História | Cultura

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Património histórico-cultural da Reserva Natural do Paul do Boquilobo.

RNPB - barco - CGV
Navegando (® Cristina Girão Vieira).

Atividades

A fertilidade dos terrenos de aluvião permite uma agricultura intensiva e rentável. O  milho para grão, domina os campos. O tomate e o pimento para indústria, as searas de melão intercalam-se nos campos de milho na época de primavera/verão. Nabos, nabiças, couves e grelos como segunda cultura, ocupam os campos desde o fim do verão até onde o inverno o permite.

As valas de drenagem e os caminhos, acompanhados de sebes de compartimentação de freixos, salgueiros e marmeleiros, caracterizam a paisagem de lezíria. esta rede, outrora densa, tem vindo a diminuir por força da artificialização, da drenagem e mecanização das culturas. As folhas de freixo e marmeleiro são utilizadas na preparação de tisanas e remédios naturais, entre outras plantas procuradas pelas suas propriedades curativas, alimentares ou condimentares.

A criação de cavalos está, principalmente, associada às grandes quintas, com particular destaque para a Quinta da Broa, e à existência de prados naturais nas zonas frescas. As manadas são maioritariamente da raça do cavalo Lusitano. 

O pastoreio de cabras e ovelhas é exercido por pastores(as) provenientes da charneca, que, no período mais seco, pastam o gado na lezíria à procura de restolhos e ervagens.

A pesca constitui uma atividade com tradição, exercida por pescadores(as), em geral provenientes da Azinhaga, no Tejo, Almonda, valas e zonas inundadas. A enguia e a fataça são as espécies mais procuradas. 

Nas valas e cursos de água da zona da Reserva Natural, tendo sido criada a Zona de Pesca Especial do Almonda para regulamentar esta atividade dentro da Reserva Natural, os barcos utilizados são do tipo bateira. As artes usuais são o covo ou cesto, a balança ou ratel e a nassa.

Património construído

A conservação da zona húmida do Paul do Boquilobo está associada à sua integração em quintas de razoável dimensão, nomeadamente as Quintas do Paul do Boquilobo, de Mato Miranda e da Broa. Tal facto permitiu, nas zonas mais inundáveis, a coexistência (até aos anos 70 do século XX) com a caça, os arrozais e a pastagem para gado cavalar.

Os núcleos destas quintas constituem o essencial do património edificado da Reserva Natural do Paul do Boquilobo.

  • Quinta do Paul do Boquilobo

Esta quinta pertenceu à Ordem dos Templários e à Ordem de Cristo. Em 1432, foi doada em sesmaria por D. João I ao Infante D. Henrique, que a cedeu a D. Fernando Castro. Do aproveitamento recente (séc. XX), sabe-se que no tempo em que D. João de Noronha (anos 50 até meados da década de 60) tomou os terrenos por sua conta terão dado milho, tomate e melão. Uma vez arrendada a Ricardo Mendes Gonçalves (mais conhecido por Cristo), este explorou o bunho e junca (que serve de atador nas vinhas), tendo ainda cultivado tomate, melão e milho. Desde a década de 70, data de início da gestão do Sr. Ortigão Costa a Quinta passou a produzir quase em exclusivo o milho. O núcleo edificado desta quinta compreende casas de habitação e diversas construções agrícolas, existindo registos da sua existência já no século XVII. A antiga capela da Nossa Senhora da Graça foi substituída pela designada Ermida velha. Atualmente a exploração da atividade agrícola é realizada pelos seus proprietários.

Quinta do Paul do Boquilobo RNPB - Quinta da Broa
Quinta do Paul do Boquilobo e Quinta da Broa (2ª foto ® Fernando F Pereira).

  • Quinta de Mato Miranda

Foi uma das propriedades da Casa de Rio Maior, da qual é descendente o atual proprietário, Engenheiro João Vicente Saldanha - Marquês de Rio Maior. A Quinta esteve arrendada a João Coimbra até início dos anos 20. O arrendamento não foi renovado e o proprietário, avô do Sr. Marquês, inicia a administração direta da Quinta. Entretanto o tio do Sr. Marquês, José Pedro, forma-se em Agronomia e a sua primeira decisão foi fazer uma vinha situada à entrada da Quinta, que na década de 90 foi inteiramente arrancada. No século XIX, existia apenas um celeiro, já muito antigo, à entrada do qual, na verga da porta, ainda se inscrevem os seguintes dizeres: Conde de Rio Maior 1877. Na época o grande local e centro de lavoura era a Quinta de S. João da Ventosa, local no qual terá havido um palácio. Essa casa terá ardido e só lá terão ficado os escombros e a Capela, que não ardeu porque era separada da casa. As restantes construções, que permanecem atualmente, datam já da primeira metade do século XX.

  • Quinta da Broa

Antigamente denominada por Quinta do Almonda, a Quinta da Broa terá pertencido à família de Zarco da Câmara.  Esta quinta foi adquirida no século XIX pelos irmãos Manuel e Rafael José da Cunha. Este último conhecido pela sua prosperidade e generosidade em oferecer broa aos necessitados fez com que a Quinta do Almonda ficasse conhecida até hoje como Quinta da Broa. Os cavalos lusitanos produzidos nesta quinta são muito conceituados pela sua qualidade. Das três quintas da incluídas no interior da Reserva é a que tem o património construído mais monumental sendo que o edifício principal, apalaçado, tem 365 janelas. Recentemente, foi recuperado um antigo edifício em ruínas sendo transformado num enorme picadeiro coberto.

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