Fauna
Esquilo-vermelho Sciurus vulgaris;
Os biótopos que constituem esta Área Protegida possibilitam a existência de uma fauna bastante diversificada e a ocorrência de alguns endemismos ibéricos que incrementam o seu valor ecológico.
De entre os biótopos mais relevantes para a fauna destacam-se as florestas de folhosas, as galerias ripícolas, os matos e as áreas agrícolas e de olival.
Estão inventariadas 423 espécies de invertebrados e 117 de vertebrados.
Invertebrados
As espécies de invertebrados dividem-se pelos seguintes grupos taxonómicos:
- 120 espécies de macroinvertebrados aquáticos dos ribeiros da Mata da Margaraça;
- 61 espécies de colêmbolos terrestres; e
- 241 espécies de borboletas.
Destacam-se quatro espécies de invertebrados que se encontram protegidas por documentos estruturantes da política de conservação da natureza, a nível internacional:
- Lucanus cervus [PDF 130 KB] - Anexo B-II da Diretiva Habitats e Convenção de Berna;
- Phillodesma ilicifolia – UICN;
- Euphydryas aurinia [PDF 126 KB] syn Eurodryas aurinia - Anexo B-II da Diretiva Habitats;
- Callimorpha quadripunctaria [PDF 151 KB] syn Euplagia quadripunctaria – espécie prioritária do anexo B-II da Diretiva Habitats.
Vertebrados
De entre os vertebrados, 7 espécies são anfíbios, 11 são répteis, 64 aves e 35 mamíferos.
Salamandra-de-cauda-comprida Chioglossa lusitanica | Chasco-preto Oenanthe leucura (® Cristina Girão Vieira).
Anfíbios
Associados às linhas de água destacam-se 3 endemismos ibéricos, nomeadamente a salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica com o estatuto de Vulnerável, no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, o tritão-de-ventre-laranja Triturus boscai e a rã-ibérica Rana iberica. Estas 3 espécies estão incluídas na Lista Vermelha da UICN, com o estatuto de Quase Ameaçado. Regista-se ainda a presença do sapo-parteiro Alytes obstetricans, incluído no Anexo B-IV da Diretiva Habitats.
Répteis
As 11 espécies de répteis presentes na Paisagem Protegida da Serra do Açor encontram-se todas protegidas pela Convenção de Berna. Destacam-se o lagarto-de-água Lacerta schreiberi, também incluído na Lista Vermelha da UICN e a víbora-cornuda Vipera latastei, incluída no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
Aves
A diversidade de biótopos permite a presença de um grande número de aves. Destacam-se, neste grupo, o tartaranhão-caçador Circus pygargus, que se encontra no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal com o estatuto de “Em Perigo”, e o açor Accipiter gentilis, juntamente com a coruja-do-nabal Asio flammeus e a felosa-das-figueiras Sylvia borin que são apresentados, pelo mesmo documento, como “Vulneráveis”. Refere-se ainda um endemismo ibérico, a felosinha-ibérica Phylloscopus ibericus.
Aqui, habitam também espécies como a coruja-do-mato Strix aluco, o chasco-preto Oenanthe leucura, o búteo ou águia-de-asa-redonda Buteo buteo e o pombo-torcaz Columba palumbus, algumas incluídas no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
Mamíferos
A existência de plantas que produzem sementes e frutos comestíveis possibilita alimento a vários mamíferos, como o javali Sus scrofa. Nove espécies encontram-se incluídas no Anexo III da Convenção de Berna, sendo elas o ouriço-cacheiro Erinaceus europeus, o musaranho-de-dentes-brancos Crocidura russula, a lebre Lepus granatensis, o esquilo-vermelho Sciurus vulgaris, a doninha Mustela nivalis, a fuinha Martes foina, o texugo Meles meles, a geneta Genetta genetta e o sacarrabos Herpestes ichneumon.
Esquilo-vermelho Sciurus vulgaris | Ouriço-cacheiro Erinaceus europeus (® Cristina Girão Vieira).
Nos mamíferos destacam-se os morcegos, por se encontrarem quase todos abrangidos por diversos estatutos de proteção, o que os torna particularmente interessantes do ponto de vista da conservação, estando o morcego-de-bechstein Myotis bechsteinii, considerado como “Em Perigo” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e como “Vulnerável” na Lista Vermelha da UICN.
Referem-se, ainda, três endemismos ibéricos que aqui ocorrem, nomeadamente o musaranho-de-dentes-vermelhos Sorex granarius, a toupeira Talpa occidentalis e o rato-cego Microtus lusitanicus.
U.A.: 2018-10-31
