Flora

Flora
Flora da Reserva Natural do Paul de Arzila.

RNPA - Nymphaea alba nenúfarNenúfar em flor Nymphaea alba.

A riqueza florística da Reserva Natural do Paul de Arzila evidencia-se no seu extenso elenco de espécies, que atinge mais de trezentas plantas. Este elevado número encontra paralelo na sua diversidade, pois, pela sua situação geográfica e características climáticas e edáficas, esta área apresenta espécies xerófilas e espécies higrófilas, além de, em termos mais latos, surgir uma ecotonia entre as Regiões Mediterrânica e Eurossiberiana, com a presença de espécies próprias de cada uma delas.

Encontramos assim, um tanto inesperadamente, a aveleira Corylus avellana, o carvalho-alvarinho Quercus robur, o feto-real Osmunda regalis e até o raro selo-de-Salomão Polygonatum odoratum em locais húmidos e sombrios, enquanto que nas áreas mais secas e quentes se podem encontrar o carvalho-cerquinho Quercus faginea, o sobreiro Quercus suber, o rosmaninho Lavandula stoechas e as estevas Cistus spp.. 

Corylus avellana Aveleira fêmea CGV Osmunda regalis Feto-real CGV
Aveleira fêmea Corylus avellana, e feto-real Osmunda regalis, com as suas grandes frondes (® Cristina Girão Vieira).

Existem também alguns endemismos, tais como a agrimónia-bastarda Sanguisorba hybrida, o rosmaninho Lavandula stoechas e o Galium broterianum.

Vegetação

A principal característica duma paisagem vegetal, é a disposição dos ecossistemas em função dum gradiente ecológico como o solo ou o clima. Com esta base, dividem-se as Séries de Vegetação em Séries climatófilas e Séries edafófilas; as primeiras dizem respeito às comunidades climácicas e respetivas etapas de substituição, pertencentes a regiões vastas, homogéneas do ponto de vista climático; as segundas referem-se, também, a comunidades climácicas, mas de territórios mais pequenos, e cujo clímax se relaciona com diversos fatores edáficos, como a natureza do substrato, o nível do lençol freático e o teor em sais, a que acresce, em Zonas Húmidas abertas, a velocidade de escoamento.

Quanto à vegetação, a Reserva Natural apresenta uma paisagem vegetal diversificada, englobando várias Séries de Vegetação, tanto climatófilas como edafófilas. Assim, as comunidades vegetais existentes vão desde as Classes Quercetea Ilicis (onde se englobam os sobreiros) e Cisto-Lavanduletea (matos com estevas e rosmaninho), xéricas e heliófilas, às Classes Potametea (comunidades com nenúfares) e Artemisietea vulgaris (vegetação nitrófila, vivaz, com ervas altas e trepadeiras), higrófilas e por vezes ciáfilas. O grande destaque vai para as formações aluvionares e ripícolas, como a Associação Ficario-Fraxinetum angustifoliae (com freixo-de-folha-estreita, ulmeiro e salgueiro-preto) e, principalmente, para a Associação Galio-Alnetum glutinosae (bosque de amieiros e salgueiros com presença de feto-real e de Galium broterianum) consideradas “extremamente raras no nosso país, encontrando-se as pouquíssimas existentes muito alteradas” (Alves et al., 1998) apresentando-se esta última em excelente estado de conservação.

A vegetação paludícola – aquática, heliófita e anfíbia – encontra-se representada por diversas Associações de que destacamos a Lemnetum minoris (comunidade de lentilhas-de-água) que surge nomeadamente nas valas e charcos e a Myriophyllum-Nupharetum (comunidade com erva-pinheirinha - uma invasora - e nenúfares), fragmentária nas valas e completa nos lagos do paul, indicadora da qualidade da água, e principalmente as Associações Scirpo-Phragmitetum (comunidade de caniço e bunho) e Typho-Scirpetum (comunidade de bunho e tabúa) que ocupam quase todo o paul (nomeadamente a primeira, sendo a sua distribuição determinada pela profundidade e qualidade da água).

De uma forma mais simplista, a área da Reserva pode ser dividida em duas zonas distintas, nomeadamente, a florestada e a paludosa.

Zona florestada

Crataegus monogyna Pilriteiro com frutos CGV Quercus robur Carvalho-roble ou alvarinho CGV
Frutos do pilriteiro Crataegus monogyna e bolotas de carvalho-alvarinho Quercus robur (® Cristina Girão Vieira).

A zona florestada ocupa grande parte das encostas que ladeiam o paul. É composta principalmente por pinheiro-bravo Pinus pinaster, eucalipto-glóbulo Eucalyptus globulus, sobreiro Quercus suber e carvalho-cerquinho Quercus faginea, este constituindo também uma mancha quase estreme, e ainda o carvalho-alvarinho Quercus robur. No sub-bosque, encontra-se com frequência o medronheiro Arbutus unedo, o pilriteiro ou espinheiro-alvar Crataegus monogyna, o sabugueiro Sambucus nigra, o loureiro Laurus nobilis, a gilbardeira Ruscus aculeatus, diversas espécies de tojos Ulex spp., urzes Erica spp., estevas Cistus spp. e trepadeiras. Os estratos herbáceo e muscinal (i.e. de musgos) são igualmente ricos.

Zona paludosa

RNPA - tabuas Typha spp
O vento levando, levemente, as minúsculas sementes das tabuas Typha spp.

A zona paludosa ocupa o fundo do vale e é constituída principalmente por caniço Phragmites australis, bunho Scirpus lacustris, tabuas Typha spp., juncos Juncus spp. e grande quantidade de espécies herbáceas. Ainda nesta zona ocorrem formações arbóreas e arbustivas, compostas por maciços de salgueiro-preto Salix atrocinerea, bosquetes de amieiros Alnus glutinosa e exemplares, algo dispersos, de freixo-nacional Fraxinus angustifolia, ulmeiros Ulmus spp., choupo-negro Populus nigra e outros salgueiros Salix spp.

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