Fauna

Fauna
Fauna do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Ciconia ciconia Cegonha-branca ninho
Ninho de cegonha-branca Ciconia ciconia em rochedo no litoral.

Entre a rica fauna desta costa, sobressaem as aves – com inúmeras espécies que procriam nesta região, nela invernam ou a utilizam como plataforma migratória entre o norte de África e a Europa.

Arribas

É no domínio da avifauna que as arribas marítimas assumem importância particular pelo elevado número de espécies que aí procriam. Podemos destacar o guincho ou águia-pesqueira Pandion haliaetus que utiliza esta costa rochosa como local de nidificação. Sendo uma ave de rapina que possui uma alimentação especializada em peixes, tem a característica de ter as patas cobertas com escamas rugosas. A sua plumagem oleosa permite-lhe ter um grau de impermeabilização importante para os seus mergulhos.

A águia-de-bonelli Aquila fasciata (syn Hieraaetus fasciatus) é outra espécie que utilizava as arribas marítimas da costa como local de nidificação. A elevada perturbação provocada pelos pescadores à linha durante o fim do inverno e primavera tem impedido a reocupação dos locais de onde desapareceu recentemente.

Falco peregrinus Falcão-peregrino CGV Aquila fasciata águia de Bonelli
Falcão-peregrino Falco peregrinus (® Cristina Girão Vieira). | Águia-de-bonelli Aquila fasciata. 
 

Outra ave residente, que utiliza as concavidades das arribas e ninhos antigos de outras espécies para nidificar, é o falcão-peregrino Falco peregrinus. É uma ave grande e robusta que é possível observar junto às escarpas, cujo voo atinge velocidades de 300 a 600 km/h quando pica sobre uma presa.

Podemos encontrar muitas outras aves residentes nas arribas marítimas entre as quais o peneireiro-comum Falco tinnunculus que se distingue pelo seu comportamento em voo em que permanece no mesmo local batendo as asas rapidamente antes de picar sobre as suas presas, e também o peneireiro-das-torres ou francelho Falco naumanni que nidifica em colónias nas arribas.

Entre os corvídeos destaque para a gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax e a gralha-de-nuca-cinzenta Corvus monedula.

O corvo-marinho-de-crista Phalacrocorax aristotelis distingue-se no seu voo com o pescoço esticado e um rápido batimento de asas.

Falco naumanii Francelho - CCPyrrhocorax pyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho CGV
Casal de francelhos Falco naumanni (® Carlos Carrapato) | Gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax (® Cristina Girão Vieira). 

Uma das espécies mais comuns nesta costa de arribas marítimas é a cegonha-branca Ciconia ciconia. Normalmente, nidifica em árvores ou prédios velhos, mesmo em postes de electricidade mas – em situação única no mundo – é aqui que encontrarmos os seus ninhos alcandorados num aparente equilíbrio periclitante. No entanto, estão bem seguros e firmes, sobre as arribas marítimas ou em rochedos junto à costa: os palheirões. A explicação foi a inexistência local, até algumas décadas atrás, de construções ou árvores altas que oferecessem abrigo face aos predadores. Só os palheirões, verdadeiras ilhotas isoladas no meio do mar, ofereciam a segurança necessária para a criação de uma prole.

Aves migratórias

Não será demais assinalar o magnífico espetáculo a que podemos assistir todos os anos, no início do outono, junto ao cabo de S. Vicente. A chegada pela aurora de milhares de aves migradoras (passeriformes - aves a que vulgarmente chamamos pássaros) recortadas no céu, vindas dos confins do norte da Europa e que daqui partem feita noite estrelada, fazendo-se aos céus mar dentro, rumo às longínquas terras do sul de África. Elas são, entre tantas outras, o pisco-de-peito-azul Luscinia svecica, o papa-moscas-preto Ficedula hypoleuca e o papa-amoras-comum Sylvia communis. Também podemos encontrar aves marinhas e costeiras, em trânsito migratório como o alcatraz Sula bassana e a andorinha-do-mar Sterna hirundo ou aves de rapina como a águia-calçada Hieraaetus pennatus que, contrariamente aos passeriformes, são migradores diurnos e, esporadicamente, mesmo o falcão-da-rainha Falco eleonorae ou o búteo-mourisco Buteo rufinus.

 

Fauna terrestre

De destacar quanto à fauna terrestre, a lontra Lutra lutra que se abriga nas arribas marítimas e barrancos adjacentes e, caso raro na Europa, utiliza o meio marinho para realizar as suas pescarias. Encontramos nesta costa e nas suas áreas limítrofes muitas outras espécies da fauna terrestre, entre os quais o texugo Meles meles, o sacarrabo Herpestes ichneumon e a fuinha Martes foina.

 

Lutra lutra Lontra - CC Meles meles texugo
Lontra Lutra lutra e texugo Meles meles.

Fauna marinha

A natureza diversificada dos fundos e a confluência de distintas massas de água - mediterrânea, atlântica temperada e atlântica tropical - bem como o afloramento de águas profundas contribuem para a presença de elevados níveis de biodiversidade. Fundos rochosos, acidentes geográficos - pequenos ilhotes, baías e cabos, sistemas lagunares e o estuário do Mira suportam habitats adequados em termos de abrigo, alimentação, crescimento e reprodução para muitas espécies marinhas.

A forte componente em fundos rochosos, proporcionando uma maior variedade de habitats, possibilita uma maior diversidade biológica bem traduzida, aliás, na variedade de espécies da flora e fauna marinhas.

Muitas espécies animais estão comercialmente ameaçadas e outras sofrem da baixa qualidade dos seus habitats. Entre as espécies mais vulneráveis destaca-se o mero Epiphenelus marginatus, os cavalos-marinhos (Hippocampus hippocampus e H. guttulatus), peixes migradores como a enguia Anguilla anguilla e sável Alosa alosa, bem como os cabozes - Gobius spp. Parablennius spp. e Lipophrys spp..

Epinephelus marginatus Mero Conger conger Safio
Mero Epiphenelus marginatus | Safio Conger conger.

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