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História | Cultura

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Paisagem, atividades humanas e património histórico-cultural da Reserva Natural das Berlengas.

Berlenga - Forte de S. João Baptista CGV
Forte de S. João Baptista, vendo-se, à direita, a rocha conhecida como Moby Dick, por se assemelhar a um cachalote (® Cristina Girão Vieira). 
 

Paisagem

A Reserva Natural das Berlengas compreende uma área muito vasta de reserva marinha situada na envolvente do arquipélago.

Arquipélago oceânico composto por numerosas ilhas e rochedos de contorno irregular, com encostas escarpadas, dispostas em três grupos, nomeadamente a Berlenga, as Estelas e os Farilhões-Forcadas.

A ilha da Berlenga é um possante bloco granítico ancorado a poucas milhas da costa, a noroeste do Cabo Carvoeiro. O tempo infligiu-lhe visível corrosão. Os carreiros do Mosteiro e dos Cações estrangulam-na de forma evidente sugerindo a existência de duas ilhas.

O mar envolvente, sempre celebrado pela sua transparência, é habitado por variados peixes, alberga moluscos e crustáceos, bem como numerosas espécies de algas.
 

Património cultural e construído

Berlenga Farol do Duque de Bragança CGV RNB - Forte S João Baptista com mar bravo EM
O farol do Duque de Bragança, implantado no planalto da Berlenga (® Cristina Girão Vieira) e o Forte de São João Batista (® Eduardo Mourato).

Lugar sagrado onde no primeiro milénio antes de Cristo se celebrava o culto de Baal-Melkart, esta ilha de Saturno, assim lhe chamavam os historiadores da antiguidade, encerra pequenas estórias que contribuem para a história de um povo, que se confundem com o imaginário. Dos romanos restam cepos de âncoras perdidas nos fundos do mar e outros vestígios; dos vikings, as histórias dos seus ataques a embarcações comerciais. Vieram os piratas ingleses, vieram os mouros e, novamente, os ingleses. Nos Descobrimentos, foi no mar das Berlengas que capturaram a nau de Garcia Dias, vinda da Índia.

A ilha da Berlenga Grande, ao largo da costa de Peniche, foi ocupada no ano de 1513, por uma comunidade de monges da Ordem de S. Jerónimo que ali fundaram o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga, para auxílio aos náufragos, e que lhes serviu de retiro durante 35 anos. Durante esse período, a tranquilidade e isolamento procurados pelos monges foram muitas vezes violentamente interrompidos pelos ataques dos corsários, que saqueavam o convento e capturavam os monges para com eles abastecerem o mercado de escravos do norte de África, facto que acabou por afastar os frades do arquipélago. Depois do abandono, o mosteiro da Berlenga caiu em ruínas, dele restando apenas alguns muros e pedras soltas. No seu lugar, perto do cais, foi construído o atual Restaurante Mar e Sol.

Sendo a ilha, pela sua localização, um excelente posto de defesa do território português, em meados do século XVII, D. João IV ordenou a edificação de uma fortaleza na ilha, com o objetivo de reforçar a defesa da cidadela de Peniche.Foi então edificado o Forte de São João Batista, sobre um ilhéu junto à enseada da ilha e a ela ligado por uma ponte de alvenaria. O projeto da fortaleza é atribuído ao engenheiro Mateus do Couto.  A Fortaleza S. João Batista viria a ser palco de batalhas, das quais se celebrizou o ataque do castelhano Diogo Ibarra que tinha por objetivo raptar a rainha D. Maria Francisca de Saboia na sua chegada a Portugal, à época do seu casamento com D. Afonso VI.. Atacado e bombardeado durante dois dias, acabou o forte por ser tomado pelos castelhanos. A guarnição portuguesa, que resistiu mais do que humanamente parecia possível, era comandada pelo Cabo Avelar Pessoa. Estava-se no ano de 1666. Depois deste ataque o rei mandou reparar a fortaleza, aumentando o poder de fogo da mesma, como atesta a inscrição na porta de armas.

Durante as Invasões Francesas, serviu de base a tropas inglesas, tendo sido posteriormente pilhada pelos franceses. Em 1821, D. João VI ordenava um novo restauro da fortaleza, mandando reedificar a capela, anos antes queimada pelas tropas napoleónicas. Foi ainda utilizada durante as Guerras Liberais, servindo de base às tropas de D. Pedro para a conquista da fortaleza de Peniche, ocupada por forças miguelistas. Catorze anos depois foi desartilhada, o que levou ao seu gradual abandono. Assim, ao longo de quase dois séculos, este forte esteve envolvido em diversas estratégias militares, até que, em 1847, acabou por ser abandonado. Na década de 50 do séc. XX, a Fortaleza de São João Batista foi restaurada pela então Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais para uma posterior adaptação do espaço a pousada, servindo de abrigo a quem aí deseje pernoitar.

A fortaleza possui planta octogonal irregular, adaptada à morfologia do ilhéu onde está implantada, cujos alçados virados ao mar se encontram rasgados por canhoeiras, dispostas a intervalos regulares. No interior da praça foram edificadas diversas construções de planta retangular, no centro do forte e adossadas a dois dos alçados. O portal, de moldura rusticada, possui lápide no tímpano com inscrição, sendo encimado por frontão de aletas interrompido por escudo coroado. As fachadas principal e lateral são rasgadas por dois registos de janela de moldura redonda. Adossadas às muralhas exteriores foram edificadas as antigas casamatas e o paiol.

No ponto mais alto da ilha ergue-se o farol do Duque de Bragança ou farol da Berlenga, construído em 1840. Alimentado de início por combustíveis líquidos. primeiro azeite e depois petróleo, foi eletrificado em 1926. Desde 1985 que é automático e, a partir de 2001, funciona com energia solar. O farol ainda mantém a presença de faroleiros. Em boas condições atmosféricas, a sua luz é visível a grande distância.

Pescadores foram e são uma presença constante no arquipélago das Berlengas. Inicialmente, abrigavam-se nas grutas naturais, mas hoje habitam, sazonalmente, as casas situadas no Bairro dos Pescadores, na encosta sul da Ilha Velha. 

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