Habitats

Habitats
Habitats do Parque Natural da Ria Formosa.

PNRF - duna Ria e Sapal António Coelho
Duna, sapal e ria (® António Coelho).
 

Dunas

PNRF - vegetação dunar
Vegetação dunar.

As dunas costeiras e, neste caso, o cordão dunar avançado, formam-se na parte que imediatamente se segue ao domínio das marés, em especial durante as vazantes, quando as areias secas da praia exposta são mobilizadas e transportadas pelo vento e depositadas mais adiante. Em muitos pontos a crista dunar foi cortada pela ação de ventos constantes já com certa intensidade, encontrando-se vestígios de remobilização das areias, o que traz como resultado a formação de incipientes corredores de vento e esboços de pequenas dunas parabólicas. Estas são características de períodos transgressivos, que correspondem a subidas do nível do mar e durante os quais a chegada de sedimentos à praia é pobre.

Sapal

PNRF - sapal
Sapal em frente a Cacela Velha.

Em troços abrigados da costa, orlando estuários, lagunas ou baías, e protegidas do embate das ondas do mar aberto por uma barreira de ilhas ou pontas arenosas, ao nível de entremarés, surgem plataformas onde se instala densa cobertura de uma vegetação muito peculiar; estão submersas durante a maré alta e ficam a descoberto na maré baixa. São os sapais.

Embora não pareça, o sapal está entre as zonas mais produtivas da biosfera. No que respeita à produção de matéria viva ou biomassa, é várias vezes mais rentável do que os melhores campos de milho, com a diferença de que estes precisam de ser trabalhados mecanicamente, semeados, adubados e tratados de infestantes. O sapal não. Os nutrientes chegam-lhe naturalmente, levados pelo movimento constante de fluxo e refluxo das marés, pelos sedimentos provenientes da zona continental, pelos seres vivos que nele se fixam e, morrendo, ali se decompõem. Até pela inoportuna ação humana que, não raro, dele faz lixeiras. Quanto a infestantes, normalmente não há, pois as condições de sobrevivência no sapal são extremamente difíceis para plantas que não estejam convenientemente adaptadas.

As águas dos sapais contêm grande quantidade de nutrientes. A pequena profundidade não só mantém uma temperatura favorável ao desenvolvimento de organismos marinhos como permite uma boa penetração da luz, garantindo uma atividade fotossintética intensa e quase contínua. Por serem calmas constituem um bom local de abrigo e permanência para numerosas espécies animais, de que são particularmente importantes as marinhas, muitas das quais ali desovam e passam os estádios larvares e juvenis até que chegue o momento de migrarem para o mar, onde completam o cicio biológico. O sapal funciona, portanto, como viveiro ou nursery para estas espécies, muitas delas com interesse na alimentação humana. Da conservação do sapal e das maternidades depende a abundância de peixe, moluscos e crustáceos nas águas costeiras onde as populações humanas procuram, e de onde retiram, uma parte da sua subsistência.

A produtividade do sapal é também suporte do seu valor científico. Ela condiciona o número de espécies de aves sedentárias que nele habitam e nidificam; o número de migradoras que dele precisam para ponto de paragem, repouso e alimentação, antes de retomarem os seus longos trajetos; por último, o número de invertebrados, pequenos vertebrados ou espécies vegetais capazes de servir de sustento a outras nesta intricada teia alimentar. 

Finalmente, um aspeto relevante do sapal "vivo" é que a sua vegetação tem forte ação depuradora pela grande capacidade de absorção e fixação de metais pesados, muitos dos quais são tóxicos para outros seres vivos. Por outro lado, os abundantes microrganismos ali existentes metabolizam e convertem em nutrientes materiais que, de outro modo, poluiriam as suas águas. Por este motivo o sapal pode, até certo ponto, reduzir a poluição.

Mata

PNRF - Pinhal António Coelho
Pinhal na Quinta de Marim (® António Coelho).
 
A mata mediterrânica original desapareceu, há muito, de Portugal, bem como dos restantes países da região, em resultado de milénios de intensa ocupação humana. A agricultura, o pastoreio, os fogos e a introdução de espécies exóticas, foram os principais agentes desta mudança.

Em vez da mata original de azinheiras, sobreiros, carrascos, medronheiros, oliveiras e alfarrobeiras (árvores de folha perene, adaptadas ao longo e seco verão mediterrânico), encontramos agora o pinheiro-bravo Pinus pinaster e o pinheiro-manso Pinus pinea, que dominam a paisagem litoral do sul do país. Estas espécies são frequentemente plantadas nas regiões costeiras com o objetivo de estabilizar as areias, por estarem adaptadas aos solos arenosos e aos ventos fortes e carregados de sal.

Sob os pinheiros ainda se encontram espécies arbustivas e herbáceas características da mata mediterrânica, tais como tojos Ulex argenteus ou Stauracanthus boivinii, alecrim Rosmarinus officinalis e rosmaninho Lavandula stoechas.