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Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima
Geologia, hidrologia e clima do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

Polje de Mira-Minde OMPolje de Mira-Minde no inverno (® Olimpio Martins).

Geologia e geomorfologia

À exceção de pequenas zonas limítrofes, toda a área do PNSAC encontra-se incluída no Maciço Calcário Mesozóico, sendo que os constituintes geológicos principais pertencem, quase totalmente, ao Jurássico com predominância dos calcários pertencentes ao Dogger (Jurássico Médio). Existem ainda formações Cretácicas e Miocénicas junto da extremidade SE e S do Parque Natural já pertencentes à série de planaltos Miocénicos da Bacia Terciária do Tejo, formações Plio-Plistocénicas indiferenciadas na parte SW da Serra dos Candeeiros, formações modernas, detríticas e de “terra rossa”, nos vales e depressões fechadas, aluviões modernos ao longo de algumas linhas de água e afloramentos de rochas eruptivas, como sejam doleritos e rochas afins, basaltos e brechas vulcânicas. 

 
Fornia OM Lapiás João Malhão OM
Fórnea e Lapiás João Malhão (® Olimpio Martins). 

Do ponto de vista morfológico podem-se diferenciar no Maciço Calcário Estremenho três subunidades que correspondem a compartimentos elevados – a serra dos Candeeiros a oeste, o planalto de Sto. António ao centro e a sul e o planalto de S. Mamede e a serra de Aire, respetivamente a norte e este. A separar estas subunidades encontram-se três depressões originadas por grandes fraturas, respetivamente a depressão da Mendiga, o polje de Minde-Mira e a depressão de Alvados.

Por todas estas razões, este é um local onde os mais significativos e típicos fenómenos cársicos se encontram representados no nosso país, de que são exemplo as dolinas, as uvalas, os poljes e campos de lapiás, no que concerne ao modelado de superfície, e a existência de inúmeras grutas (mais de 1500) que cruzam o interior do maciço. 

O polje de Mira-Minde é drenado na periferia do maciço pelas nascentes dos rios Lena, Alviela e Almonda só para citar as mais conhecidas. Quando a entrada de água no sistema é superior ao caudal permitido pelas nascentes, a água eleva-se dentro da rede e inunda esta área deprimida que é o polje, através de 2 ou 3 algares existentes na sua base, formando este mar temporário. Uns tempos depois, com a diminuição da precipitação, este "mar" esvazia pelos mesmos locais por onde inundou. Como é necessário que haja uma certa concentração temporal de grandes quantidades de precipitação, este fenómeno não é regular e não tem periodicidade certa.

A depressão de Alvados é uma bacia de fundo plano, ampla, com um imenso tapete de oliveiras que timidamente ensaiam uma subida pela extensa e uniforme Costa dos Alvados, como é denominada a vertente de 300 m de desnível que atinge o planalto de Santo António. Esta é uma das mais belas paisagens deste maciço. Trata-se de uma zona de sequeiro onde predomina o olival, mas que apresenta importantes núcleos de carvalhal.

O Algar do Pena, descoberto em 1985 pelo sr. Joaquim Pena enquanto se dedicava à extração de pedra para produção de calçada, é uma cavidade que alberga uma sala de gigantescas dimensões, a maior atualmente conhecida no nosso país (125.000 m3 de volume). Do cimo de perto de 40 m de desnível abre-se ao olhar de quem a visita uma magnífica paisagem subterrânea cujo aspeto estético assume uma dimensão pouco vulgar, através de uma enorme profusão de espeleotemas. Acessível ao público (dispõe de um edifício de apoio técnico, elevador, auditório ao ar livre e de um espeleódromo), representa uma experiência única de descida às profundidades, aliando a importância científica a aspetos didácticos e turísticos de elevado interesse.

 

Hidrologia

Olhos D’Água do Alviela OMRibeira de Amiais - PM
Nascente dos Olhos de Água do Alviela (® Olimpio Martins) e ribeira de Amiais (® Pedro Martins). 

Apesar da ausência de cursos de água de superfície organizados nesta região, eles existem em abundância no subsolo, constituindo um dos maiores – se não o maior – reservatório de água doce subterrânea do nosso país e que se estende entre Rio Maior e Leiria.

Das várias nascentes cársicas existentes na região, a mais conhecida e importante, no que toca a caudais emitidos, é a dos Olhos de Água do Alviela. A nascente do rio Alviela situa-se na transição entre o Maciço Calcário Estremenho, zona onde predomina a rocha calcária, e a Bacia Terciária do Baixo Tejo, paisagem constituída principalmente por arenitos. A sua bacia de alimentação estende-se ao longo de cerca de 180 km2, onde a água percorre verdadeiros labirintos subterrâneos até chegar à nascente.

O rio Alviela é alimentado, durante todo o ano, por uma nascente permanente, mas, em períodos de maior precipitação, a água é também expelida através de nascentes temporárias, nomeadamente por uma saída temporária de extravasamento situada junto à nascente principal (Olhos de Água) e por uma outra situada junto ao Poço Escuro.

A nascente dos Olhos de Água do Alviela é uma das mais importantes do nosso país, chegando a debitar 17 mil litros por segundo, ou seja, 1,5 milhões de m3 de água por dia (pico de cheia). Desde 1880 até bem próximo da atualidade, a nascente do Alviela foi uma das principais fontes de abastecimento de água à cidade de Lisboa (através da EPAL), e ainda hoje “abre portas” a um dos maiores reservatórios de água doce do país.

As lagoas do Arrimal, localizadas na freguesia do Arrimal, concelho de Porto de Mós, são dois admiráveis espelhos líquidos, rodeados de pequenos poços em pedra calcária. A lagoa grande aproveita a água da escorrência do Vale de Espinho, enquanto a Lagoa Pequena, situada junto ao rossio da povoação do Arrimal, num recanto do fértil polje da Mendiga, recolhe as águas da sua própria bacia. Estas lagoas são um exemplo da formação de pequenas depressões superficiais, verdadeiros "oásis" no mar de secura que as envolve. São enriquecidas pela presença próxima do carvalho-negral Quercus pyrenaica, uma espécie vegetal rara na região. 

 

Clima

O clima da área do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros caracteriza-se por constituir uma peculiar transição entre as condições mediterrâneas e atlânticas, sendo por isso húmido, de temperaturas médias e com grande deficiência de água no verão. 

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