabásicos, assim como maciços consideráveis de bosques caracteristicamente climácicos, e de comunidades arbóreas ripícolas, a grande riqueza do micota do Parque, principalmente o seu caráter inovador a nível da sua conservação, e a fauna, especialmente rica e diversificada, quer a nível dos mamíferos quer a nível das aves ou mesmo dos répteis. Tal riqueza é ainda complementada por importante fauna semiaquática de espécies com estatuto privilegiado em termos de conservação da natureza.

No seu conjunto, estes componentes – flora e vegetação, fungos e fauna – preenchem o valor natural do Parque com tanto de raro como de funcional.

Galemys pyrenaicus Toupeira-de-água Canis lupus Lobo
Toupeira-de-água Galemys pirenaicus e lobo-ibérico Canis lupus signatus. 

O Parque Natural de Montesinho encontra-se entre as áreas de montanha mais importantes para a fauna a nível nacional e europeu. Uma parte muito significativa de toda a fauna terrestre portuguesa está aqui representada, contando-se cerca de duzentas e cinquenta espécies de vertebrados e reconhecendo-se uma elevada riqueza e diversidade também de invertebrados. Muitas das espécies estão ameaçadas, constituem endemismos ibéricos, são raras ou têm uma distribuição muito reduzida em Portugal.

Destaca-se a importância desta área para a conservação do lobo-ibérico Canis lupus signatus cuja preservação está dependente, entre outros fatores, da manutenção das populações de presas selvagens como o veado Cervus elaphus e o corço Capreolus capreolus. Também a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus tem aqui condições muito favoráveis, exibindo algumas das melhores populações nacionais. O gato-bravo Felis silvestris, a lontra Lutra lutra, o morcego-de-ferradura-grande Rhinolophus ferrumequinum e o rato-dos-lameiros Arvicola terrestris (desconhecido no resto do país) são igualmente exímios representantes dos mamíferos ocorrentes.

Cerca de cento e sessenta espécies de aves, grande parte nidificantes, incluindo espécies raras como a águia-real Aquila chysaetos, a cegonha-preta Ciconia nigra, o tartaranhão-azulado Circus cyaneus, o picanço-de-dorso-vermelho Lanius collurio, o melro-das-rochas Monticola saxatilis e a petinha-ribeirinha Anthus spinoletta, atestam a grande diversidade e valor da avifauna presente.

A víbora-cornuda Vipera latastei, o lagarto-de-água Lacerta schreiberi e o tritão-marmorado Triturus marmoratus são alguns dos répteis e anfíbios que se podem observar.

Constitui uma área excecionalmente favorável para a truta-de-rio Salmo trutta, podendo-se encontrar também peixes muito ameaçados como a panjorca Chondrostoma arcasii e o verdemã-do-norte Cobitis calderoni.

A presença de numerosas espécies de borboletas raras e exclusivas do Nordeste Transmontano como a Lycaena virgaureae, a Brenthis daphne, a Boloria dia e a Aphantopus hyperanthu, assim como das únicas populações viáveis do mexilhão-de-rio Margaritifera margaritifera conhecidas em Portugal, realça a importância desta Área Protegida também para os invertebrados.

Os cursos de água, os matos, os lameiros, os bosques autóctones, carvalhais e sardoais ou azinhais, e as áreas rupícolas albergam as zonas preferenciais de alimentação, abrigo ou reprodução de grande parte das espécies. As áreas cerealíferas e os soutos de castanheiros proporcionam também importantes territórios de caça, refúgio ou reprodução de algumas aves e mamíferos. Algumas construções isoladas, moinhos ou minas funcionam ainda como preciosos abrigos para a fauna, em particular para os morcegos.