Geologia | Hidrologia | Clima

Geologia | Hidrologia | Clima
Geologia, hidrologia e clima da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

RNSCMVRSA - projeto horta pedagógica
Terrenos da horta pedagógica.
Geologia

A maior parte dos terrenos da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António formaram-se num período geológico recente, o Quaternário, que teve início há 2 M.a. (milhões de anos). Ainda assim, a história geológica da área da Reserva está documentada através de testemunhos situados no tempo, desde há cerca de 320 M.a. até à atualidade, numa evolução complexa que comporta fases de transgressão e regressão marinhas, formação de montanhas, erosão, vulcanismo e atividade sísmica.

Era Primária ou Paleozoico

Período Carbónico
No Carbónico, o clima quente e húmido permitiu a expansão de extensas florestas. O mar ocupava então a área onde hoje se situa a Reserva Natural. Os terrenos mais antigos da Reserva – xistos e grauvaques – formaram-se há cerca de 320 M.a., devido à deposição no mar de sedimentos terrígenos provenientes da erosão do continente emerso. Durante a orogenia hercínica (290 a 260 M.a.) aqueles estratos foram intensamente dobrados, dando origem a uma grande cadeia montanhosa – a Cadeia Hercínica. A serra Algarvia é essencialmente constituída por rochas deste período. Na área da Reserva Natural, as rochas do Carbónico, intensamente dobradas, por vezes quase verticais, sustentam o forte de São Sebastião e a Igreja Matriz, em Castro Marim.

Era Secundária ou Mesozoico

Período Triásico
Durante o Mesozoico, o território português situava-se mais a Sul do que atualmente, entre 0º e 30º de latitude N, e portanto, em plena zona intertropical. O clima era mais quente, devendo ter sido bastante árido no Triásico. Apenas em alguns locais, condições climatéricas mais favoráveis permitiam a vida de alguma vegetação e de animais - escassos invertebrados, anfíbios e répteis. No Triásico, a erosão intensa dos relevos hercínicos originou a formação de arenitos, conglomerados e argilitos, de côr vermelha predominante, vulgarmente conhecidos por “Grés de Silves”. Na área da Reserva Natural encontram-se na vertente sul do Castelo de Castro Marim e nos arredores da Vila.

Período Jurássico
No Jurássico Inferior o mar avançou e, ao regime continental que perdurara no Triásico, sucedeu um regime marinho que foi progressivamente aumentando de profundidade e que permitiu a vida de fauna diversificada. O clima tornou-se mais húmido, o que originou o desenvolvimento de uma importante cobertura vegetal. São deste período os calcários dolomíticos que sustentam o Castelo de Castro Marim, aos quais se associam rochas doleríticas que testemunham a importância e intensidade do vulcanismo mesozoico, tão notório no Algarve.

Era Cenozoica

Período Terciário

Miocénico Superior
Do Jurássico Inferior até ao Miocénico decorreram quase 200 milhões de anos, cuja história geológica na área da Reserva se desconhece, pois não se encontraram sedimentos deste intervalo de tempo. No Miocénico Superior (8 M.a. - 5 M.a), nos deltas dos rios depositaram-se argilas e siltes arenosos, que constituem atualmente as principais arribas da Ria Formosa, entre Cabanas de Tavira e a Manta Rota. Nesta época, a ligação entre o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo fechou-se, possibilitando migrações de mamíferos entre a Península Ibérica e o norte de África.

Período Quaternário
Os sapais constituem o ambiente geológico dominante da Reserva Natural, e abrangem cerca de dois terços da sua área.  São formações aluvionares de argilas negras, as quais se vão depositando no troço final do Guadiana desde há cerca de 8000 anos. A sua progressão para o mar é bloqueada pela sedimentação, bem como pela presença de grandes massas de areia, que constituem o “Banco de O’Brill” e o cordão de dunas do litoral. Desenvolveu-se assim uma planície aluvial, sujeita a inundações, sulcada por esteiros sinuosos na embocadura de linhas de água de regime irregular originadas nos relevos circundantes. O cerro onde hoje se eleva o castelo de Castro Marim terá sido uma ilhota no estuário do Guadiana, mas o progressivo assoreamento, característico dos sapais, acabaria por ligá-lo à superfície continental.

Hidrologia

A maior parte da área da Reserva Natural faz parte do estuário do Guadiana, sofrendo por isso uma forte influência do regime de marés. Cerca de 26% dos terrenos são inundados na preia-mar de uma forma periódica, segundo um ciclo diário e lunar. A área inundada pelas marés abrange essencialmente as zonas de sapal que envolvem o rio Guadiana e os dois principais esteiros, o da Lezíria e o da Carrasqueira. Estes subdividem-se em pequenos esteiros, permitindo que uma rede de drenagem natural cubra todo o sapal. Alguns locais da Reserva, naturalmente inundáveis pela maré, não o são devido à influência humana. É o caso das salinas, construídas na maioria em zonas originariamente de sapal, nas quais a entrada de água é controlada por ação humana, e de uma larga faixa junto ao Guadiana, a norte da entrada do esteiro da Lezíria, na qual foi construído um dique para impedir a entrada da maré e possibilitar a agricultura, que já não se pratica.

Clima

O clima da região onde se situa a Reserva é do tipo mediterrânico, caracterizado por uma estação seca e quente que coincide com o verão. Pode ser classificado como semiárido segundo o índice bioclimático de Emberger. Os valores adiante indicados, respeitantes a medições efetuadas pelo Instituto de Meteorologia, foram recolhidos na estação meteorológica de Vila Real de Santo de Santo António (37º11’ N 07º25’ W; altitude: 7m), entre os anos de 1961 e 1990 (Instituto de Meteorologia).

Temperatura - a média anual do ar é de 17,2ºC, sendo a média das mínimas do mês mais frio (janeiro) de 6,1ºC e a média das máximas do mês mais quente (agosto) de 30,4ºC.

Precipitação - a Reserva situa-se numa das faixas menos pluviosas de Portugal. A precipitação média anual é inferior a 500 mm (492,3 mm), concentrada sobretudo entre os meses de outubro a abril.

Insolação - é máxima em julho (354 horas de sol descoberto) e mínima em dezembro e janeiro. A insolação média anual é da ordem das 2800 h.

Humidade relativa - é condicionada pela temperatura e pela natureza das massas de ar no local. A humidade relativa média anual (medida às 9 horas) é de 71%.

Vento - os ventos dominantes variam consoante a estação. No inverno predomina o vento Norte, que passa pelas terras baixas do vale do Guadiana e exerce a sua influência aproximadamente até Faro. Durante a primavera, verão e princípio do outono predominam os ventos de Sudoeste estando estes muito associados às temperaturas bastante elevadas que se fazem sentir nesta região durante o verão. O mês mais ventoso é janeiro, variando as velocidades médias anuais entre os 6,1 km/h e os 9,4 km/h.

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