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Avaliação da Continuidade Fluvial na Ribeira do Vascão

Avaliação da Continuidade Fluvial na Ribeira do Vascão
Aplicação dos critérios desenvolvidos para inventariação e caracterização de obstáculos em linhas de água

 

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LEGENDA: Vau CNCF000004 visto de jusante onde é evidente a impossibilidade de transposição pelos peixes salvo em condições de caudais elevados, os quais ocorrem apenas alguns dias por ano e nem sempre nos períodos coincidentes com as migrações da ictiofauna. (® Jorge Bochechas)

A ribeira do Vascão está inserida no SIC Guadiana (PTCON0036) e constitui um importante corredor para as espécies piscícolas autóctones e migradoras, com particular destaque para o saramugo (Anaecypris hispanica). Estas espécies são particularmente sensíveis à perda de continuidade fluvial devida à presença de obras hidráulicas. Procedeu-se à inventariação e caracterização de infraestruturas potencialmente causadoras de quebra de continuidade fluvial, utilizando a metodologia e os critérios anteriormente desenvolvidos. Procedeu-se ainda à classificação dos potenciais obstáculos utilizando para o efeito o índice de continuidade fluvial desenvolvido na Catalunha. Identificam-se as principais dificuldades de aplicação do índice aos obstáculos existentes na ribeira do Vascão, que eventualmente justificam uma adaptação a potenciais obstáculos com configurações diferentes das consideradas para os rios da Catalunha.

O trabalho efetuado pretende dar um contributo para o tema da avaliação da continuidade fluvial, através da utilização de critérios objetivos e bem definidos, que permitam uma base de entendimento quando se discute o impacte de determinada obra hidráulica.

A aplicação que se fez do ICF à ribeira do Vascão permitiu identificar algumas aparentes limitações da metodologia de aplicação do índice. No entanto, ao longo do trabalho verificou-se que é possível a sua quase perfeita adaptação àquela realidade.

Considera-se importante completar este trabalho com a avaliação dos locais que não foi possível avaliar e testar a aplicação dos critérios noutras épocas do ano, com diferentes condições de escoamento, pois a transponibilidade de certos obstáculos está muito dependente deste fator.

Convém, no entanto, realçar que o ICF não produz uma avaliação global da continuidade fluvial de uma linha de água, mas apenas a avaliação individual de cada obstáculo e uma medida da probabilidade de este ser transposto pelas espécies piscícolas potencialmente presentes.

De referir que nos cursos de água temporários as espécies piscícolas estão adaptadas a grandes variabilidades sazonais e anuais de caudal, com longos períodos de “descontinuidade” natural em que o curso de água se reduz a pegos. As deslocações ao longo do curso de água fazem-se em “janelas de oportunidade” em que ocorre a convergência de diversos fatores biológicos e ambientais, e em que o caudal é determinante. Quaisquer infraestruturas que introduzam limitações e reduzam a gama de caudais que permitem a livre circulação das espécies piscícolas, vão promover a redução drástica da amplitude daquela “janela de oportunidade”. 

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