Fauna

Fauna
Fauna da Reserva Natural do Estuário do Tejo.

RNET - Alfaiate Recurvirostra avosetta CGV (1)
Alfaiate Recurvirostra avosetta (® Cristina Girão Vieira), o símbolo da Reserva Natural.

 


No estuário do Tejo e áreas terrestres adjacentes incluídas na Zona de Proteção Especial, no âmbito da Rede Natura, ocorrem 35 espécies de mamíferos, 194 espécies de aves com presença regular (aquáticas, estepárias e de floresta - 46 das quais encontram-se incluídas no anexo I da Diretiva 2009/147/CE), além de 9 espécies de répteis e 11 de anfíbios. Existem referências relativamente à ocorrência de 101 espécies de peixes no estuário, mas o número de espécies com presença regular não ultrapassará as 40.

É a avifauna aquática migradora que atribui ao estuário do Tejo o estatuto de mais importante zona húmida do País e uma das mais importantes do Paleártico Ocidental. Aqui ocorrem com regularidade cerca de 100.000 aves invernantes, ultrapassando o valor de 120.000 aves nos períodos de passagem migratória. O estuário acolhe, em média, cerca de 54% das limícolas, 30% dos anatídeos e 4% dos ardeídeos invernantes recenseados em Portugal.

Pluvialis squatarola Tarambola-cinzenta Anas crecca Marrequinha macho (2) CGV
Tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola e marrequinha Anas crecca macho em plumagem nupcial (2ª foto ® Cristina Girão Vieira). 

Alberga mais de 1% da população regional de 14 espécies, sendo por isso local de importância internacional para a sua preservação durante as épocas de:

  • Invernada (% máxima de indivíduos em janeiro em relação ao total europeu - ano de censo):

Alfaiate Recurvirostra avosetta (20,1% - 1989);
Maçarico-de-bico-direito ou milherango Limosa limosa (11,8% - 1992);
Tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola (5,4% - 1987);  
Pato-trombeteiro Anas clypeata (2,3% - 1991);
Perna-vermelha Tringa totanus (2,1% - 1988);
Garça-branca-pequena Egretta garzetta (2% - 1992);
Ganso-comum Anser anser (1,4% - 1991);
Marrequinha Anas crecca (1,4% - 1991);
Pilrito-comum Calidris alpina (1,2% - 1987); e
Piadeira Anas penelope (c.a.1% - 1992);

Anas clypeata Pato-trombeteiro casal CGV Tringa totanus Perna-vermelha CGV
Pato-trombeteiro Anas clypeata casal e perna-vermelha Tringa totanus (® Cristina Girão Vieira)

  • Reprodução (% de casais em relação ao total europeu - ano de censo):

Garça-vermelha ou imperial Ardea purpurea (2% - 1991);
Pernilongo Himantopus himantopus (5% - 1990); e
Perdiz-do-mar Glareola pratincola (>4% - 1992).

Glareola pratincola Perdiz-do-mar (1) Ardea purpurea Garça-vermelha voo CGV
Perdiz-do-mar Glareola pratincola e garça-imperial ou vermelha Ardea purpurea (2ª foto ® Cristina Girão Vieira).  

  • Passagem (% mensal-mês/ano de censo):

Flamingo Phoenicopterus roseus (>1%  jun.-nov./ vários); e
Maçarico-de-bico-direito Limosa limosa (20,5%-fev./1992).

Phoenicopterus roseus Flamingos em voo CGVLimosa limosa Milherango CGV
Flamingos Phoenicopterus roseus em voo e maçarico-de-bico-direito ou milherango Limosa limosa (® Cristina Girão Vieira). 

A população invernante de sisão Tetrax tetrax, tem bastante significado a nível nacional, tendo quase atingido 1% da população invernante na Europa. A Reserva parece ainda suportar 40 a 50% da população reprodutora nacional de tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou águia-sapeira Circus aeroginosus.

Os estuários são importantes para a manutenção dos stocks de pescado costeiros e este não é exceção. Constitui zona de nursery (i.e. zona onde as larvas e juvenis dos peixes se desenvolvem) preferencial para o robalo Dicentrarchus labrax e para os linguados Solea solea e S. senegalensis, ocorrendo ainda outras 16 espécies que o utilizam nessa função (apesar de não preferencial). Apresenta condições para a desova e crescimento de espécies como a corvina Argyrosomus regius e efetivos da população costeira do biqueirão ou anchova Engraulis encrasicolus.

Alberga populações de espécies residentes de importância comercial como o charroco Halobatrachus didactylus e o biqueirão Engraulis encrasicolus, sendo no entanto o pequeno caboz-d’areia Pomatoschistus minutus a espécie mais numerosa.

É zona de transição importante para peixes diádromos (ie. que migram para desovar) onde se incluem a lampreia-do-mar Petromyzon marinus, a lampreia-do-rio Lampetra fluviatilis, o sável Alosa alosa e a savelha Alosa fallax, assim como a enguia Anguilla anguilla. Há 2 espécies de água doce que podem também ocorrer na parte superior do estuário. O seu troço terminal é local privilegiado de alimentação de espécies marinhas costeiras, havendo registo de um total de cerca de 60 espécies ao longo dos tempos, como a carta-imperial Arnoglossus imperialis, o peixe-rei Atherina presbiter, o rodovalho Scophthalmus rombus ou a raia-lenga Raja clavata e a raia-curva Raja undulata.

A riqueza deste estuário é preservada graças à manutenção das zonas entre marés. A matéria vegetal em decomposição, maioritariamente produzida pelo sapal, e as microalgas que se desenvolvem à superfície dos substratos são consumidas por inúmeros seres bentónicos (invertebrados e pequenos peixes). Eles constituem, por sua vez, a base alimentar de peixes, na maré cheia, e de aves, na maré vazia. Várias dessas espécies desempenham um papel fundamental nas cadeias alimentares estuarinas. É o caso da minhoca Hediste diversicolor, da hidróbia Peringia ulvae, da lambujinha Srobicularia plana, do isópode Cyathura carinata, do anfípode Melita palmata, da camarinha Palaemonetes varians, do camarão-mouro Cangron cangron, do caranguejo-verde Carcinus maenas e do caboz-da-areia Pomatoschistus minutus.

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