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Características gerais da espécie

Características gerais da espécie
Taxonomia | Morfologia/ identificação | Comportamento | Reprodução | Alimentação | Distribuição mundial/ Portugal | Estatutos de conservação.

 

Taxonomia | Morfologia/ identificação | Comportamento | Reprodução | Alimentação | Distribuição mundial/ Portugal | Estatutos de conservação

 

Taxonomia

Classe: Mammalia
Animais com pêlo epidérmico, glândulas sudoríparas, odoríparas, sebáceas e mamárias (produção de leite para amamentação de crias), dentição diferenciada, cérebro e sistema nervoso muito desenvolvidos e fecundação interna.

Ordem: Cetacea
Animais marinhos, que respiram por pulmões, com corpo adaptado ao meio aquático (hidrodinâmico) sem membros posteriores e com membros anteriores adaptados à natação transformados em barbatanas. Possuem um excelente sentido auditivo e várias camadas de gordura isoladora para os manter quentes.

Família: Delphinidae
É a família com maior número de espécies. Inclui todos os golfinhos oceânicos e algumas espécies costeiras e parcialmente fluviais, bem como algumas baleias com dentes.

Género: Tursiops
Género de golfinho cosmopolita

Espécie: Tursiops truncatus (Montagu, 1821)

 

Morfologia / identificação
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Comprimento:
2-4 m (adulto)
0,9-1,3 m (recém-nascido)

Peso:
150-600 Kg (adulto)
25-30 Kg (recém-nascido)

Espécie com morfologia muito variável consoante a região geográfica que habita, podendo igualmente observar-se alguma variação morfológica entre indivíduos da mesma região.

O roaz-corvineiro apresenta uma coloração geral escura, com os flancos cinzento-azulados, mais claros que o dorso, e parte ventral da metade anterior do corpo mais clara, podendo mesmo apresentar-se branca, ligeiramente acinzentada ou rosada. Salienta-se a existência de uma estria escura que se estende desde o olho até a barbatana peitoral. As barbatanas são escuras.

Apresenta, em geral, cabeça e corpo robustos.

As barbatanas peitorais são longas e esguias, com extremidades pontiagudas e bases largas. A barbatana caudal, em posição horizontal, apresenta um V distinto a meio, lobos côncavos e as extremidades recurvadas para trás. A barbatana dorsal, de forma falciforme, apresenta uma base larga e extremidade adunca, podendo o centro da barbatana ser mais claro que os bordos. O bordo posterior da barbatana dorsal é menos espesso que o anterior, sendo facilmente fragmentado. Os cortes e incisões do bordo posterior, bem como a forma e inclinação da dorsal, permitem identificar individualmente os diferentes indivíduos.

 

Comportamento

É uma espécie muito sociável que ocorre em pequenos grupos (1-10 indivíduos) nas populações costeiras ou em grupos maiores (1-25 indivíduos) nas populações oceânicas, que habitam o mar aberto. Nas zonas oceânicas podem observar-se excecionalmente, grupos que podem atingir os 500 indivíduos. Por vezes observam-se indivíduos isolados, que correspondem, geralmente, a machos solitários.

O roaz pode associar-se facilmente a tubarões, tartarugas marinhas ou até mesmo a outros cetáceos, podendo “cavalgar” e saltar nas ondas provocadas pela deslocação de grandes baleias.

O roaz é um nadador rápido e vigoroso que mostra, geralmente, a testa quando emerge e muito raramente o bico. Efetua mergulhos até 4 minutos, junto à costa, podendo ser mais prolongados ao largo. É muito ativo à superfície efetuando batimentos caudais, saltos e variados movimentos acrobáticos, o que o torna numa espécie muito procurada para delfinários e aquários.
 

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População costeira [® Carina Silva]
 

Reprodução

Os machos atingem a maturação sexual entre os 8-14 anos e as fêmeas entre os 5-12 anos. Estas têm um longo período de gestação – 12 meses – após o qual nasce apenas uma única cria, com cerca de 1 m de comprimento, pesando até 30 kg. As crias são amamentadas com leite materno durante cerca de 18 meses mas ficam ainda dependentes da progenitora durante um período considerável de tempo (2-6 anos). Este longo período de dependência implica intervalos entre gestações de 2-3 anos.

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Adulto com cria e cria isolada [® Carina Silva]
 

Alimentação

A alimentação do roaz consiste numa grande variedade de peixes (tainhas, carapaus, sardinhas, anchovas, enguias, etc.), cefalópodes (chocos e lulas) e alguns crustáceos. Apesar de ser generalista e oportunista, com a capacidade de adaptar a sua dieta à disponibilidade de presas, pode, consoante a área geográfica, apresentar um conjunto de presas preferenciais.

A estratégia alimentar do roaz depende do habitat e da disponibilidade de presas, mas também da própria dinâmica do grupo. Em algumas áreas os animais formam grupos que perseguem os peixes até junto à praia. Noutras cooperam com os pescadores, quer na identificação dos cardumes, quer no seu cerco. São ainda frequentemente observados indivíduos a arremessar presas pelo ar, situação por vezes interpretada como comportamento de jogo.

 

Distribuição mundial / Portugal

Mundial
Esta espécie pode ser encontrada em todos os mares tropicais e temperados do planeta, evitando apenas as latitudes mais elevadas. Ocorre em mares fechados, como os mares Negro, Vermelho e Mediterrâneo. Algumas populações oceânicas parecem efetuar migrações sazonais, enquanto outras populações costeiras podem apresentar um padrão residente. É facilmente encontrada em diversos tipos de habitats costeiros, desde costas expostas, a lagunas, estuários, baías, mangais, recifes e até mesmo a secções mais baixas de rios. As populações oceânicas são tipicamente observadas em redor de ilhas oceânicas.

Distribuição mundial
[Ilustração Marcos Oliveira]
 

Nacional
Em Portugal a espécie pode ser observada ao longo de toda a costa do continente e também nas ilhas (RA Madeira e RA Açores), sendo de realçar a existência de uma população residente desde, pelo menos, a década de 80 no estuário do Sado. Mais recentemente, foi identificada uma população residente no arquipélago dos Açores.

Estatutos de conservação

O roaz está protegido por legislação internacional, comunitária e nacional:

 

Em Portugal, a espécie foi classificada com o estatuto de ameaça “Pouco Preocupante”, de acordo com os novos critérios definidos em 2003 pela UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

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