Você está aqui: Entrada / ÁREAS PROTEGIDAS / Parques Naturais / Parque Natural de Montesinho / Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima
Geologia, hidrologia e clima do Parque Natural de Montesinho.
PNM - serra de montesinho
Serra de Montesinho.

A geologia e a geomorfologia do Parque Natural de Montesinho apresentam uma elevada diversidade resultante da sua integração nas Zonas Centro Ibérica e Galiza – Trás-os-Montes, que se caracterizam por apresentar um dos enquadramentos geológicos mais complexos da Península Ibérica.

A tectónica alpina, determinante na configuração da paisagem atual, condiciona a orientação geral (N-S, NNE-SSW) dos principais cursos de água que integram a rede hidrográfica existente nesta Área Protegida.

Em termos climáticos esta área apresenta características peculiares resultantes da presença de um sistema montanhoso que, associado ao afastamento ao oceano, à latitude e à fisiografia, determinam, também, o aparecimento de diversos micro-climas locais.

Geologia e geomorfologia 

Geologicamente a área do Parque Natural de Montesinho integra-se na complexa geologia do Noroeste Peninsular. Destacam-se nesta região os chamados complexos polimetamórficos alóctones, constituídos pelo empilhamento de diversas unidades tectónicas, carreadas e instaladas sobre metassedimentos Paleozoicos. Deste modo, na geologia desta região, sobressai o chamado Maciço de Bragança, um dos cinco complexos da Península Ibérica onde estão presentes rochas exóticas da crusta e do manto terrestre, granulitos e metaperidotitos. Pelos atuais dados científicos, estima-se que essa instalação resultou da colisão de placas tectónicas, ocorrida há aproximadamente 410 milhões de anos.

PNM - mapa - enquadramento do PNM na geologia do Nordeste Transmontano
Enquadramento do PNM na geologia do Nordeste Transmontano

No setor oriental do Parque encontramos um bom exemplo da importância da tectónica na evolução da paisagem regional. A geomorfologia da área a norte de Bragança está claramente condicionada por falhas associadas ao grande acidente tectónico Bragança-Vilariça-Manteigas (BVM) com orientação NNE-SSW, um rejogo alpino da estrutura tectónica originada na parte terminal da orogenia Hercínica.

A falha de Portelo, limite setentrional do acidente tectónico BVM, originou o soerguimento de um bloco a ocidente e o abatimento no bloco a leste. O bloco ocidental corresponde a uma área aplanada nos 850-900 m (região de Espinhosela-Donai), aumentando a altitude para norte, na Serra de Montesinho (1486 m na fronteira). No bloco abatido estão modeladas duas superfícies: a superfície de Baçal a sul, conhecida localmente por Baixa Lombada, a cotas entre os 600 e os 700 m de altitude; e a superfície de Aveleda a norte, entre os 900 e os 800 m, modelada em depósitos sedimentares fini-terciários e basculada para sul. Outras falhas localizadas a leste, na região de Labiados, controlam a subida para o planalto de Babe-Deilão (800-900 m de altitude), designado localmente como Alta Lombada.

Assim, nesta área a norte de Bragança define-se um graben, tendo como área central o bloco abatido de Aveleda-Baçal em relação a um bloco oriental (Alta Lombada) e a um bloco ocidental ainda mais elevado (Montesinho).

As areias e cascalhos de idade fini-terciária (entre 2 e 5 milhões de anos) observados junto a Aveleda, Baçal e Atalaia são os vestígios da paleodrenagem desta área, a qual já fazia parte da bacia do Douro mas desaguando este no interior da Península Ibérica, na região de Castela-a-Velha.

A Serra de Montesinho (1486 m de altitude, na fronteira) é constituída maioritariamente por granito de grão médio a grosseiro, instalado há cerca de 300 milhões de anos. Este maciço granítico prolonga-se para Espanha, onde a altitude aumenta até cerca dos 1700 m, na Serra da Gamoneda.

Junto à barragem da Serra Serrada podemos observar a várias escalas morfologias típicas destes materiais rochosos, como as grandes e médias formas acasteladas (Castle Kopje e Tors, respetivamente), associadas a um diaclasamento ortogonal bem desenvolvido e ao grão médio-grosseiro do granito, os blocos arredondados, relacionados com a alteração em profundidade e posterior erosão à superfície, e microformas como as cavidades (Pias ou Vasques) observadas nos blocos graníticos.


Hidrologia

rio-macas rio-sabor
Rio Maçãs e Rio Sabor (® Telmo Afonso)

A rede hidrográfica do Parque natural de Montesinho, considerando os rios principais mais caudalosos, os seus afluentes, e ainda as pequenas ribeiras e linhas de água torrenciais, é relativamente densa e encontra-se distribuída por toda a sua área. Este sistema fluvial insere-se, na sua globalidade, na rede hidrográfica do rio Douro, nomeadamente nas bacias hidrográficas dos Rios Tua e Sabor, dois dos principais afluentes da margem direita do rio Douro. A área do Parque abrange essencialmente os troços de cabeceira dos cursos de água principais destas bacias e alguns dos seus afluentes de média e pequena dimensão.

Os cursos de água mais importantes que percorrem o Parque são, de ocidente para oriente, os rios Mente, Rabaçal, Tuela e Baceiro, incluídos na rede hidrográfica do Tua, e os rios Sabor, Igrejas, Onor e Maçãs, pertencentes à Bacia do Sabor. O rio Mente é afluente do Rabaçal que, por seu turno, conflui com o Tuela, já próximo de Mirandela, para formar o rio Tua. O rio Igrejas é afluente do rio Onor, que conflui no rio Sabor nos limites do Parque, junto à povoação de Gimonde; a confluência entre o rio Sabor e o rio Maçãs, seu principal afluente, ocorre bastante mais a jusante, já na zona de fronteira entre os concelhos de Bragança, Vimioso e Mogadouro.

Todos os cursos de água de maior dimensão nascem em território espanhol, nalguns casos com percursos relativamente extensos em Espanha (e.g. 25 km no rio Tuela, 19 km no rio Maçãs, 18,5 km no rio Mente e 11 km no rio Rabaçal). O rio Sabor, por outro lado, é quase exclusivamente português, percorrendo em território espanhol apenas cerca de 2 km. Salienta-se ainda que do troço do rio Mente incluído no Parque (16,5 km), mais de metade do seu percurso é fronteiriço (9,5 km), bem como no caso do rio Maçãs, fronteiriço em todo o troço incluído no Parque (21 km).


Clima
PNM - clima PNM - clima

O clima de Trás-os-Montes é fortemente condicionado pelo cordão montanhoso que se desenvolve do Alto Minho (1545 m) ao Alvão-Marão (1415m). A esta barreira geográfica adicionam-se mais dois cordões montanhosos de menor altitude: o primeiro desce dos Maiores e prolonga-se pela Padrela-Falperra, Alto de Justes e Serra de S. Domingos; o segundo é constituído pelos relevos de Montesinho, Coroa e Nogueira e estende-se pela Serra de Bornes até ao planalto de Carrazeda, no extremo Sul de Trás-os-Montes.

A posição interior de Trás-os-Montes faz ainda com que esteja fechada às influências marítimas, não só pelo oeste como se referiu mas também pelo norte, através do sistema Galaico-Duriense (El Teleno, 2188 m) e pelos montes Cantábricos. De oriente, sofre a influência do planalto Castelhano-Leonês e, a sul, a do planalto Beirão e do Maciço Central, o prolongamento do sistema Central Ibérico (Almançor, 2592 m, Serra da Estrela, 1993 m). Tendo como referência o resto de Portugal, estas influências refletem-se num macroclima com características continentalizadas resumidas no refrão popular “em Trás-os-Montes existem nove meses de inverno e três de inferno”- conjugadas com um regime tipicamente Mediterrânico com uma estação xérica estival, muito marcada.

Na área do Parque a temperatura média anual varia entre os 8,5ºC na Serra de Montesinho e os 12,8ºC na Baixa Lombada. Nas mesmas áreas homogéneas a média das temperaturas máxima e mínima variam, respetivamente, entre os 5–7ºC e os 14–17ºC. Devido ao frequente fenómeno de inversão térmica que ocorre principalmente nos meses de inverno e primavera, as temperaturas mínimas nas zonas de vales atingem com frequência valores mais baixos que os observados nos locais de maior altitude. Os vales mais encaixados e profundos registam também os maiores valores das temperaturas máximas sendo assim os locais com maiores amplitudes térmicas diurnas e anuais.

A distribuição anual da precipitação é típica do clima mediterrânico com uma elevada concentração da precipitação na estação fria e uma quase ausência de precipitação nos meses mais quentes. A precipitação no semestre húmido, outubro - março, representa 72% da precipitação anual. No que respeita à distribuição na área do Parque, os valores mais elevados da precipitação média anual ocorrem nas zonas de maiores altitudes (1215,6 mm em Moimenta e 1262,8 mm em Montesinho) e na parte ocidental (1075,1 mm em Vinhais), verificando-se uma redução acentuada para este (806 mm em Deilão) resultante, em parte, do chamado efeito de Föhen que se verifica quando as massas de ar atravessam relevos acentuados e progressivamente se vão desidratando.

Os valores médios mensais mais elevados, da velocidade do vento, observam-se nos meses de fevereiro a maio, coincidindo com a primavera. Os valores mais baixos observados nos meses de inverno confirmam a existência de situações de estabilidade mais frequentes nesta época do ano do que, por exemplo, no período estival. A direção predominante do vento é de oeste em todos os meses do ano.

As zonas orientais são as que apresentam os maiores valores da temperatura e os menores níveis de precipitação, enquanto nos maciços de Montesinho e Coroa, e áreas envolventes, correspondem aos valores menores da temperatura média e aos mais altos níveis de precipitação. Como consequência, as diferenças em termos de défice de água no solo traduzem-se num período de 4 meses, junho a setembro, de défice nas zonas orientais e apenas de 3 meses, julho a setembro, nas centrais e ocidentais.

Com o inverno bem definido, toda a atividade dos sistemas ecológicos e agroecológicos, nesta região, está dependente do período livre de geadas. Assim, a ocorrência de geada é por ventura o fenómeno climático mais importante para os ritmos biológico e das atividades agrícolas na área do Parque. Apesar de mais frequentes nos meses de inverno, as primeiras geadas ocorrem, no outono, nos primeiros dias de outubro e as últimas, na primavera, nos últimos dias de maio, estendendo-se o período livre de geadas desde meados de maio a princípios de outubro. A geada tardia na primavera é um dos principais fatores que limita a produtividade primária e como tal, as utilizações do solo dependentes da data de sementeira e/ou plantação da culturas de primavera – verão; nas culturas perenes é responsável pela sua quebra de rendimento e pela irregularidade interanual das produções. Por outro lado, as primeiras geadas encerram o período vegetativo mais intenso, com influência limitada na safra da castanha, principalmente as que ocorrem em finais de outubro e princípios de novembro. 

 

Acções do Documento
classificado em: