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História | Cultura

História | Cultura
Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural da Ria Formosa.

PNRF - Chalet João Lúcio
Chalet João Lúcio

Paisagem

Na área do Parque Natural  poderão ser identificadas 16 unidades de paisagem distintas:

  • Área de edificação dispersa de Quatrim Sul;
  • Áreas agrícolas com baixa densidade de edificação;
  • Áreas de povoamento disperso alinhado;
  • Envolvente da Ribeira de S. Lourenço;
  • Espaço agroflorestal;
  • Espaço agroflorestal com edificação dispersa;
  • Espaço florestal com áreas de expansão urbano-turística;
  • Área urbano-turística da Quinta do Lago;
  • Áreas urbano-turísticas;
  • Áreas urbano-industriais;
  • Pisciculturas e salinas;
  • Dunas;
  • Praia;
  • Área Intertidal;
  • Arribas litorais; e
  • Área subtidal (Coluna de água).


Nas unidades de paisagem área de edificação dispersa de Quatrim do Sul, áreas agrícolas com baixa densidade de edificação, áreas de povoamento disperso alinhado, envolvente da Ribeira de São Lourenço e espaço agroflorestal com edificação dispersa dominam os elementos antrópicos sobre os bióticos, embora aos elementos abióticos caiba um papel significativo. Nestas unidades de paisagem a função agrícola é bastante importante, e o espaço visível é o resultado de um longo processo de intervenção humana sobre o solo, nomeadamente sobre as comunidades bióticas. Nas áreas em pousio, apesar da visível humanização, o elemento biótico tende a aumentar de importância, havendo lugar para os processos naturais.

Nos espaços agroflorestais as comunidades bióticas destacam-se sobre os elementos antrópicos, pois apesar de toda a paisagem ser o resultado da ação humana, a intensidade desta atuação não é tão relevante como noutros casos, sobressaindo o elemento biótico, sendo ainda importante considerar os elementos abióticos que fornecem energia ao sistema.

Nos espaços florestais com áreas de expansão urbano-turística, os elementos bióticos dominam sobre os antrópicos, ainda que correspondam a espaços que parecem estar a ser invadidos pela ocupação humana. Os elementos abióticos são igualmente importantes.

A área urbano-turística da Quinta do Lago caracteriza-se pela dominância do elemento antrópico sobre o biótico, ainda que também aqui o abiótico tenha alguma importância, enquanto fornecedor de energia natural ao sistema.
Nas unidades de paisagem: áreas urbano-turísticas, áreas urbano-industriais e pisciculturas e salinas dominam os elementos antrópicos, tendo, de um modo geral, sido eliminadas e artificializadas as comunidades bióticas. Os elementos abióticos surgem numa posição intermédia.

Nas dunas, os elementos abióticos dominam sobre os bióticos, apesar de contarem com alguma presença humana esporadicamente.

Na praia os elementos abióticos prevalecem sobre os antrópicos, cuja pressão é especialmente forte na época balnear, carecendo de comunidades bióticas.

Na área interdital o domínio dos elementos bióticos sobre os abióticos deve-se às comunidades bióticas existentes, as quais dependem dos segundos elementos. O elemento humano é supérfluo, sendo sinónimo de alterações induzidas ao sistema natural.

As comunidades bióticas prevalecem sobre os elementos abióticos nas arribas litorais, cabendo ao elemento antrópico um papel menos interventivo.

Na área subtidal dominam os elementos abióticos sobre os bióticos, com uma intervenção humana reduzida.

De uma forma geral, os elementos dominantes na área do Parque são os bióticos, devido sobretudo ao peso da área intertidal, que compreende as areias e lodos intertidais bem como os sapais.

O segundo lugar é ocupado pelo elemento antrópico, sendo o abiótico o menos dominante, embora esteja sempre presente e seja estritamente importante, na medida em que é o responsável pelo funcionamento do sistema. Trata-se de uma paisagem humanizada, com diferentes gradações, em função do grau de intervenção ao longo dos tempos. As unidades em que os efeitos do elemento antrópico são menos visíveis correspondem às praias e formações dunares e às zonas húmidas (áreas inter e subtidais).

De referir, contudo, que a intervenção humana nas zonas húmidas, designadamente através da construção de tanques de salinas e de pisciculturas pode ser considerada um fator positivo, na medida em que funcionam como habitat para inúmeras espécies da avifauna.

Atividades

PNRF - Salinas
Salinas.

A proximidade do mar e a amenidade do clima, associados à presença de praias, fizeram da Ria Formosa um espaço privilegiado de recreio e lazer e daí a importância de todas as atividades relacionadas com o turismo. Este tem sido o motor do crescimento económico e desenvolvimento algarvios ao longo das últimas quatro décadas, podendo mesmo afirmar-se que constitui o setor base da estrutura produtiva, já que produz uma série de efeitos multiplicadores.

No Algarve, ao longo dos últimos trinta anos tem-se observado uma deslocação da população empregue no setor primário para as atividades relacionadas direta ou indiretamente com o turismo, donde se destacam as da hotelaria e restauração, bem como as da construção civil.

A agricultura é, atualmente, uma atividade em regressãoe nos concelhos do Parque os frutos secos, os citrinos e o olival são as culturas dominantes.

Mas o Parque suporta também outras atividades importantes, caso da cultura de moluscos bivalves em viveiros, cujo principal produto é a amêijoa-boa. Os viveiros cobrem algumas centenas de hectares sendo visíveis, na baixa-mar, as estacas que os delimitam.

PNRF - viveirosViveiros

A esta cultura acrescenta-se a recolha de moluscos bivalves em bancos naturais, o marisqueio, prática de comprovada antiguidade e atualmente exercida fora das áreas concessionadas.

A pesca, atividade económica ainda com bastante importância no contexto regional, é apenas em parte dependente do sistema lagunar. De facto, a interdependência entre a Ria e esta atividade não deriva essencialmente das capturas feitas na laguna, mas da relevante função de nursery que a ria preenche relativamente a espécies de peixes e de moluscos, com algum valor, e sobretudo da localização, no seu interior, de importantes estruturas portuárias de suporte a esta atividade.

A salicultura, cuja história se perde num passado distante, apesar de um decréscimo de atividade, ainda contribui com uma quota importante para a produção nacional.

Para além da relevância a nível económico, as salinas da Ria Formosa desempenham um papel fundamental como área de descanso e/ou alimentação para um grande número de limícolas, pelo que se considera de extrema necessidade a conservação deste habitat numa área de passagem e ponto de apoio de inúmeras populações de aves nas suas trajetórias migratórias entre a Europa e a África.

À diminuição da área salineira tem correspondido um aumento constante do número de pisciculturas instaladas nos tejos das salinas, sendo as espécies mais exploradas o robalo, a dourada e o sargo.

Património cultural

Arraial Ferreira Neto - Cristina Girão Vieira
Tavira. Arraial Ferreira Neto - antiga armação de atum (® Cristina Girão Vieira).
 

O património cultural existente no Parque é de grande interesse, quer se tratem de conjuntos ou sítios históricos, construções isoladas, aldeamentos piscatórios ou rurais e outras manifestações complementares, como o artesanato, a gastronomia, as crenças e tradições.

Os vestígios arqueológicos dos diversos povos que na zona se estabeleceram desde o paleolítico e mais tarde os fenícios, gregos, romanos e árabes, exprimem raízes culturais milenares.

A presença romana marcou profundamente o território. Disso são exemplo a antiga cidade da Balsa, localizada na freguesia da Luz ou a estação arqueológica de Marim, antiga villa reveladora de intensa atividade piscatória, industrial e comercial.

PNRF - Estação romana de salga de peixe (CEAM) PNRF - Moinho de maré de Marim
Ruínas romanas com tanques de salga de peixe e sala de moagem do moinho de maré da Quinta de Marim (®Luís Braz) .

A ocupação islâmica revela-se nos aglomerados populacionais, na tipologia das habitações, na toponímia, nas hortas e pomares de citrinos, nas alfaias e nos muitos vestígios arqueológicos.

No séc. XVI, a pesca do atum e da sardinha e o comércio do sal eram atividades em expansão no Algarve, o que propiciou o crescimento dos arraiais. Estes arraiais, que inicialmente não passavam de cabanas de junco, tiveram um desenvolvimento notável no séc. XVIII em virtude da criação da Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve, por iniciativa do Marquês de Pombal. Localizaram-se na Ria Formosa as armações do Cabo de Santa Maria e do Ramalhete (Faro), do Livramento (Fuseta), do Barril (Santa Luzia), do Medo das Cascas (Tavira) e da Abóbora (Cabanas). As últimas armações datam do início dos anos 70 do séc. XX, pois perderam importância face ao desvio do percurso do atum e à decadência da indústria conserveira. 

Mas no Parque podemos descobrir outras riquezas patrimoniais que conseguiram resistir à ação do tempo e à destruição provocada pela ação humana. As marcas deixadas são muitas e variadas, desde as torres de vigia e atalaias (Torre d'Aires e de Bias), fortalezas ao longo da Ria para defesa costeira (São João da Barra, Cacela, Forte do Rato), casas apalaçadas como o Chalet Dr. João Lúcio, quintas rurais, capelas, ermidas, igrejas, moinhos de maré, noras, entre outros.

PNRF - centro de Cacela  PNRF - Torre dAires
Cacela Velha e e Torre d'Ares

 

Forte do Rato
Concelho de Tavira, freguesia de Santa Maria. Localização: 2 km a SE de Tavira, junto à foz do rio Gilão. Classificação: Imóvel de Interesse Público Decreto do Governo n.º 8/83, 24 janeiro. Época de construção: séc. XVI, reinado de D. Sebastião. Utilização inicial: militar, defesa do porto de Tavira.

Forte de São João da Barra ou da Conceição
Concelho Tavira, freguesia Cabanas. Localização: faixa terrestre adjacente à laguna, numa pequena elevação, a NE de Cabanas. Acesso pela EN 125 até ao acesso a Cabanas e depois pela EM 1238, contornar o núcleo urbano pelo limite sul e depois acesso por caminho vicinal. Classificação: Imóvel de Interesse Público, Dec. 43073, 14 julho, 1960 (IPPAR). Época de construção: séc. XVII, reinado de D. João. Utilização inicial: militar, de defesa. Utilização atual: habitação, propriedade privada. Observações: em 1670 foi submetido a remodelação e ampliação. Em 1783, estando muito arruinado, foi de novo reedificado.

Núcleo histórico de Cacela Velha
Debruçada sobre a Ria Formosa é exemplo do mais emblemático património histórico e cultural. Localiza-se no concelho de Vila Real de Santo António, freguesia de Vila Nova de Cacela. Classificação: Imóvel de Interesse Público - Decreto n.º 2/96, 2 março e Zona Especial de Proteção: Despacho de janeiro de 1987 (DGMEN). Núcleo urbano histórico de origem medieval. Época construção: diversas (século XVIII, XVI) Utilização inicial: núcleo urbano de reduzida dimensão, residencial, cultural, agrícola, administrativo e turístico. Utilização atual: núcleo urbano. Propriedade pública: estatal e municipal; privada: igreja católica, misericórdia e habitações. Inclui fortaleza (arquitetura militar); igreja matriz, com portal renascentista; casa da Misericórdia (séc. XIII); Casa da Câmara, séc. XVI edifício da cadeia; cisterna medieval; e cemitério antigo.

Chalet João Lúcio
Concelho de Olhão, freguesia de Quelfes. Acesso pela EN 125, a cerca de 1 km a este de Olhão, junto ao Parque de Campismo de Olhão e à sede do PNRF. Esta casa senhorial, do início do séc. XX (1916), localiza-se junto ao Centro de Educação Ambiental dea Quinta de Marim. Trata-se de um edifício com três pisos, quadrangular, sem frente nem traseiras. O Chalé possui quatro entradas cada uma com o seu significado e distribuídas pelos pontos cardeais: a escadaria a norte tem a forma de peixe; a sul de guitarra; a nascente de violino; e a poente de serpente. Assim, o peixe representa a água, a guitarra, o fogo, o violino, o ar e a serpente, a terra. A casa, outrora pertença do Dr. João Lúcio (advogado e poeta), figura mística e carismática de Olhão, nunca foi por ele habitada, pois, em 1918, morreu vítima de pneumonia. Utilização inicial: habitação privada. Utilização atual: Ecoteca. Propriedade: ICNF. 

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