Fauna

Fauna
Fauna da Reserva Natural do Estuário do Sado.

 

 
Tursiops truncatus Roaz-corvineiro CGV
Roazes-corvineiro Tursiops truncatus no estuário do Sado (® Cristina Girão Vieira).


Na Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES) estão registadas 261 espécies de vertebrados, das quais 8 são anfíbios, 11 são répteis, 211 são aves e 31 são mamíferos. Na RNES, cerca de 9.500 ha são constituídos por zonas húmidas marginais convertidas para a salinicultura, para piscicultura e para a orizicultura, por áreas terrestres e pequenos cursos de água doce.

A zona estuarina do Sado constitui, na prática, um verdadeiro "viveiro" ou zona de crescimento para inúmeras espécies de peixes, tendo sido já identificadas 100 espécies, e de moluscos, com grande interesse biológico e comercial. Face à sua riqueza biológica o estuário do Sado constitui ainda uma região de grande importância para o roaz-corvineiro Tursiops truncatus também conhecido localmente por "golfinho do Sado", onde se regista uma comunidade de cerca de 27 animais.

 

É, no entanto, pela importância que tem para as aves aquáticas que a Reserva goza de estatutos internacionais de proteção, nomeadamente de zona de proteção especial, ao abrigo da Diretiva 79/409/CEE (revogada pela Diretiva 2009/147/CE - Diretiva Aves), de Área Importante para as Aves Europeias, designação da Comissão Europeia, e de Sítio Ramsar, ao abrigo da Convenção de Ramsar, e a classificação de Biótopo CORINE C14100013, ao abrigo do programa CORINE 857338/CEE.

Anas platyrhynchos Pato-real e crias CGV Anas clypeata Pato-trombeteiro casal CGV
Pata-real Anas platyrhynchos seguida pelas crias e um casal de pato-trombeteiro Anas clypeata em plumagem nupcial, com a fêmea atrás (® Cristina Girão Vieira).

O estuário do Sado encontra-se entre as três principais zonas húmidas portuguesas com importância para as aves aquáticas,  Anatídeos, Galeirões e Limícolas, tendo-se mesmo verificado na última década um gradual crescimento da comunidade destas aves. Podemos destacar as populações de merganso-de-poupa Mergus serrator, de pato-trombeteiro Anas clypeata, de pato-real Anas platyrhynchos, de galeirão Fulica atra, de ostraceiro Haematopus ostralegus, de alfaiate Recurvirostra avosetta, de pernilongo Himantopus himantopus, de tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola, de maçarico-real Numenius arquata, de rola-do-mar Arenaria interpres e de pilrito-comum ou de peito-preto Calidris alpina

Arenaria interpres Rola-do-mar CGV Calidris alpina Pilrito-de-peito-preto (1) CGV
Rola-do-mar Arenaria interpres e pilrito-comum ou de peito-preto Calidris alpina em plumagem nupcial.(® Cristina Girão Vieira).

Relativamente a outras espécies há a considerar as expressivas populações de corvo-marinho-de-faces-brancas Phalacrocorax carbo durante o período da invernada, de tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou águia-sapeira Circus aeruginosus durante o mesmo período e nidificação, de flamingo Phoenicopterus roseus durante a invernada, de garça-boieira Bubulcus ibis, de garça-branca Egretta garzetta e de garça-real Ardea cinerea.

Numenius phaeopus Maçarico-galego CGV Circus aeruginosus Tartaranhão-ruivo-dos-pauis macho voo CGV
Maçarico-galego Numenius phaeopus, uma das maiores limícolas do nosso país, e macho de tartaranhão-ruivo-dos-pauis Circus aeruginosus (® Cristina Girão Vieira)

Na Reserva, e no que diz respeito aos mamíferos, podemos encontrar a lontra Lutra lutra, o morcego-negro Barbastella barbastellus, o rato-de-cabrera Microtus cabrerae, o gato-bravo Felis silvestris, o toirão Mustela putorius, o sacarrabos Herpestres ichneumeon, a geneta Genetta genetta, o texugo Meles meles e a raposa Vulpes vulpes, entre outros.

Dos anfíbios e répteis há a destacar, o cágado-mediterrânico Mauremys leprosa, a cobra-de-água-viperina Natrix maura, a cobra-de-água-de-colar Natrix natrix, a rã-de-focinho pontiagudo Discloglossus galganoi, o sapo Bufo bufo, o sapo-corredor Bufo calamita, o tritão-marmoreado Triturus marmoratus e a rela Hyla arborea, entre outros.

O estuário do Sado é o segundo maior estuário português e um dos maiores da Europa. Os trabalhos sobre a ictiofauna deste sistema estuarino são essencialmente devidos a Sobral (1981), Amorim (1982) e Lopes da Cunha (1994), tendo sido inventariadas cerca de 100 espécies de peixes.

Para além da riqueza específica, o Estuário do Sado apresenta ainda particularidades interessantes, nomeadamente, a grande diversidade de habitats que engloba (e.g. zonas de macrófitas marinhas, ostreiras, plataformas intertidais de vasa), as características predominantemente marinhas, que se fazem sentir numa grande parte da sua área, e a sua localização geográfica, permitindo que ocorram, simultaneamente, espécies com afinidades Norte-Atlânticas e espécies da região Mediterrânica.

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