História | Cultura

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Paisagem e património histórico-cultural do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Estátua Infante D. Henrique Sagres CGV
Um olhar que abriu novos mundos ao mundo... (® Cristina Girão Vieira)

Paisagem

Em termos de paisagem trata-se de uma faixa litoral marginada por um planalto costeiro com falésias abruptas e muito recortadas que escondem pequenas praias de areia.

Podem distinguir-se três tipos de paisagem na plataforma litoral, nomeadamente:

  • o setor de Vila Nova de Milfontes, plataforma larga e plana sem entalhes, à exceção do vale do Mira, dominada pelas serras litorais e onde as areias são escassas e descontínuas;
  • o setor de Afrifana, superfície plana recortada com entalhes profundos com areias escassas e descontínuas; e 
  • a plataforma litoral no Algarve meridional.

 

Acrescentem-se troços de arriba baixa, cordões dunares, um infindável cortejo de ilhotas e recifes, a ilha do Pessegueiro, o estuário do Mira, o cabo Sardão, o promontório de Sagres... Os xistos de Arrifana e Odeceixe e os calcários de Sagres contrastam com sistemas dunares tão diversos quanto os de Milfontes ou do Sardão.

Atividades

No que respeita aos aspetos económicos, destaca-se o setor primário, ligado às atividades agrícola e pecuária. Grande parte da área encontra-se ocupada por terrenos agrícolas, maioritariamente por sistemas e culturas tradicionais, com exceção da área ocupada pelo Perímetro de Rega do Mira, onde a disponibilidade de água tem permitido a reconversão e intensificação dos sistemas produtivos.

Património cultural

“Das costas junto ao cabo Sacro, uma é o começo do lado ocidental da Ibéria até à boca do Tagus e a outra é o começo do lado sul até ao outro rio, o Anas e sua embocadura. Ambos os rios vêm do Oriente, mas um desemboca direito até ao Ocidente e é muito maior que o outro, enquanto o Anas se dirige para o sul e limita a região entre os dois rios, a que habitam na sua maior parte os Celtas e alguns Lusitanos que foram trasladados da outra margem do Tagus pelos romanos.” Descrito por Estrabão, eis quanto à situação, esse vértice continental português a que comodamente chamamos “o Sudoeste”
(in a, b, c das áreas protegidas de Portugal)
.

As populações humanas desde cedo tiveram dificuldades em se fixar nesta longa faixa litoral, de terras avessas à agricultura. Do mar podiam retirar parte da sua subsistência e estabelecer contactos com outras gentes, porém, daí, também, surgiam os grandes perigos da parte dos perigosos piratas e corsários. Apesar disso, pequenas comunidades foram-se estabelecendo ao longo da costa, umas na frente oceânica, outras abrigadas num interior próximo, mais fértil e seguro.

Mariscadores do epipaleolítico/mesolítico, com os seus utensílios de pedra; homens e mulheres do neolítico que ergueram megalitos no Promontório Sacro; marinheiros-mercadores do Mediterrâneo, que aqui aportavam; povos vindos do interior que se fixavam em povoados fortificados; industriosos romanos que exploraram os recursos naturais e criaram estruturas portuárias; filhos do Islão, que desenvolveram urbes comerciais junto dos rios navegáveis; pescadores do atum e da sardinha que por aqui montaram as suas armações... Todos por aqui passaram se bem que, tal como noutros trechos do litoral português, de urbanização apenas se possa falar já nos nossos dias.  

Património construído
PNSACV - Ilha do Pessegueiro Farol do cabo Sardão CGV
Ilha do Pessegueiro e farol do cabo Sardão (® Cristina Girão Vieira).


A ilha do PessegueiroRochedo arenítico aflorante junto à costa alentejana, a ilha do Pessegueiro possui vestígios de ocupação que datam da época romana. O forte da costa e o fortim da ilha foram edificados em finais do séc. XVI, em plena época filipina, estando associados ao projeto, não realizado, de construção de um porto oceânico. 

O Forte de Belixe e a fortaleza de Sagres
Erguido sobre arriba instável, o forte de Belixe foi, durante séculos, atalaia defensiva contra piratas e corsários e apoio de rendosa armação de pesca.

A muralha abaluartada de Sagres, por sua vez, é o culminar de sucessivas reconstruções e alterações que se estendem desde a época henriquina atá ao séc. XVIII. Lugar de forte carga mítica, ao imponente cenário juntam-se os elementos, com a sua carga de mistério, da obra humana.

Farol do cabo Sardão
Edificado no início do séc. XX, este farol deve ser, curiosamente, o único edifício português que, por engano, o construtor inverteu 180º.

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