Saramugo

Saramugo - peixe dulciaquícola "criticamente em perigo" das ribeiras da bacia do Guadiana. O Saramugo, uma das espécies autóctones portuguesas mais ameaçadas.O Plano de Ação do saramugo. A ribeira do Vascão e o seu valor para a conservação do Saramugo. Plano de Emergência para a Salvaguarda da Ictiofauna Endémica e Ameaçada da Bacia Hidrográfica do Guadiana (ICNF). Controlo de espécies exóticas. Conservação ex-situ. Bibliografia

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   Saramugo © Carlos Carrapato

O saramugo Anaecypris hispanica é um peixe dulciaquícola, da família dos ciprinídeos, residente e endémico da Península Ibérica, com uma distribuição restrita às bacias hidrográficas do Guadiana e Guadalquivir. Em Portugal, ocorre essencialmente em pequenos cursos de água das ribeiras afluentes do rio Guadiana, estando restrita a sua ocorrência a cinco sub-bacias: Ardila, Chança, Vascão, Foupana e Odeleite.

 

Plano de Ação do Saramugo

Tendo em conta que a comunidade piscícola do Guadiana constitui um património comum, reconheceu-se desde o início que a sua conservação efetiva teria que envolver as entidades e atores locais. Assim, o processo de desenvolvimento do plano de ação resultou de um total de cinco reuniões participadas, que contaram com a presença de 41 entidades com diferentes competências, nomeadamente de investigação, de gestão territorial e envolvendo ainda as associações locais que fazem parte do problema.

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Plano de ação do saramugo:

 

Existem quatro projetos a decorrer em prol da conservação do Saramugo:

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SOMINCOR
[2014-2019]
LIFE SARAMUGO
[2014-2018]
Conservação
do Saramugo
na Bacia do
Guadiana (Portugal)
(LIFE13 PT/000786)
VALAGUA
[2017-2019]
Valorização Ambiental
e Gestão Integrada da
e dos Habitats no
Baixo Guadiana

POSEUR
[2018-2020]
Plano de Ação do
Saramugo - Gestão
das populações de
Saramugo em Portugal

OUTRAS AÇÕES
Controlo da
dispersão de
espécies exóticas

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SOMINCOR LIFE SARAMUGO VALAGUA POSEUR OUTRAS AÇÕES

       Fotos: © Ana Cardoso e Carlos Carrapato 

 

 PROTOCOLO SOMINCOR [2014-2019] 

No âmbito da sua política ambiental e de promoção da biodiversidade, a SOMINCOR apoia o ICNF na área do Parque Natural do Vale do Guadiana na execução de medidas enquadradas no Plano de Ação do Saramugo. O protocolo estabelecido tem ainda como finalidade compensar os impactes causados na ribeira de Oeiras devido à sua atividade de exploração da Mina de Neves Corvo.

Reabilitação da vegetação ribeirinha na ribeira do Vascão

A ribeira do Vascão constitui, atualmente, a ribeira com maior valor de conservação da bacia do Guadiana. De facto, aqui se encontram todas as espécies piscícolas que são representativas da bacia do Guadiana.

A conservação destas comunidades depende das condições que se verifiquem nos pegos. Os pegos são poças de água de dimensão muito variável, mas que funcionam como verdadeiras arcas de Noé, na medida em que concentram todos os seres vivos da ribeira, até ao momento da retoma do caudal.
O pego do moinho de Alferes é uma dessas reservas da biodiversidade da ribeira. Assim, entre 2014 e 2017 foram realizadas ações de melhoria do habitat, através do desassoreamento do pego e da reabilitação da vegetação ribeirinha.

Num troço de 274 metros foi removido o canavial existente e substituído por estacas e plântulas de espécies ribeirinhas autóctones. A recuperação da vegetação melhora as condições de sobrevivência das espécies no pego:

  • Devido ao ensombramento, diminui a evaporação e mantem as condições físico-químicas da água mais adequadas;
  • Fornece refúgio no emaranhado dos ramos e troncos;
  • E promove a ocorrência de invertebrados, que são uma fonte de alimento relevante para os peixes.

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   Legenda: Canavial antes da intervenção; Remoção das toiças; Talude após reabilitação - Fotos de Ana Cardoso ©

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 LIFE SARAUMGO [2014-2018] 
 Conservação do Saramugo (Anaecypris hispanica) na Bacia do Guadiana (Portugal)" (LIFE13 PT/000786)

O LIFE Saramugo é coordenado pela Liga para a Proteção da Natureza e que conta com a parceria do ICNF, da Universidade de Évora, e da empresa Aqualogus – Engenharia e Ambiente, Lda. O Projeto LIFE Saramugo tem a sua atuação direcionada aos espaços integrados na Rede Natura 2000, onde visa a conservação das populações de saramugo nos SIC S. Mamede, Moura-Barrancos e Guadiana (Site do Life Saramugo). 

Atualização da situação populacional do saramugo e das ameaças na bacia do Guadiana

A história desta espécie, em especial o desaparecimento da segunda população mais abundante, a do Caia, no espaço de cinco anos (2000-2005), recorda a fragilidade do habitat ribeirinho na bacia do Guadiana. Deste modo, mesmo populações estáveis podem desaparecer com certos fenómenos climáticos extremos ou por atividade humana mais intensa. Por essa razão, a monitorização das populações e das ameaças tem sido desenvolvida pelo ICNF desde 2007 recorrendo a pesca com redes durante o período de estio (Relatório de 2010 [PDF 3,7 MB]).

No âmbito do LIFE, a monitorização foi desenvolvida em 2015 e 2018, de acordo com o protocolo da DQA.

Como balanço final, a espécie continua apenas a residir nas cinco sub-bacias do Sul e as pressões, responsáveis pela regressão da espécie, continuam a persistir (Relatório da ação A3 [PDF 9,4 MB]).

 

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  Fotos: © Carlos Carrapato; Ana Cardoso; João Pedro Santos
  
Legenda: Barbo do Sul Barbus sclateri; Monitorização de Saramugo; Boga-de-boca-arqueada Iberochondrostoma lemmingii;  

Atividades de educação ambiental com as escolas

A educação ambiental é realizada pelo Parque Natural do Vale do Guadiana com especial incidência nos conelhos abrangidos por esta área protegida: Mértola e Serpa. Anualmente é preparado um tema a desenvolver no ano letivo seguinte. A conservação do Saramugo foi abordada no ano letivo 2015/2016 nas escolas do 1º ciclo e do pré-escolar do concelho de Mértola.

A educação ambiental é desenvolvida ao longo do ano letivo, com um mínimo de três sessões por turma: apresentação da espécie, do habitat e das suas ameaças; saída de campo para observação de macroinvertebrados e exposição das maquetes preparadas em contexto de aula. No âmbito do desfile de Carnaval as crianças vestiram-se com alusões ao tema e desfilaram pela vila de Mértola.

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   Fotos: © Ana Martins; Ana Cardoso; Ana Martins
  Legenda: Saída de campo; Desfile de Carnaval; Maquete de Saramugo da escola do 1º ciclo de Santana de Cambas

Beneficiários:

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Programa de Financiamento Comunitário:
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LIFE13/NAT/PT/000786 - Contribuição financeira do programa LIFE da UE (50%)

Cofinanciador:
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 VALAGUA [2017-2019] 
 Valorização Ambiental e Gestão Integrada da Água e dos Habitats no Baixo Guadiana

Alcaides-Chança-779x600.jpgEsta iniciativa é promovida com o cofinanciamento do Programa de Cooperação Interreg Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020. Tem como beneficiário principal a ADPM e envolve entidades governamentais e não governamentais de ambos os países, nomeadamente a Diputación Provincial de Huelva, a Consejería de Medio Ambiente y Ordenación del Territorio da Junta de Andalucía, a Confederación Hidrográfica del Guadiana, o ICNF, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana, bem como as universidades de Huelva e do Algarve.

No âmbito deste projeto o ICNF pretende recuperar um troço de 1500 metros num afluente do Chança, protegendo os pegos onde a espécie ocorre dos efeitos do abeberamento direto de 400 cabras.

Cofinanciado por:
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   Interreg (Espanha - Portugal)              Valagua

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 POSEUR [2018-2020] 
 Plano de Ação do Saramugo - Gestão das populações de Saramugo em Portugal

A Operação tem como objetivos:

  • Contribuir para a manutenção do contínuo fluvial na ribeira do Vascão;
  • Controlar as captações de água nos pegos nas ribeiras do Vascão, Foupana e Odeleite;
  • Recuperar a vegetação ribeirinha e melhorar a qualidade de água das ribeiras onde o Saramugo ocorre;
  • Potenciar a capacidade de recuperação das populações de saramugo;
  • Sensibilizar os atores no terreno, especificamente os agropecuários e os pescadores desportivos, mas também as escolas.

 

tanques-800x600.jpgO projeto prevê para o ano de 2018 a capacitação das instalações existentes para a manutenção e reprodução das populações de saramugo em ex-situ.

Desde a seca de 2004/2005 que o ICNF, mantem nas instalações da sede do Parque Natural do Vale do Guadiana um stock genético representativo de cada uma das populações de Saramugo. No âmbito do Plano de Ação, considerou-se que esta medida é imprescindível como garantia da sua sobrevivência no futuro, não só por garantir reservas genéticas capazes de serem suficientemente representativas da diversidade genética como também na eventualidade de reforços populacionais após a garantia da melhoria das condições de habitat.

Com esta componente pretende-se ampliar a estrutura existente, com a instalação de tanques numa disposição que permita albergar um maior número de exemplares de saramugo e ter condições que garantam um maior sucesso de reprodução.

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 Outras Ações 
 Controlo da dispersão das exóticas

A proliferação das espécies exóticas, espécies alienígenas ao ecossistema, é um dos fatores que intervêm ao nível dos processos biológicos e que constitui um dos maiores problemas da atualidade. Na bacia hidrográfica do rio Guadiana são já conhecidas 17 espécies de peixes exóticos contra as 11 espécies nativas dulçaquícolas.

As barragens apresentam condições propícias ao desenvolvimento destas novas espécies constituindo por isso um foco primário do problema. A implementação de mecanismos que impeçam a disseminação das espécies a partir das barragens é de grande relevância. Por essa razão em 2013, na barragem da Herdade das Romeiras, foi implementada a primeira estrutura de controlo de exóticas na zona do descarregador superficial.

O dispositivo é constituído por um gradeamento laminado, de arestas afiadas e instalado numa calha ocupando toda a largura do descarregador de superfície. Sempre que a cota da barragem suba acima do valor máximo de armazenamento, a descarga desse volume de água é filtrado pela grade, projetando e retendo os peixes contra o gradeamento.

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©Carlos Carrapato: Estrutura de controlo da dispersão de exóticas.

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U.A.: 2018-07-12

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