Você está aqui: Entrada / FLORESTAS / Gestão Florestal / Produção Florestal / Montado / Qualidade Visual da Cortiça: Defeitos

Qualidade Visual da Cortiça: Defeitos

Sobreiro. Principais defeitos da cortiça, nomeadamente, bofe, frouxa, terrenta (ou barrenta), preguenta, madeirenta, amuada, com crescimento irregular, com fio inclinado, enguiada, formigada, cobrilhada, picada por aves, chumbada, queimada, folhada (esfoliada, repelosa, desunida ou solapada), verde, com ferrugem, com carvão, com mancha amarela, marmoreada (ou jaspeada), manchada.

Cortiça com bofe

Cortiça com porosidade extremamente elevada, associada ou não a abertura e deformação dos canais lenticulares.


Notas:

  • a cortiça bofe corresponde a um caso extremo de cortiça muito porosa, no qual, sempre que se efetuam medições em secções tangenciais consideradas representativas de toda a espessura da cortiça, estas permitem concluir existirem, em média e por cada 100 cm2 de secção, mais de 6 cm2 de área ocupada pelos canais lenticulares; e
  • na cortiça bofe, é frequente haver fusão de canais lenticulares contíguos.


Cortiça frouxa

Cortiça em que se evidenciam canais lenticulares de apreciável diâmetro, abertos e mais ou menos deformados, os quais, em corte transversal, tendem a apresentar forma aproximada à de losangos.

Notas:

  • aos canais lenticulares com as características descritas dá-se habitualmente a designação de frouxo; e
  • na barriga da cortiça frouxa e a rodear as aberturas correspondentes aos seus característicos canais lenticulares, é frequente notarem-se saliências cujas extremidades, de cor relativamente clara, se apresentam arqueadas para o exterior do canal respetivo.


Cortiça terrenta (ou barrenta)

Cortiça em que se evidenciam canais lenticulares de apreciável diâmetro, de forma aproximadamente cónica com a base orientada para o lado da barriga, contendo uma grande quantidade de tecido de enchimento que, desagregado, se apresenta como uma massa pulverulenta castanho-avermelhada, de aspeto semelhante a terra ou barro.

Notas:

  • à referida massa pulverulenta é frequente dar-se a designação de terra ou barro;
  • a cor que esta apresenta é devida à desagregação das células existentes no interior dos canais lenticulares e à posterior oxidação, em contacto com o ar, das substâncias taninosas nelas contidas;
  • na barriga da cortiça terrenta e logo a seguir ao descortiçamento, as aberturas correspondentes aos seus característicos canais lenticulares são, normalmente, pouco evidentes. Como motivos, podem-se apontar os seguintes: os canais lenticulares encontram-se, nessa altura, cheios de tecido de enchimento; a cor desse tecido não é muito distinta da do ventre da cortiça; a abertura dos canais lenticulares no ventre da cortiça não é acompanhada de deformação apreciável do relevo deste. No entanto e à medida que a cortiça, ao secar, se contrai, perdendo parte da massa pulverulenta que obstrói os poros, as aberturas que, na barriga, correspondem aos canais lenticulares vão-se tornando mais percetíveis.


Cortiça preguenta

Cortiça em que é evidente a presença de massas celulares esclerenquimatosas associadas a canais lenticulares.

Notas:

  • às massas celulares esclerenquimatosas características da cortiça preguenta é habitual dar-se a designação de prego; este resulta da inclusão, no interior dos canais lenticulares, de raios liberinos; e
  • na barriga da cortiça preguenta e a rodear as aberturas correspondentes aos seus característicos canais lenticulares, é frequente notarem-se saliências cujas extremidades se apresentam retraídas.

 

Cortiça madeirenta

Cortiça em que é evidente a presença de massas celulares esclerenquimatosas sem relação direta com os canais lenticulares.

Nota: às massas celulares esclerenquimatosas, características da cortiça madeirenta, é habitual dar-se a designação de madeira; esta resulta da inclusão, no interior do tecido suberoso, de porções de entrecasco.

 

Cortiça amuada

Cortiça com camadas anuais de crescimento de espessura extremamente reduzida.

Notas:

  • a redução da espessura das camadas anuais de crescimento tende a refletir-se mais no número de células formadas no início do ciclo vegetativo (zona mais clara) do que no número daquelas formadas no final do ciclo (zona mais escura); daí, a tendência da cortiça amuada para manifestar elevada dureza; e
  • o defeito em questão pode ter origens várias, sendo frequente manifestar-se, p. ex., em árvores velhas, excessivamente exploradas ou vegetando em condições precárias.

 

Cortiça com crescimento irregular

Cortiça em que se verificam acentuadas oscilações na largura das camadas anuais de crescimento (entre camadas sucessivas e/ou dentro da mesma camada).


Cortiça com fio inclinado

Cortiça cujo fendimento longitudinal se não desenvolve, predominantemente, segundo a direção axial da árvore.

Nota: a presença de fio inclinado na cortiça tem correspondência com uma disposição mais ou menos espiralada dos elementos fibrosos do entrecasco.

 

Cortiça enguiada

Cortiça com fendimento longitudinal profundo motivado pelo crescimento do lenho, do entrecasco e do próprio tecido suberoso.

Notas:

  • ao fendimento longitudinal com esta origem dá-se o nome de enguiado; e
  • o enguiado tende a ser tanto mais intenso quanto menor for, no início do período de criação da cortiça, o perímetro do tronco e quanto maior for, no decorrer do mesmo período, a produção conjunta de lenho, entrecasco e tecido suberoso.

 

Cortiça formigada

Cortiça parcialmente destruída pela formiga da cortiça (Crematogaster scutellaris Oliv.), que nela abre galerias sinuosas e, por vezes, de apreciável dimensão.

Nota: este inseto ataca, sobretudo, cortiça localizada na parte inferior dos troncos.

 

Cortiça cobrilhada

Cortiça contendo galerias que foram abertas, na parte externa do entrecasco, pela larva da cobrilha do tronco (Coroebus undatus Fab.). Estas galerias - que se dispõem em hélice à volta dos troncos - vão aumentando de diâmetro à medida que as larvas crescem, ficando repletas com os seus excrementos.

Notas:

  • quando o ataque do inseto é recente, ao extrair-se a cortiça as galerias ficam a descoberto, sendo facilmente identificáveis, quer na superfície do entrecasco quer no ventre da cortiça extraída; se o ataque é antigo, na altura da extração da cortiça as galerias encontram-se normalmente já incluídas no tecido suberoso, podendo não ser de identificação imediata; esta inclusão é possível graças à capacidade que o sobreiro tem de, na zona do felogénio destruída pela larva da cobrilha, regenerar, mais internamente, um novo felogénio; e
  • a abertura das referidas galerias pode provocar exsudações de seiva, as quais, por sua vez, podem ser responsáveis pela existência, na cortiça e à volta das galerias, de manchas castanhas (incluídas no defeito "cortiça manchada").

 

Cortiça picada por aves

Cortiça com orifícios resultantes de picadas de aves.

Nota: as espécies de pica-pau destacam-se entre as aves que picam a cortiça, perfurando-a em busca de larvas da cobrilha, nela abrindo numerosos orifícios, posicionados próximo uns dos outros.

 

Cortiça chumbada

Cortiça perfurada por chumbo, normalmente proveniente de espingardas de caçadores.


Cortiça queimada

Cortiça atingida pelo fogo.


Cortiça folhada (esfoliada, repelosa, desunida ou solapada)

Cortiça contendo, em uma ou mais das suas camadas anuais de criação, assentadas de células suberosas separadas umas das outras. Nos casos mais típicos, a separação dá-se por folhas ou estratos concêntricos.

Notas:

  • a esta separação de camadas dá-se, habitualmente, a designação de esfoliação ou solapamento; e
  • as zonas pelas quais o solapamento se dá foram, geralmente, formadas em momentos de fraca vitalidade da árvore, a qual pode ter origens várias, entre as quais: destruição de folhagem, por exemplo, pela lagarta do sobreiro (Lymantria dispar L.); stress ocasionado por fogo ou fortes suões; choques ou pancadas a que a árvore esteve sujeita.

 

Cortiça verde

Cortiça que, ao ser extraída, se apresenta com manchas translúcidas junto à barriga, correspondentes a células cheias de água de vegetação. Quando secam, estas manchas contraem-se mais do que o tecido suberoso que as rodeia, o que provoca deformações.

Notas:

  • este defeito torna a cortiça permeável, admitindo-se que possa estar relacionado com uma incompleta suberificação das paredes celulares; e
  • as manchas de verde encontram-se particularmente predispostas para o desenvolvimento de fungos, os quais tendem a escurecer a coloração das manchas, conferindo-lhes um tom cinzento-azulado; quando isto acontece, associam-se dois defeitos: cortiça verde; e cortiça manchada.

 

Cortiça com ferrugem

Cortiça com manchas alaranjadas no ventre causadas pelo fungo da ferrugem alaranjada do entrecasco (Endothiella gyrosa Sacc.), cuja invasão se estende, por vezes, aos canais lenticulares.


Cortiça com carvão

Cortiça com orifícios ou fendas provocados pelo fungo do carvão do entrecasco (Hypoxylon mediterraneum (De Not.) Ces. et De Not.).


Cortiça com mancha amarela

Cortiça com manchas cinzento-claras na raspa e eventual descoloração do tecido suberoso que lhe fica subjacente, o qual adquire o odor característico dos bolores.

 

Cortiça marmoreada (ou jaspeada)

Cortiça com manchas irregulares de cor escura, mais acentuada na periferia, localizadas em áreas adjacentes a canais lenticulares.

Nota: este defeito tem sido atribuído a fungos, nomeadamente à Melophia ophiospora Sacc., cujas hifas invadem os canais lenticulares e, posteriormente, se expandem para células vizinhas.

 

Cortiça manchada

Cortiça com manchas castanhas, castanho-escuras ou cinzento-azuladas, sem relação direta com canais lenticulares.

 

Acções do Documento