Habitats
Vegetação dunar (® Lísia Lopes).
As dunas são acumulações de areias consolidadas por vegetação natural e constituem a transição entre a terra e o mar. Formam uma barreira natural que nos protege da intensidade do vento, do avanço das areias e do próprio mar.
Partindo do mar para o interior, as condições hostis à fxação das plantas determinam pelo menos quatro zonas diferentes de vegetação.
As areias da praia
Dominadas pelo feno-das-areias Elymus farctus subsp. boreal atlanticus. as areias da praia apresentam poucas plantas, uma vez que têm de ser espécies tolerantes à submersão e salinidade das águas.
Areias da praia e duna primária ou branca (® Lísia Lopes).
Duna primária ou branca
Elevação onde se verifica um aumento de composição florística, sendo o estorno Ammophila arenaria a espécie dominante, responsável pela fixação das areias. Desenvolve um sistema radicular de rizomas que se cruzam facilitando o crescimento até à superfície em caso de soterramento.
Outras espécies pioneiras vivem associadas, tais como a morganheira-da-praia Euphorbia paralias, a granza-marítima Crucianella maritima; os cordeirinhos-da-praia Otanthus maritimus e a couve marinha Calystegia soldanella.
Zona interdunar
Zona deprimida e aplanada, entre as várias elevações da duna primária e a duna secundária, definitivamente fixada, abrigada da ação dos ventos e do mar, com boas condições para o crescimento e desenvolvimento de diversas plantas. Para além das já referidas, encontramos a madorneira Artemisia campestris subsp.maritima, a perpétua-das-areias Helichrysum italicum subsp. picardii, o cardo-marítimo Eryngium maritimum, a camarinheira Corema album e o pinheiro-bravo Pinus pinaster.
Zona interdunar e o cardo-marítimo Eryngium maritimum.
Duna secundária ou cinzenta
Vegetação arbórea na duna secundária, vendo-se os pinheiros deitados, devido à ação do vento.
Zona com várias depressões e elevações com árvores e arbustos. Mais perto do mar, as plantas aparecem com o porte alterado, devido aos ventos marítimos que ali se fazem sentir.
Nas zonas mais elevadas e, portanto, mais secas, domina o pinheiro-bravo Pinus pinaster e o samouco Myrica faya, introduzidos no final do século XIX para fixação das areias.
Nas zonas mais baixas e húmidas surgem as espécies ripícolas, como o salgueiro Salix atrocinerea, o choupo Populus nigra, o amieiro Alnus glutinosa, a sabina-das-areias Juniperus turbinata, o samouco Myrica faya e o salgueiro-anão Salix arenaria.
Nos charcos, valas de drenagem ou áreas encharcadas surgem espécies espontâneas típicas de zonas húmidas, das quais se destacam, o caniço Phragmites australis, o junco Juncus spp., a tabúa-larga Typha latifolia e o salgueiro-anão Salix arenaria.
Aspetos da mata implantada na duna secundária ou cinzenta.
