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Cegonha-branca

Cegonha-branca Ciconia ciconia. Aspetos relacionados com a espécie em Portugal. Monitorização.
Ciconia ciconia Cegonha-branca Procambarus clarkii Lagostim-vermelho da Luisiana CGV
Cegonha-branca  Ciconia ciconia | lagostim-vermelho da Luisiana Procambarus clarkii ® Cristina Girão Vieira).
 
A cegonha-branca [PDF 273 KB] Ciconia ciconia nidifica em quase toda a Europa, no Médio Oriente, no Centro-Oeste Asiático, no nordeste de África e na África Austral.
 
O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal atribuiu o estatuto de conservação “Pouco Preocupante” à população portuguesa nidificante de cegonha-branca.
 
Na Europa, esta espécie tem a Categoria SPEC 2 («Species of European Conservation Concern»), dado que as populações europeias apresentam um estatuto de conservação desfavorável e que a população mundial se encontra concentrada na Europa.
 
Em Portugal, a cegonha-branca é uma das duas espécies nidificantes do género Ciconia. Mais comum do que a sua congénere cegonha-preta Ciconia nigra [PDF 150 KB], a cegonha-branca é uma ave com uma presença fortemente enraizada na nossa cultura, sendo um elemento característico da paisagem em muitas regiões do País e uma espécie normalmente admirada e respeitada pela grande maioria da população.
 
Mais comum no sul do País do que no norte e centro, a cegonha-branca é presença constante nas searas e pousios alentejanos e nos arrozais que subsistem em Portugal, tendo-se assistido, nos últimos anos, a um aumento acentuado do número de efetivos, ao longo de todo o ano. 
 
Esta recuperação deve-se, provavelmente, ao efeito conjugado de diversos fatores. 
Por um lado, verificou-se o fim de um período de seca de várias décadas nas suas áreas de invernada em África e a proliferação de uma espécie exótica invasora, o lagostim-vermelho da Luisiana Procambarus clarkii que, na Península Ibérica, passou a constituir a base da sua dieta em várias regiões.
 
Este crustáceo permitiu que muitas centenas de cegonhas-branca passassem a residir em Portugal, evitando a mortalidade associada à migração e invernada na África Sub-Saariana. Por outro lado, registam-se os esforços de conservação dirigidos à espécie nas duas últimas décadas, designadamente a sua estrita proteção, a sensibilidade ambiental do público em geral relativamente a esta espécie e ao esforço coordenado do (atual) ICNF, dos agentes sociais e económicos (com destaque para as empresas de distribuição e transporte de eletricidade, EDP e REN) e das organizações não-governamentais de ambiente.

Devido, em grande medida, à popularidade, de que esta espécie goza em grande parte da sua distribuição mundial, a cegonha-branca foi uma das primeiras espécies da avifauna alvo de recenseamentos coordenados internacionalmente.
 

Monitorização

O primeiro Recenseamento mundial de cegonha-branca ocorreu em 1934. Como consequência da II Guerra Mundial que assolou a Europa (1939-45), só um quarto de século mais tarde, em 1958, foi realizado o segundo Recenseamento mundial. A partir de 1974, ano em que decorreu o terceiro Censo mundial, estes registos passaram então a realizar-se regularmente, de dez em dez anos.

A cegonha-branca foi a primeira espécie alvo de um Recenseamento da população nidificante a cobrir a maioria do território português. Esse levantamento foi realizado no final da década de 50 por Santos Júnior (1961) e teve como base a realização de inquéritos. As enormes dificuldades que se deverão ter apresentado, uma baixa disponibilidade de recursos humanos, financeiros e de veículos, uma rede viária pouco desenvolvida aliada a um menor conhecimento sobre a importância relativa de cada região e habitat, foram certamente as principais causas para uma cobertura deficiente do terreno. O número de ninhos recenseados foi então de 3.490, certamente muito inferior aos que na realidade existiriam (Santos Jr.,  1961).

Entre 1974 e 1977, foi organizado um novo Recenseamento nacional que teve como base inquéritos (Borges de Carvalho, 1977) com confirmação in locco. Foram então contabilizados 1.930 ninhos neste levantamento, organizado pela primeira vez pelo Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves (CEMPA), entidade então integrada no Serviço de Estudos do Ambiente (e, posteriormente, no Serviço de Parques, Reservas e Património Paisagístico, no Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza e no Instituto da Conservação da Natureza). Finalmente em 1984, realizou-se o primeiro Censo  Nacional amplo e abrangente, tendo sido então obtido um nível de cobertura muito razoável, já que foi prospetado todo o território nacional onde existiam registos de ninhos e/ou habitat disponível para cegonha-branca. Foram recenseados 1.533 ninhos ocupados (Candeias & Araújo, 1989). A partir de então, o método de Recenseamento manteve-se, mas o nível de cobertura foi melhorando, dada a maior disponibilidade de meios e a quantidade e capacidade de ornitólogos e colaboradores envolvidos.

Em 1994, o número de ninhos ocupados recenseados foi de 3.302, verificando-se uma inversão da tendência de regressão populacional que vinha ocorrendo, tendo sido a população mundial de então estimada em 166.000 casais nidificantes (Schulz, 1999).

Em 2004, no seguimento daqueles levantamentos e inserido no VI Censo Mundial de Cegonha-branca (2004/2005), o CEMPA e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) promoveram e coordenaram o V Censo Nacional da População Nidificante de Cegonha-branca.

 

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