Flora

Flora
Flora da Reserva Natural do Paul do Boquilobo.

RNPB - vegetação CGVVegetação (® Cristina Girão Vieira).

Na reserva Natural do Paul do Boquilobo foram identificadas 317 espécies, verificando-se que a maioria está bem adaptada à falta de arejamento do solo, característica de zonas húmidas.

As espécies inventariadas são, de um modo geral, pouco notáveis embora seja de destacar a recente descoberta de uma população de Narcissus fernandesii, um endemismo ibérico, considerado ameaçado, sendo atualmente o maior núcleo dentro duma Área Protegida e o segundo maior de todo o território nacional. Outras espécies a destacar, incluídas no Livro Vermelho das Plantas de Portugal, são a borrazeira-branca Salix salvifolia ssp. australis, abrunheiro-bravo Prunus spinosa ssp. institioides, gilbardeira Ruscus aculeatus e as campainhas-amarelas Narcissus bulbocodium.

Narcisssus fernandesii Ruscus aculeatus Gilbardeira CGV
O endemismo ibérico Narcissus fernandesii (® Fernando F. Pereira) e a gilbardeira ou erva-dos-vasculhos Ruscus aculeatus (® Cristina Girão Vieira), cujos frutos parecem sair das "folhas", que, na verdade, são raminhos transformados (filódios). Com a gilbardeira faziam-se pequenas vassouras.

Na Reserva Natural do Paul do Boquilobo as formações vegetais são dominadas por espécies associadas a ambientes húmidos, verificando-se variações na sua distribuição consoante o regime hídrico.

Nas áreas permanentemente alagadas observam-se essencialmente espécies hidrófitas e helófitas como o bunho Scirpus lacustris ssp. lacustris, o caniço Phragmites australis, a tabúa Typha dominguensis, a espadana Sparganium erectum ssp. negletum, o lírio-amarelo Iris pseudacorus, diversas espécies de ranúnculos Ranunculus bandotii, R. bulbosus e R. trilobus. É ainda de referir a existência pontual de espécies típicas de ambientes salobros, como é o caso da tamargueira Tamarix africana e do junco-triangular Scirpus maritimus.

Iris pseudacorus Lírio-amarelo-dos-pântanos CGV Tamarix africana Tamargueira flor CGV
Lírio-amarelo-dos-pântanos Iris pseudacorus (® Cristina Girão Vieira) e a tamargueira ou tamariz Tamarix africana ambos em flor (® Cristina Girão Vieira).  

Nas áreas temporariamente alagadas, para além de hidrófitos flutuantes, dominam as formações de espécies vivazes e anuais, como a malcasada Polygonum amphibium, a labaça Rumex conglomeratus, Atriplex spp., ranúnculos Ranunculus spp., Galium spp., a trolha Scrophularia scorodonia, o gramichão Paspalum paspalodes, Polypogon monspeliensis, Eleocharis palustris, Carex ssp., bunho Scirpus lacustris ssp. lacustris, tabúa-de-folha-larga Typha latifolia, tabúa Typha dominguensis, lírio-amarelo Iris pseudacorus, Sparganium erectum ssp. erectum, junco Juncus ssp.. Nestas várzeas alagáveis, verifica-se uma acentuada variação sazonal do coberto vegetal de acordo com as condições hídricas. É aqui que podemos encontrar formações de pastagens de gramichão Paspalum paspalodes.
 

Polygonum amphibium MalcasadaEichornia crasssipes Jacinto-de-água CGV
A malcasada Polygonum amphibium (® Fernando F Pereira) e o invasor jacinto-de-água Eichornia crasssipes (® Cristina Girão Vieira).


No que diz respeito ao estrato arbóreo, dominam os salgueirais, em particular de salgueiro-branco Salix alba ao qual se associam o salgueiro-frágil Salix fragilis e o salgueiro-vermelho Salix rubens, que formam pequenas ilhas de vegetação e mesmo densos bosquetes. Em alguns locais da zona alagada é possível encontrar-se borrazeira-preta Salix atrocinerea e borrazeira-branca Salix salvifolia ssp. australis, constituindo extensas galerias. Estas, conjuntamente com freixo-de-folha-estreita Fraxinus angustifolia, choupo-negro Populus nigra, pilriteiro Crataegus monogyna, silva Rubus ulmifolius, roseira-brava Rosa ssp., norça-canina Tamus communis, vinha-brava Vitis vinifera, salsaparrilha-bastarda Smilax aspera, madressilva Lonicera periclymenum spp. hispanica, entre outras, formam o corredor ripícola, bem conservado e que tem vindo a aumentar. Associado a este, é de referir a existência de uma pequena área de bosque com espécies tipicamente mediterrânicas como o sobreiro Quercus suber, carvalho-português Quercus faginea, azinheira Quercus rotundifolia e zambujeiro Olea europaea var. sylvestris. Trata-se de um testemunho da antiga floresta mediterrânica que outrora ocupava a região e que atualmente, na quase totalidade da sua extensão, foi substituída por culturas arvenses de regadio.

RNPB - Bunho e salgueiros CGV RNPB - Crataegus monogyna Pilriteiro
Bunho e salgueiros (® Cristina Girão Vieira) e pilriteiro Crataegus monogyna (® Fernando F. Pereira) com os seus frutos vermelhos.

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