Habitats
O maior estuário português e zona húmida de importância internacional (® Cristina Girão Vieira)
Nota: os habitats prioritários estão assinalados com *.
Estuário
O corpo central de águas estuarinas, permanentemente submerso, é zona importante para a manutenção dos stocks de pescado costeiros, nomeadamente por representar uma zona de nursery de alguns peixes como o robalo Dicentrarchus labrax e os linguados Solea solea e S. senegalensis. Apresenta ainda condições para a desova e crescimento de espécies como a corvina Argyrosomus regius e efetivos da população costeira do biqueirão ou anchova Engraulis encrasicolus. É zona de transição para peixes diádromos onde se incluem a lampreia-do-mar Petromyzon marinus, a lampreia-do-rio Lampetra fluviatilis, o sável Alosa alosa e a savelha Alosa fallax, assim como a enguia Anguilla anguilla.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats:
Campos de vasa
Vasa no Sítio das Hortas.
As grandes extensões de lama, sujeitas à ação das marés, sãoformadas pelo depósito de finíssimas partículas em suspensão transportadas pelas águas. Albergam vários macroinvertebrados bentónicos, sendo as espécies mais comuns o poliqueta Nereis diversicolor, o bivalve Scrobicularia plana, o gastrópode Hydrobia ulvae e o isópode Cyathura carinata. Este consumidores primários que consomem algas microscópicas e de partículas de plantas e animais em decomposição, servem, por sua vez, de alimento aos peixes, na maré-cheia, e às aves, na maré vazia. O suporte alimentar que este habitat proporciona aos milhares de aves limícolas fundamenta o valor do estuário com santuário da vida selvagem.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats:
Sapal
O sapal: um dos ecossistemas mais produtivos.
A partir de determinada cota, as zonas de vasa estuarina são colonizadas por vegetação halófila, própria de terrenos salgados, formando o sapal. Longe da uniformidade que apresenta ao olhar, é colonizado por várias espécies vegetais e sulcado por inúmeros canais e esteiros formados devido ao incessante avanço e recuo das marés. Os sapais são habitat natural de várias espécies de peixes, aves migradoras e de micromamíferos (musaranhos, ratos e ratazanas). Apresentam grande abundância de crustáceos constituindo nichos ecológicos de desenvolvimento de diversas formas larvares. Os anatídeos, particularmente a marrequinha Anas crecca, o ganso-bravo Anser anser e a piadeira Anas penelope, utilizam essencialmente a vegetação de sapal como fonte alimentar.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats:
Caniçal
Caniçal (® Cristina Girão Vieira).
As manchas de caniço Phragmites australis, também denominadas de caniçais, desenvolvem-se nas zonas superiores do estuário onde a salinidade das águas é baixa. Constituem um biótopo que se reveste de grande importância para a conservação de algumas espécies de aves, nomeadamente os rouxinóis-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus e A. arundinaceus, a cigarrinha-ruiva Locustella luscinioides, a garça-vermelha Ardea purpurea, o garçote Ixobrichus minutus e o tartaranhão-ruivo-dos-pauis ou águia-sapeira Circus aeruginosus que os utilizam preferencialmente como local de nidificação.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats
Salinas
O sal
As salinas são estruturas físicas concebidas e concretizadas no terreno para a obtenção de sal. A disposição e sequência dos vários tanques de diferente profundidade que se compõem e por onde vai transitando a água salgada proveniente do estuário, concentrando os vários sais dissolvidos e depositando-os depois, seletivamente, proporciona o aparecimento de algumas espécies de peixes e camarões Palaemonetes varians no primeiro tanque, também chamado de reservatório ou viveiro, e de larvas de insetos, pequenos coleópteros, pequenos crustáceos com a artémia Artemia spp. nos demais tanques sobretudo nos cristalizadores. Esta disponibilidade alimentar e a condição de áreas abrigadas, decorrente da sua localização em antigas zonas de sapal, conduziram à sua eleição como habitat de refúgio e alimentação durante o inverno, na maré-alta, para várias espécies. No período de primavera/verão, funcionam como local privilegiado de nidificação de limícolas.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats:
Lezíria
Gado-bravo pastando na lezíria...
A Lezíria é uma planura resultante de áreas conquistadas ao leito do estuário, formadas pelos aluviões que aí se foram depositando ao longo de séculos. O conjunto é protegido pela ação das marés e das cheias por um sistema de taludes e comportas que, associado a uma vasta rede de canais de escoamento de diversas dimensões, permite minorar o alagamento dos terrenos durante o período mais chuvoso. O sisão Tetrax tetrax é a mais representativa das aves estepárias presentes na lezíria, onde, além de uma população invernante possui outra, menos numerosa, nidificante. Esta espécie consome, essencialmente, as partes vegetativas das plantas da lezíria e invertebrados. Outras espécies características que aqui também se alimentam são o peneireiro-cinzento Elanus caeruleus e o ganso-comum Anser anser.
Habitats naturais do Anexo I da Diretiva Habitats:
31 Águas paradas
3160 [PDF 208 KB] Lagos e charcos distróficos naturais
3170 [PDF 296 KB] Charcos temporários mediterrânicos *
