Flora
Do conjunto de biótopos destacam-se os carvalhais, os povoamentos de espécies de lauráceas - loureiro Laurus nobilis, azereiro Prunus lusitanica subsp. lusitanica e medronheiro Arbutus unedo -, as galerias ribeirinhas e os povoamentos de azevinho Ilex aquifolium. Todavia, podem ser observadas também as comunidades que se desenvolvem sobre substratos rochosos, e também urzais, giestais, soutos, povoamentos de sobreiro e pinhais.
Mata da Margaraça
Trata-se de uma relíquia da floresta de vegetação primitiva nas encostas xistosas do centro do país, sendo de assinalar a presença de um elevado número de espécies e biótopos com interesse cientifico e para a conservação da natureza. Com cerca de 50 ha numa vertente exposta a N-NW, entre os 400 e os 800 m, próxima da aldeia de Pardieiros e de Relva Velha, é uma variante do carvalhal primitivo.
Dominam o estrato arbóreo o carvalho-roble ou alvarinho Quercus robur e o castanheiro Castanea sativa, existindo alguns exemplares muito antigos destas duas espécies. Embora menos abundantes encontram-se outras espécies de folha caduca, tais como aveleiras, ulmeiros, cerejeiras e nogueiras.
Aspeto da Mata da Margaraça (® Sílvia Neves) | Folhado Viburnum tinus (® Cristina Girão Vieira).
Esta mata caracteriza-se pela presença de elementos de cariz mediterrânico, caso do medronheiro Arbutus unedo, do folhado Viburnum tinus e do loureiro Laurus nobilis. A sua flora é muito interessante, encontrando-se aqui o maior número de exemplares de azereiro Prunus lusitanica subsp. lusitanica de toda a sua área de distribuição, sendo a população da Mata da Margaraça a maior atualmente existente. Esta espécie é uma relíquia da floresta laurissilva subtropical do Terciário.
Destaque, ainda, para uma pequena população do raro endemismo ibérico a Veronica micrantha. Entre as espécies herbáceas que passam o inverno na forma de bolbo há espécies interessantes da flora portuguesa, tais como o martagão Lilium martagon, o selo-de-salomão Polygonatum odoratum, um narciso Narcissus triandrus, uma espécie de cardo Eryngium duriaei e duas de orquídeas Cephalanthera longifolia e Orchis mascula.
Martagão Lilium martagon (® AJBArros) | Loureiro Laurus nobilis (® Cristina Girão Vieira).
Mata de Fajão
Azereiro Prunus lusitanica subsp. lusitanica na Mata de Fajão | Fraga da Pena (® Cristina Girão Vieira).
É o segundo maior bosque de azereiro Prunus lusitanica subsp. lusitanica da serra do Açor, com abundância de azinheira Quercus rotundifolia, sobreiro Quercus suber e carvalho-negral Quercus pyrenaica. Apresenta ainda uma grande diversidade a nível de arbustos e ervas.
Algumas espécies relevantes
Até agora, estão referenciadas para a Paisagem Protegida da Serra do Açor 336 espécies da flora.
Analisando o elenco de espécies podem destacar-se, pela sua raridade, um grande número, entre as quais se referem Asplenium adiantum-nigrum var. adiantum-nigrum, Phyllitis scolopendrium subsp. scolopendrium, Clematis vitalba, Hypericum androsaemum, Circaea lutetiana subsp. lutetiana, Sanicula europea, Melica uniflora e Gagea soleirolii.
Salienta-se, também, a presença de 28 endemismos ibéricos de entre os quais se referem Aquilegia vulgaris dichroa, Genista falcata, Eryngium duriaei, Omphalodes nitida, Antirrhinum meonanthum, Linaria saxatilis var. saxatilis, Linaria triornithophora, Veronica micrantha, Luzula sylvatica henriquesii, Festuca paniculata subsp. multispiculata, Festuca summilusitana, Koelaria caudata, Peribalia involucatra, Narcissus triandrus subsp. pallidulus.
Estão presentes algumas espécies endémicas do território nacional como Murbeckiella sousae, Linaria diffusa e Scrophularia grandiflora.
Linaria triornithophora (® Cristina Girão Vieira).
