História | Cultura

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Paisagem e património histórico-cultural da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica.

PPAFCC - Estorno Ricardo Guerreiro 710-150 pxl
Litoral (® Ricardo Guerreiro)
 

Paisagem

A paisagem da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica é, no geral, o resultado de uma profunda humanização, apesar de ser também relativamente diversificada, como resultado das características e da resposta que os recursos naturais foram dando ao longo deste ancestral processo de transformação.

Atualmente apresenta diferentes estados de conservação, se considerarmos como referência um equilíbrio necessário entre as componentes ambientais e as humanas. Na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica foram, assim, definidas as seguintes unidades de paisagem:

  • Terras da Costa - definida pelo tipo de uso atual do solo, sendo muito distinto da envolvente e com um papel preponderante no modo de vida da população. Localiza-se na planície entre o cordão dunar, atualmente ocupado com o aglomerado urbano da Costa de Caparica, e a Arriba Fóssil. A origem das e dos rendeiros das Terras da Costa associa-se à necessidade de garantir em terrenos agricultáveis formas de subsistência, para além da pesca, facto que transformou o extenso juncal, anteriormente, existente. Alguns achados arqueológicos, na plataforma litoral, revelam que os primeiros assentamentos humanos nesta zona, ocorreram nos períodos do paleolítico, Neolítico e Calcolítico. No entanto, a fixação de populações na planície litoral apenas ocorreu em finais do século XVIII, com a criação da Costa de Caparica, local de fixação de pescadores vindos de Ílhavo que, compensavam a sazonalidade de atividade piscatória com a agricultura, nas férteis Terras da Costa;
  • Arriba Fóssil e Orla Costeira - caracteriza-se pela estrutura que apresenta, uma sequência de estreitas faixas distintas que, contudo, formam uma unidade homogénea. Assente sobre um substrato arenoso (areias de praia, dunas ou depósitos de vertente) encontra-se a linha de praia, a que se sucede o cordão dunar, uma área de planície que corresponde às dunas interiores e por fim, a arriba. As belas formas de erosão que a arriba apresenta, as suas características geológicas e a extensão fazem-na exemplo ímpar no nosso país. Do ponto de vista geológico, esta arriba, formada por uma sucessão de estratos subhorizontais de rochas sedimentares, de conteúdo fossilífero e origem fluviomarinha, é um interessante testemunho de outras épocas; e
  • Pinhais da Charneca - caracteriza-se sobretudo pelo coberto vegetal predominante, uma mancha contínua de pinhal, sobre solos arenosos (dunas ou Conglomerados de Belverde) levemente ondulados e que se localiza na plataforma superior da arriba. Esta mancha arbórea tem vindo a ser delapidada pela implantação de moradias mais ou menos dispersas. Dentro desta unidade destaca-se a presença de uma área de valor florístico e paisagístico excecional, uma zona de pinhal manso com os vários estratos bem constituídos que se designa por Mata dos Medos, classificada como Reserva Botânica.

 Terras da Costa - MM
Terras da Costa (® Manuela Marcelino).

Atividades

A pesca foi ao longo dos tempos a atividade económica dominante da região, tendo marcado de forma incisiva o espaço social e cultural.

No início do século XX, os pescadores criaram um novo núcleo mais a sul, na Fonte da Telha.

A Arte Xávega é a forma tradicional de pesca empregada, consistindo num grupo de pescadores que num barco a remos lança as redes, para cercar os cardumes, puxando-as para a praia, com a ajuda de bois, técnica que foi trazida para esta região por migrantes da zona de Aveiro.

Nas chamadas Terras da Costa (norte da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica) situa-se uma área agrícola (hortas).

A origem das e dos rendeiros das Terras da Costa associa-se à necessidade de garantir formas de subsistência em terrenos agricultáveis, para além da pesca, facto que transformou o extenso juncal, anteriormente, existente. Alguns achados arqueológicos, na plataforma litoral, revelam que os primeiros assentamentos humanos, nesta zona, ocorreram nos períodos do Paleolítico, Neolítico e Calcolítico. No entanto, a fixação de populações na planície litoral apenas ocorreu em finais do século XVIII, com a criação da Costa de Caparica, local de fixação de pescadores vindos de Ílhavo que, compensavam a sazonalidade de atividade piscatória com a agricultura, nas férteis Terras da Costa.

Nas últimas décadas, o turismo tem-se desenvolvido muito, quer devido à beleza e amenidade das praias quer devido à proximidade a Lisboa.

PPAFCC - Praia e banhistas Cristina Girão Vieira
Banhistas no areal da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (® Cristina Girão Vieira).
 

Património Arquitetónico

O património arquitetónico da zona tem o seu expoente máximo no Convento da Nossa Senhora da Piedade ou dos Capuchos, datado do século XVI (ano de 1558).

Arqueologia

Conhecem-se, maioritariamente, sítios arqueológicos sobre a arriba fóssil, de época Epipaleólítica, contendo peças realizadas com técnica Languedocense. Estas peças constituem artefactos de ocasião usados por comunidades com uma grande mobilidade territorial, para a atividade de recoleção. Os restantes períodos pré-históricos e históricos encontram-se escassamente representados, panorama que revela uma escassa ocupação humana, provavelmente, em virtude das próprias condições físicas de implantação do território.

A época Moderna encontra-se apenas representada pelo achado subaquático de uma moeda em prata na área de Vale da Telha. Não se possui a localização precisa destes achados subaquáticos, o que impossibilita a determinação do seu contexto de origem.

Etnologia

Monumento aos pescadores Caparica Cristina Girão Vieira 350-180 pxl PPAFCC - Barco típico Cristina Girão Vieira
Monumento aos pescadores da Caparica e barco típico (® Cristina Girão Vieira)
 

No que diz respeito ao Património Etnológico/Etnográfico, a área da PPAFCC, encontra-se marcada pelos testemunhos das suas principais atividades económicas, a pesca e a agricultura, desenvolvidas, respetivamente, pelos pescadores da Fonte da Telha e pelos rendeiros das Terras da Costa. As e os pescadores, migrantes de Ílhavo, começaram a fixar-se nesta zona desde muito cedo, porém só a partir de meados da década de trinta o pequeno agregado populacional de pescadores atinge alguma expressão, com a fixação definitiva dos mesmos. Observam-se, ainda hoje, habitações tradicionais como palheiros, barracas de “pau a pique” ou ainda habitações construídas em estorno (planta abundante na zona). Destas primitivas habitações, só restam alguns vestígios, sobrevivem ainda dois exemplares de palheiros, meio degradados, local onde se guardam utensílios de pesca.

A pesca era inicialmente operada com as embarcações “meia-lua”, transportadas pela força humana para o mar, ou deslizando sobre troncos. Estas embarcações eram utilizadas sobretudo na arte Xávega, também designada de “Chinchorro”. Atualmente, assiste-se à emergência de um outro tipo de embarcação designada por “chatas”, com adaptação a motor e rebocadas por tratores.

As principais espécies pescadas são o carapau, a sardinha, o choco, a faneca, a solha, o linguado, o robalo, a lula e o sargo.

No que diz respeito às e aos agricultores é de salientar que esta comunidade surgiu a partir da necessidade das e dos pescadores encontrarem outras fontes de subsistência, nos períodos de escassez de pescado. Por esta altura começavam a agricultar o extenso juncal, zona pantanosa que teve a sua origem entre as dunas e a arriba, por acumulação de águas pluviais e marítimas, que, por altura das marés vivas e tempestades, se acumulavam nas depressões existentes.

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