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Impactes Linhas Elétricas

Monitorização e minimização dos impactes resultantes da interação entre as linhas de alta e média tensão e a avifauna.

Apoio corrigido antieletrocussão - JC - SPEA
Apoio corrigido antieletrocussão no Parque Natural do Douro Internacional (® Julieta Costa - SPEA).

Enquadramento

A mortalidade de aves por eletrocussão e colisão em linhas elétricas de média e alta tensão tem sido alvo de numerosos estudos em diversos países. A minimização do impacto destas linhas de distribuição de energia sobre a avifauna tem justificado e reunido os esforços de empresas de energia elétrica, das autoridades de conservação da natureza e de organizações não governamentais de ambiente. 

Um protocolo celebrado em 2003, entre as entidades EDP Distribuição-Energia SA, o então Instituto da Conservação da Natureza, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e Quercus – Associação Nacional para a Conservação da Natureza, permitiu avaliar os impactes das linhas elétricas de alta a e média tensão sobre a avifauna em Portugal, através de estudos realizados entre 2003 e 2005.

A partir daí, uma sequência de protocolos (designados como Protocolos Avifauna) tem dado continuidade à realização dos trabalhos de compatibilização das linhas com as práticas de proteção da avifauna, visando designadamente monitorizar a eficácia das medidas de correção introduzidas, testar novas tipologias das estruturas que minimizem os impactes e dar continuidade às operações de correção de linhas identificadas como perigosas para a avifauna. A LPN – Liga para a Protecção da Natureza tem integrado esta colaboração, desde 2013.

Linhas elétricas - JC Cegonha-branca vítima de linhas elétricas - JC SPEA

Linha elétrica com dispositivos para minimização dos impactes sobre a avifauna e cegonha-branca vítima de linhas elétricas na ZPE Estuário do Tejo (® Julieta Costa - SPEA).
 

1º Protocolo

Dada a ausência, até há poucos anos, de informação concreta relacionando as tecnologias mais usuais com as comunidades de aves do nosso país, foi definida, numa primeira fase, a prioridade de elaboração de um estudo nacional sobre o impacto das linhas aéreas de média e alta tensão sobre a avifauna.  

Foram prospetados, nas diferentes épocas do ano, cerca de 900 km de linhas incluídas em Áreas Classificadas, nomeadamente Áreas Protegidas e Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000 ou ainda em áreas importantes para as aves (IBA – "Important Bird Areas"). Como resultado foram detetados 1.599 cadáveres de 107 espécies de aves acidentadas nas linhas de média e alta tensão, tendo a morte por colisão (51%) apresentado maior peso, face à atribuída à eletrocussão (49%).   

Salienta-se o facto de aproximadamente 25% destas aves terem estatuto de ameaça, seja por critérios nacionais ou internacionais, destacando-se:

 

O valor médio da taxa real de mortalidade, depois de aplicados os fatores de correção, foi de 0,18 aves/apoio/ano para a Eletrocussão e de 3,45/ km/ ano para a Colisão.

Decorrendo do resultado dos estudos, foram identificados 350 km de linhas de média e alta tensão (EDP) que mereceram a classificação de perigosas ou potencialmente perigosas, tendo havido lugar, ao longo do período de vigência do protocolo, à introdução de correções em 85 km dessas linhas. 

No âmbito deste primeiro protocolo iniciou-se também um estudo sobre os movimentos de juvenis de águia-real e de águia-de-bonelli, recorrendo ao uso de técnicas de rádio seguimento via satélite, com vista a conhecer os seus padrões de dispersão e relacioná-los com o risco de eletrocussão em linhas de média e alta tensão.

Os resultados obtidos neste protocolo são apresentados e disponibilizados nos relatórios técnicos finais, referentes aos trabalhos desenvolvidos:

 

2º Protocolo

Monitorização e minimização dos impactes resultantes da interação entre as linhas de alta e média tensão e a avifauna.

Este protocolo (2006-2009) teve como objetivo dar continuidade às iniciativas de compatibilização da rede elétrica com a conservação da avifauna, nomeadamente em Áreas Classificadas no âmbito da conservação da natureza e Important Bird Area (IBA). Previu ainda alargar os estudos de avaliação do impacto das linhas elétricas a áreas insuficientemente analisadas em trabalhos anteriores e monitorizar as correções já introduzidas.

Dado o adiantamento da fase de caracterização desta problemática, o 2º protocolo deu maior atenção à correção de linhas já identificadas como mais perigosas para a avifauna. Contemplou ainda a integração experimental de novas tecnologias de minimização do impacte sobre a avifauna. Foi dada continuidade ao estudo de avaliação e monitorização dos impactes das linhas elétricas na avifauna em Portugal, consolidada a avaliação da problemática das linhas elétricas na conservação da abetarda Otis tarda e do sisão Tetrax tetrax (espécies protegidas particularmente suscetíveis à mortalidade induzida por estas infrastruturas) e ainda aprofundado o conhecimento sobre a dispersão de aves prioritárias (como a águia-de-bonelli) no nordeste de Portugal, concluindo o processo iniciado no protocolo anterior.

À semelhança do 1º protocolo, os trabalhos foram coordenados por uma Comissão Técnica de Gestão e Acompanhamento do protocolo que, integrando elementos de todos os parceiros envolvidos, reuniu as experiências e conhecimentos recolhidos das diversas áreas envolvidas na implementação do protocolo.

Os encargos financeiros envolvidos no desenvolvimento das tarefas deste protocolo rondaram os 1.350.000 Euros, tendo sido co-suportados pela EDP-Distribuição e pelo programa INTERREG, que no âmbito do projeto Faunatrans II – Portugal e envolvendo a Comunidade Autónoma da Extremadura, em Espanha, enquadrou as ações que tiveram lugar nas regiões da Beira Interior e do Alto e Baixo Alentejo.

Os resultados obtidos neste protocolo são apresentados e disponibilizados nos relatórios técnicos finais, referentes aos trabalhos desenvolvidos: 

 

3º Protocolo (2009-2012)

Águia-imperial - morta poste elétrico - CC Águia-imperial morta - CC
Águia-imperial Aquila adalberti encontrada morta por eletrocussão (® Carlos Carrapato).

A 2 de março de 2009, foi assinado o 3º Protocolo entre a EDP Distribuição – Energia, SA, o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a Quercus, relativo à monitorização e minimização dos impactes negativos resultantes da interação entre a avifauna e as linhas elétricas de alta e média tensão em Portugal continental.  

Após uma 1ª fase desta parceria, na qual se lançaram iniciativas de compatibilização da rede elétrica com a conservação da avifauna e se trabalhou principalmente na caracterização e avaliação dos impactes, este 3º protocolo apostou,  sobretudo, na continuação da correção e sinalização de linhas elétricas já identificadas como perigosas para a avifauna e na monitorização da eficácia das medidas de minimização dos impactes.

Os resultados obtidos neste protocolo encontram-se apresentados e disponibilizados no relatório técnico final [PDF 3,3 MB], referente aos trabalhos desenvolvidos nesse âmbito.

 

4º Protocolo (2012)

Em 2012, foi assinado o Protocolo Avifauna IV, que pretendeu introduzir uma abordagem mais específica, dirigida a espécies de aves com estatuto de ameaça em Portugal. As espécies consideradas para estes efeitos foram:

  • águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti);
  • abutre-preto (Aegypius monachus);
  • águia-de-bonelli (Aquila fasciata);
  • águia-pesqueira (Pandion haliaetus); e
  • abetarda (Otis tarda).

Os resultados obtidos neste protocolo encontram-se apresentados e disponibilizados no relatório técnico final [PDF 2,2 MB], referente aos trabalhos desenvolvidos nesse âmbito.

 

5º Protocolo (2013)

Em 2013, foi assinado o Protocolo Avifauna V, que deu continuidade aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do protocolo anterior.

Nos seus objetivos, este protocolo incluiu, ainda, a realização do "Workshop Ibérico Linhas elétricas e Aves - balanço de 10 anos de proteção da avifauna", que decorreu em Lisboa, a 5 de dezembro de 2013.

Os resultados obtidos neste protocolo encontram-se apresentados e disponibilizados no relatório técnico final [PDF 5,3 MB], referente aos trabalhos desenvolvidos nesse âmbito. 

 

6º Protocolo (2014)

Em 2014, foi assinado o Protocolo Avifauna VI, que deu continuidade aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do protocolo anterior, nomeadamente no que se refere à produção e validação de cartas de risco para a águia-imperial, abutre-preto, águia-de-bonelli (ou águia perdigueira) e abetarda.

Contemplou ainda a avaliação do tempo de vida útil dos equipamentos e verificação da aplicação dos materiais anti-electrocussão e anti-colisão no âmbito do Protocolo Avifauna II, do projeto Life Estepárias, ou em linhas sujeitas a parecer do ICNF. 

Os resultados obtidos neste protocolo encontram-se apresentados e disponibilizados no relatório técnico final [PDF 1,6 MB], referente aos trabalhos desenvolvidos nesse âmbito.

 

7º Protocolo (2016-2018)

Em 2016, foi assinado o Protocolo Avifauna VII, que se desenvolveu em torno de 7 Objectivos, dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do protocolo anterior:

  • Objectivo 1. Validar as cartas de risco para a eletrocussão de águia-real e elaborar e validar cartas adicionais para os novos territórios entretanto surgidos no decurso da expansão populacional de águia-imperial e abutre-preto.
  • Objectivo 2. Validar as cartas de risco de colisão para a abetarda.
  • Objectivo 3. Realizar cartas de risco de eletrocussão), foram elaboradas 32 novas cartas de risco de espécies em Áreas Muito Críticas, 5 novas cartas para Campos de Alimentação de Aves Necrófagas e 4 para dormitórios de milhafre-real.
  • Objectivo 4. Avaliar a durabilidade dos equipamentos anti-colisão com dispositivos do tipo “Rotativos” e “Fitas” que podem limitar a sua eficácia.
  • Objectivo 5. Analisar os fatores ambientais e biológicos para identificar os fatores diferenciadores da eficácia das espirais duplas.
  • Objectivo 6. Avaliar a eficácia da solução anti eletrocussão denominada “Solução Combinada”.
  • Objectivo 7. Compilar em Sistema de Informação Geográfica em formato shapefile os dados de colisão e eletrocussão em linhas elétricas.

Os resultados obtidos neste protocolo encontram-se apresentados e disponibilizados no relatório técnico final, referente aos trabalhos desenvolvidos nesse âmbito. 

 

Algumas fotos foram gentilmente cedidas pela Dra. Julieta Costa, da SPEA

U.A.: 2019-11-21

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