Flora

Flora
Flora do Parque Natural de Montesinho.

PNM - urzais em flor

Diversidade é a palavra de ordem quando se fala dos valores naturais existentes no Parque Natural de Montesinho.

Várias circunstâncias concorreram para que o território do Parque Natural de Montesinho chegasse aos dias de hoje encerrando uma biodiversidade diferencial no contexto do espaço nacional, ibérico e europeu. À sua situação particular de ecotono entre o meridional bioma mediterrânico e as particularidades eurosiberianas proporcionadas pelo prolongamento sul das cordilheiras atlânticas da Península Ibérica, junta-se o seu caráter periférico relativamente aos grandes eixos de desenvolvimento urbano de Portugal e Espanha, preservando comunidades e habitats com caráter sustentável praticamente inexistentes nos âmbitos temporais e espaciais que enquadram o Parque Natural. Por outro lado, destaca-se uma base também diversificada, tanto do ponto de vista do sua história geológica, como do seu caráter de montanha condicionador do clima, hidrologia e solo.

Nas componentes vegetal, fúngica e animal dos valores naturais do Parque destacam-se as biocenoses características de litologias raras presentes neste território, como sejam as relativas aos afloramentos ultrabásicos, assim como maciços consideráveis de bosques caracteristicamente climácicos, e de comunidades arbóreas ripícolas, a grande riqueza do micota (i.e. de fungos) do Parque, principalmente o seu caráter inovador a nível da sua conservação, e a fauna, especialmente rica e diversificada, quer a nível dos mamíferos quer a nível das aves ou mesmo dos répteis. Tal riqueza é ainda complementada por importante fauna semiaquática de espécies com estatuto privilegiado em termos de conservação da natureza.

Cistus ladanifer PNM-flora
Esteva Cistus ladanifer e arbusto em flor. 

No seu conjunto, estes componentes – flora e vegetação, fungos e fauna – preenchem o valor natural do Parque com tanto de raro como de funcional.

A flora e vegetação que ocorrem no Parque Natural de Montesinho destacam-se, no contexto nacional, pela sua elevada diversidade e quantidade de espécies raras, entre elas diversos endemismos ibéricos ou lusitânicos. O complexo jogo criado pelas condições geológicas, climáticas e orográficas que imperam nesta região, associadas a uma intensa atividade humana, contribuiu para o aparecimento de variados tipos de comunidades vegetais onde é possível encontrar plantas de uma enorme beleza, singularidade e importância em termos de conservação da Natureza.

 A flora que ocorre sobre as rochas ultrabásicas – um tipo de rochas muito raro em Portugal e que origina solos muito seletivos e tóxicos para a maioria das plantas – é das mais importantes e peculiares do Parque. Muitas das espécies que ocorrem sobre estas rochas são exclusivas dos solos ultrabásicos transmontanos e, algumas delas, em todo o mundo, apenas aqui podem ser observadas. Entre estas relíquias botânicas encontram-se a arméria Armeria eriophylla, a vulnerária Anthyllis sampaiana, a gramínea Avenula pratensis ssp. lusitanica, a violeta-de-pastor Linaria aeruginea, o feto Notholaena marantae ssp. marantae e a santolina Santolina semidentata.

PNM-prado natural PMN souto
Sebe e castanheiros.

Os bosques autóctones – carvalhais, sardoais e bosques ripícolas - também contribuem de forma decisiva para a diversidade botânica desta Área Protegida. Espécies raras ou pouco comuns como a violeta-hirta Viola hirta, a Arabis glabra, a Corydalis cava ssp.cava, a Centaurea triumfetti ssp. lingulata, a Lathyrus pratensis, o martagão Lilium martagon e o gerânio-sanguíneo Geranium sanguineum têm como habitat preferencial os bosques de carvalho-negral. A cássia-branca Osyris alba, a gilbardeira Ruscus aculeatus, o jasmim-dos-montes Jasminum fruticans, a rosa-de-lobo ou rosa-albardeira Paeonia broteroi e a orquídea Cephalanthera longifolia ocorrem, sobretudo, no sub-bosque dos sardoais, enquanto espécies como o azevinho Ilex aquifolium, a Veronica micrantha, a Clematis campaniflora e as comuns pascoelas Primula acaulis preferem os ambientes húmidos dos bosques de linhas de água.

O mosaico de comunidades vegetais que ocorre sobre solos encharcados nos planaltos da serra de Montesinho e dos Pinheiros - comunidades de turfeiras baixas, cervunais (comunidades dominadas pelo nardo-dos-campos Nardus stricta) e urzais higrófilos (comunidades dominadas pela margariça Erica tetralix e Genista anglica) - é um dos tipos de vegetação com maior importância para a conservação da flora do Parque. O ranúnculo Ranunculus abnormis, o dorónico Doronicum pubescens, a violeta Viola bubanii, a genciana-de-turfeiras Gentiana pneumonanthe e o malmequer-dos-brejos Caltha palustris são exemplos de plantas raras ou pouco comuns que ocorrem nestes habitats.

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