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Programa Nac. Monitorização Aves Aquáticas Invernantes

PNMAAI - Programa Nacional de Monitorização de Aves Aquáticas Invernantes: enquadramento; objetivos; metodologia; locais inventariados (inclui mapa); e publicações.
Ninhos aves aquáticas coloniais - MA
Ninhos de aves aquáticas coloniais (® Michael Armelin).
 
 

Enquadramento

O estudo e a conservação das aves aquáticas levantam questões específicas dadas as características deste grupo de aves, nomeadamente por quase todas as espécies serem migradoras e por dependerem de zonas húmidas, que ocupam de diferentes formas ao longo do ano. São ainda espécies que ocorrem e se agrupam normalmente em grande número sendo vulneráveis a diversas ameaças, constituindo por isso bons indicadores biológicos da qualidade das zonas húmidas.

Assim, torna-se fundamental dispor de informação atualizada sobre a sua distribuição e quantitativos, de modo a conhecer o ciclo anual das populações, as flutuações e tendências dos seus efetivos, bem como a importância das diversas zonas húmidas para cada espécie. Os censos de aves aquáticas constituem um dos instrumentos mais utilizados para o estudo e monitorização das zonas húmidas.

Este tipo de monitorização tem nos últimos anos possibilitado manter um esquema nacional de vigilância e despiste da ocorrência de fenómenos de infeção de aves aquáticas selvagens pela estirpe altamente patogénica do vírus da gripe aviária (H5N1), incluído no esforço nacional de vigilância desta epizootia a cargo do então ICNB, atual ICNF, e sob responsabilidade geral das autoridades veterinárias nacionais.

Os censos de aves aquáticas em Portugal estão integrados no projeto “International Waterbird Census”, coordenado desde 1967 pela Wetlands International, uma organização sem fins lucrativos e independente, que envolve uma parceria entre 60 governos (incluindo o de Portugal) e 15 ONG. Os censos são efetuados com regularidade em toda a região Paleártica Ocidental, sendo realizados em janeiro, de modo simultâneo em cerca de 100 países de África, Ásia, Europa, Médio Oriente e Norte e Sul da América, sendo um dos elementos importante para a designação de zonas húmidas de importância internacional ao abrigo da Convenção Ramsar.

Em Portugal, estes censos, efetuam-se anualmente desde 1976, tendo sido publicados relatórios anuais entre 1988 e 1996 (Rufino 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, Rufino & Costa 1993, Costa & Rufino 1994, 1996).

Atualmente, em Portugal, as contagens são realizadas no âmbito do Programa Nacional de Monitorização de Aves Aquáticas Invernantes, coordenado pelo ICNF e realizadas regularmente nas zonas húmidas mais importantes para estas espécies, em particular estuários, pauis, açudes e albufeiras. Este programa inclui ainda contagens de Anseriformes e Gruiformes no período entre outubro e março de cada ano.

Objetivos 

  • monitorizar anualmente o número de efetivos de aves aquáticas que invernam em Portugal Continental, numa rede constante e representativa de zonas húmidas;
  • manter atualizado o conhecimento sobre as populações de aves aquáticas invernantes e sobre a importância relativa das zonas húmidas nacionais para este grupo de espécies;
  • identificar flutuações interanuais nos efetivos invernantes, que possam ser relacionadas com o estado de conservação da espécie (incluindo nos territórios de reprodução e de passagem) e/ou com a qualidade dos habitats aquáticos. Complementarmente, é recolhida informação sobre o estado da zona húmida, perturbação e condições meteorológicas; e
  • conhecimento da fenologia das aves aquáticas em Portugal Continental.

Metodologia

As contagens são efetuadas por um conjunto de observadores(as), entre voluntários(as) e profissionais (ICNF), na sua maioria a partir de pontos localizados na margem das zonas húmidas. Em zonas húmidas estuarinas de grande dimensão, as contagens são também efetuadas a partir de uma embarcação e ao longo de transecto pré-definido e durante a preia-mar.

Nas contagens efetuadas no âmbito deste programa, procura-se recensear e quantificar todas as espécies presentes de aves aquáticas ou relacionadas habitualmente com este tipo de habitat, nomeadamente:

  • mergulhões (Podicepediformes);
  • corvos-marinhos (Phalacrocoracidae);
  • garças, cegonhas, ibis e colhereiros (Ciconiformes);
  • flamingos (Phoenicopteriformes);
  • patos e gansos (Anseriformes);
  • galinhas-de-água e galeirões (Gruiformes); e
  • tarambolas, maçaricos, pilritos, gaivotas e gaivinas (Charadriformes).


Para cada espécie, procura-se obter o quantitativo em números absolutos, com um grau de cobertura superior a 80% da área de cada zona húmida recenseada.

As visitas às zonas de contagens são efetuadas em janeiro, de preferência num período de sete dias indicado anualmente, procurando, desta forma, a simultaneidade entre as diferentes localizações.

São efetuadas nas marés de maior amplitude e durante o período de preia-mar, evitando-se os dias de caça. Para os mergulhões, patos, gansos e galeirões, são efetuadas contagens mensais entre outubro e março de cada ano.

Sempre que possível, a quantificação do número de aves é realizada por contagem direta. Nos casos de bandos numerosos ou em voo, a contagem é realizada por estimativa (Bibbly et al., 1992).

Locais inventariados

Os locais objeto de monitorização e que fazem parte do programa, foram organizados dentro das respetivas bacias hidrográficas em que se divide o território nacional continental.

Este encontra-se dividido em 17 bacias ou sub-bacias, nas quais foram identificados 93 locais de contagem, englobando a maior diversidade possível de tipos de zonas húmidas (estuários, lagoas costeiras, pauis e albufeiras de barragens e açudes) e as mais importantes e representativas em termos de área e efetivos.


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Areas contagens aves 2006

Publicações

Contagens de aves aquáticas:


Anatídeos

 

Limícolas

 

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