Flora

Flora
Flora da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto.
Vegetação dunar Cristina Girão Vieira
Vegetação dunar, com Estorno, à esquerda, e Cordeirinhos-da-praia, à direita (® Cristina Girão Vieira).
 
Na Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, da praia em direção à ria, observam-se diversas situações no que diz respeito à flora e à vegetação. Há uma faixa de vegetação natural bem conservada na zona das dunas, mas existe também uma zona de mata, instalada e profundamente alterada pela ação humana. Pode dizer-se que, na distribuição da vegetação, a área da Reserva divide-se em duas grandes manchas:
  • comunidades dunares; e
  • comunidades florestais.

 

Comunidades dunares

Na zona da duna primária, que sofre a ação direta do mar, e à qual não é permitido o acesso, pois o pisoteio mata a vegetação  que sustém as areias e protege a costa do avanço do mar, torna-se visível a vegetação própria das areias litorais. Podem ser observadas a partir do passadiço espécies espontâneas características desse meio, tais como o estorno Ammophila arenaria, cordeiros-da-praia Otanthus maritimus, couve-marítima Calystegia soldanella, cardo-marítimo Eryngium maritimum, eruca-marítima Cakile maritima, narciso-das-areias Pancratium maritimum, madorneira Artemisia campestris, morganheira-das-praias Euphorbia paralias e granza-da-praia Crucianella maritima.

Cakile maritima Eruca-marítima Cristina Girão Vieira (1) Pancratium maritimum Narciso-das-areias Cristina Girão Vieira (12)
Eruca-marítima Cakile maritima e o narciso-das-areias Pancratium maritimum (® Cristina Girão Vieira).

O estádio pioneiro da vegetação dunar na Reserva está representado pelas Associações Honkenyo - Euphorbietum peplis e Euphorbio-Agropyretum junceiformis; estas ocupam o setor da praia alta, mais próximo da sua frente e da influência do mar e estão em equilíbrio com a dinâmica sedimentar, as elevadas salinidades do solo, do ar e do vento.

O segundo estádio da sucessão vegetal está representado pela Associação Otantho-Ammophiletum australis; ocupa as cristas das ondulações da duna branca, e encontra-se em equilíbrio com uma menor velocidade do vento, menor salinidade do solo e do ar.

A Associação Iberidetum procumbentis constitui o terceiro estádio da sucessão natural, ocupa as áreas quentes e secas da duna cinzenta; em relação aos estádios anteriores, esta Associação está em equilíbrio com uma etapa mais evoluída do solo (maior espessura, quantidade de matéria orgânica e riqueza em elementos nutritivos), com a estabilidade das areias, a menor salinidade do solo e do ar, e a menor velocidade do vento. Nas depressões interdunares húmidas, a etapa madura é constituída por uma comunidade de salgueiros Salix atrocinerea e Salix arenaria. É uma comunidade em equilíbrio, com a toalha freática próxima da superfície. O solo corresponde à etapa mais desenvolvida do ecossistema. Nas depressões húmidas da duna cinzenta, as comunidades vegetais que acompanham a comunidade de salgueiros são marcadas pelas Associações Galio-Juncetum maritimi (ocupa as áreas mais húmidas) e Holoschoeno-Juncetum maritimi (em equilíbrio com menor quantidade de água no solo). Nas áreas mais secas da duna cinzenta, o estádio evolutivo que se segue, é marcado pela Associação Rubio-Coremetum albi, que constitui a orla barlamar da mata. Trata-se de uma Associação endémica das costas atlânticas da Península Ibérica, que, muitas vezes, faz parte de séries da vegetação dunar litoral, constituindo um estádio muito próximo das etapas maduras. 

O último estádio na sucessão, nas áreas secas da duna cinzenta, é marcado pela Associação Stauracantho-Coremetum albi com estrato arbóreo de pinheiro-bravo Pinus pinaster

Comunidades florestais
RNDSJ - Mata - Lísia Lopes RNDSJ - Mata (4)
Alguns aspetos da mata (® Lísia Lopes).

A presença das comunidades florestais, arbóreas e arbustivas, inicia-se na duna secundária e estende-se até à ria. Dominada por uma mata de pinheiro-bravo Pinus pinaster, podem encontrar-se pequenas manchas de folhosas e resinosas autóctones. Assim, no estrato arbóreo das áreas florestadas, verifica-se a presença de pinheiro-bravo e, mais raramente, pinheiro-manso Pinus pinea. Nas áreas ocupadas por folhosas, o estrato arbóreo é composto por choupo-negro Populus nigra, amieiro Alnus glutinosa, salgueiro-preto Salix atrocinerea e salgueiro-anão Salix arenaria. Estas espécies de folhosas surgem nas zonas mais baixas, em que se verifica acumulação frequente de água, samouco Myrica faya e medronheiro Arbutus unedo. O eucalipto Eucalyptus globulus é apenas residual no interior da Reserva e as várias espécies de acácias Acacia spp, que são espécies exóticas invasoras, encontram-se disseminadas por toda a Reserva.

Acacia longifolia Acácia-de-espigas Cristina Girão Vieira Cortaderia selloana Erva-das-pampas Penachos - Cristina Girão Vieira
Acácia-de-espigas Acacia longifolia com vagens e erva-das-pampas ou penachos em floração, ambas espécies invasoras (® Cristina Girão Vieira).

A nível do estrato arbustivo, nota-se a presença da camarinheira Corema album, sendo de referir que esta surge, principalmente, nas zonas da mata mais próximas do sistema dunar, murta Myrtus communis, lentisco-bastardo Phillyrea angustifolia, tojo Ulex europaeus, sanganho-mouro Cistus salvifolius, sanganho Cistus psilosepalus, folhado Viburnum tinus, sabina-das-praias Juniperus turbinata, rosmaninho Lavandula stoechas, gilbardeira Ruscus aculeatus e giesteira-das-sebes Cytisus spp..  

Viburnum tinus Folhado Cristina Girão Vieira Juniperus turbinata Sabina-das-praias -Cristina Girão Vieira
Folhado Viburnum tinus e sabina-das-praias Juniperus turbinata (® Cristina Girão Vieira).

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