PR 13 Fraga do Coelho

Parque Natural de Montesinho (PNM). Percurso pedestre de Pequena Rota PR 13 - Fraga do Coelho, circular, com cerca de 12 km. Breve descrição. Mapa.
Aldeia de Caravela: campos agricolas Fraga do Coelho
   Aldeia de Caravela: campos agrícolas / Fraga do Coelho (® Telmo Afonso).

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

 

Nome: Percurso pedestre da Fraga do Coelho;
Localização: União das freguesias de S. Julião de Palácios e Deilão;
Tipo de percurso: Pequena Rota (PR);
Âmbito do percurso: Paisagem natural e agrícola;
Distância: 12231m;
Duração aproximada: 4 horas;
Grau de Dificuldade: médio;
Cota mínima/máxima: 700 m / 933 m.

 

Breve descrição

O percurso inscreve-se no termo da aldeia de Caravela, em plena microrregião da Alta Lombada, oferecendo uma panorâmica breve da paisagem planáltica e da rede natural de drenagem do seu lado ocidental, associada a afluentes do rio Onor.
É um percurso circular, com cerca de 13 km, entrelaçado com pequenos afluentes, associados a alguns declives do planalto, que engrossam a ribeira de Labiados, cujas águas se encaminham para o rio Onor, subsidiário do Sabor. A paisagem das áreas aplanadas é profundamente marcada pelo mosaico agrícola e por contrastantes relevos residuais, sendo as áreas mais excêntricas e vertentes associadas à rede hidrográfica ocupadas por matos (urze, carqueja, esteva, giesta) e por manchas de carvalho-negral e de carrascos, bem como por lameiros associados às orlas ribeirinhas.

Posto 1 - Fraga do Coelho e Cerca de Caravela
Posto1: Museu rural de Caravela Posto 1 - Tecedeira  
   Museu rural de Caravela / Tecedeira (® Telmo Afonso). 
À saída da aldeia, o caminho segue por entre o parcelário agrícola. Sucedem-se terrenos destinados à produção cerealífera de centeio e trigo, outros em processo de abandono, em transição para giestais, e outros reconvertidos em soutos de castanheiro. Antecedendo o vale do ribeiro de Caravela vislumbra-se o recorte nítido da Fraga do Coelho, uma crista, aproximadamente NW-SE, formada por liditos do Silúrico inferior, cujo perfil recorda um láparo. Nesse ponto, o desvio para subir à Cerca de Caravela, povoado fortificado proto-histórico (I milénio a. C.), de planta subcircular definida por linha de muralha de pedra miúda e terra, será compensado pela vista panorâmica que proporciona, nomeadamente a partir do marco geodésico da Agra, aí implantado. Atente-se: a noroeste, a Lastra e a Serra de Montesinho, bem como a serra da Sanábria, de cumes nevados no Inverno; a nordeste, a serra da Culebra; a sudeste, a elevação do castelo de Outeiro; e a sudoeste, a serra da Nogueira, vislumbrando-se, mais a sul, o contorno da serra de Bornes. 
 
Posto 2 - Vale do ribeiro de Caravela
Posto 2: Vale do Ribeiro de Caravela Posto 2 - Sardoal
   Vale do ribeiro de Caravela  / Sardoal (® Telmo Afonso).
Retomando o percurso, inicia-se a descida ao vale. O coberto da encosta é uma imponente mancha de carvalhal na parte mais elevada, que cede lugar, a meio da descida, a denso sardoal, uma vez que a azinheira, localmente conhecida por carrasco ou sardão, se adapta aí melhor às temperaturas baixas do inverno e ao acentuado calor do verão, acomodando esbranquiçados líquenes que prendem a atenção. Atento, o caminhante pode deparar-se com a presença de algum corço, texugo, javali ou perdiz. No fundo do vale, correm ao seu ritmo, por entre salgueiros, choupos e outra vegetação arbustiva ribeirinha, as águas do ribeiro de Caravela, procurando, mais a poente, o curso mais expressivo da ribeira de Labiados.
 
Posto 3 - Moinho d’água da Ribeira e colmeais
Posto 3: Moinho da Ribeira Posto 3 - Interior do moinho da Ribeira
   Moinho da Ribeira / Interior do minho da Ribeira (® Telmo Afonso).
Atravessado o ribeiro, o percurso orienta-se para nascente, ao longo da sua margem direita. A meia encosta, voltados a sul, dois colmeais subcirculares delimitados por muros de alvenaria seca. Não longe, do lado de baixo do caminho surge o acesso ao moinho comunitário que servia para a moagem do cereal durante o inverno e a primavera, enquanto o caudal do ribeiro era suficiente. É um moinho de rodízio, ainda funcional, construído em pedra local, com telhado de lousa de uma água, uma porta do lado norte, o mesmo que recebe a levada que conduz a água ao sistema motor, e um janelo na fachada oposta, voltado para a galeria ripícola. Dando continuidade ao percurso, a encosta que se percorreu na descida ao ribeiro, torna-se observável em toda a sua extensão e esplendor.
 
Posto 4 - Lameiros da Ribeira
Posto 4 - Lameiros da Ribeira Posto 4 - Ranúnclos-de-água
   Lameiros da Ribeira / Ranúnculos-de-água (® Telmo Afonso).
A bordejar o curso do ribeiro, vão surgindo diversas clareiras atapetadas de verde. São prados seminaturais, conhecidos, localmente, por lameiros, utilizados para pastoreio ou produção de feno. A reaproximação a este curso de água, depois de um curto desvio embrenhado por mancha de folhosas autóctones na encosta meridional, acontece numa extensíssima área de lameiros, onde ele serve de eixo ao vale aberto. Na primavera, a sua corrente enfraquecida permite que se atapete de ranúnculos-de-água, emprestando ao cenário a graciosidade das suas pequenas flores de cinco pétalas e centro amarelo. 
 
Posto 5 - Valbom
Posto 5 - Lameiros ladeados de Freixos Posto 5 - Muros de pedra
   Lameiros ladeados de freixos / Muros de perda (® Telmo Afonso).
O percurso sobe na direção das terras altas do planalto, atravessando manchas de pinhal e matos - exuberantes na floração primaveril - voltando a internar-se em novo vale, que acolhe o ribeiro de Valbom, que mais à frente aflui ao ribeiro de Caravela. Num lameiro desta área, realizou-se o achado fortuito de um conjunto de peças do Bronze Final, constituído por seis braceletes decorados com incisões e um machado de talão com uma orelha, pensando-se que poderá corresponder a um depósito de fundidor, ocultado em razão da itinerância dos artesãos dos finais do II e inícios do I milénios a. C. I milénios a. C. Este conjunto de peças pode ser admirado no Museu do Abade de Baçal, em Bragança. 
 
Posto 6 - Marra de termo
Posto 6 - Marra de termo Posto 6 - Rebanho
   Marra de termo / Rebanho (® Telmo Afonso).
A parte final do percurso, depois de uma aproximação à aldeia de Vila Meã, decorre em pleno planalto. Avistar pequenos mamíferos, como a raposa, a lebre ou o coelho não é incomum. O caminhante mais afortunado poderá ser surpreendido com a visão de algum lobo em trajetória solitária, sendo mais provável, todavia, cruzar-se com um rebanho e seus cães-de-gado, sobretudo em altura que as terras de cereal deste lado do termo de Caravela estejam de pousio, uma vez que as culturas de sequeiro o incluem em sistema de rotação.
Com a aldeia de Caravela já ao alcance da vista, a marra que separa o seu termo do termo de São Julião surge fincada não longe do caminho, com uma cruz de cada lado, marcas renovadas anualmente no dia de Carnaval. A sul, distingue-se a aldeia de Palácios. Findo o percurso, em Caravela, merece visita a modesta capela de Santo Antão, bem como o lagar de vinho e Museu Rural local.
 

Mapa

Clique aqui  [PDF 1,3 MB];
Veja o percurso no Google Earth usando este marcador - percurso pedestre [KMZ 14 KB].

 

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U.A.: 2017-11-17