PR 14 Castro

Parque Natural de Montesinho (PNM). Percurso pedestre Pequena Rota PR 14 - Castro, circular, com cerca de 17 km. Breve descrição. Mapa.
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   Rebanho / Parede de pedra e lameiros (® Telmo Afonso).  
Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

 

Nome: Percurso pedestre do Castro;
Localização: União das freguesias de S. Julião de Palácios e Deilão;
Tipo de percurso: Pequena Rota (PR);
Âmbito do percurso: Paisagem natural e agrícola;
Distância: 17 742 m;
Duração aproximada: 5 horas;
Grau de Dificuldade: médio alto;
Cota mínima/máxima: 634 m /  880 m.

 

Breve descrição

O percurso inscreve-se no termo da aldeia de São Julião, situada na parte meridional da microrregião da Alta Lombada, oferecendo uma panorâmica breve da parte oriental da superfície planáltica, bem como das vertentes voltadas ao rio Maçãs, que estabelece a fronteira com Espanha.
É um percurso circular, alongado, com cerca de 17 km, irradiando do interior do planalto para percorrer o seu rebordo, interceptando ou acompanhando parte do curso das ribeiras de Rebordinhos, Cerdeira e Carrazedo, bem como pequenos córregos seus tributários, os quais drenam as encostas que modelam a sua morfologia oriental.
O mosaico agrícola e as lameiras marcam o aro mais imediato à aldeia de São Julião que, mais longe, cedem lugar a extensos matagais (mormente estevais, mas também urzais e giestais) e áreas de floresta, por entre os quais também se descobrem distintas áreas de lameiros que fazem o aproveitamento da maior profundidade dos solos e da disponibilidade de água associada a caudais de regimes variáveis.
 
Posto 1: Feira Franca

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   Castanheiro / Lavrando a terra (® Telmo Afonso). 

É na Trembola, no interior da aldeia de São Julião, que se inicia o percurso.
À saída da povoação, em contiguidade com as últimas casas, o terreiro onde se realizava a feira mensal de gado, no primeiro domingo de cada mês.
Seguem-se as lameiras comunais e, mais distantes da aldeia, os terrenos particulares, alguns fechados por muros de alvenaria seca ou por sebes vegetais, nas quais avultam freixos, silvados e giestas. O trânsito de pequenos ruminantes é habitual neste sector do percurso, como também comprovam os pontos de abeberamento do gado que ladeiam o caminho.
 
Posto 2: Hortos de Vale de Cavalos
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   Esteval  / Freixos em Lameiros (® Telmo Afonso).
Continuando o percurso para nascente, alcançam-se os hortos de Vale de Cavalos, uma extensão notável de antigos terrenos hortícolas e lameiros que aproveitavam a fertilidade dos solos profundos associados à cabeceira da ribeira de Carrazedo, mas hoje quase substituídos vegetação ripícola, nomeadamente por salgueiros.
Na vertente do lado oposto do caminho, inicia-se uma mancha de matos extensa, dominados por esteva, cuja floração primaveril oferece uma nota de alvura no verde forte dominante e perfumado pelo seu cheiro característico. Em serenidade, não será difícil avistar alguma ave de rapina em voo, ou ser atraído pela vocalização e peculiar silhueta da crista de uma poupa.
 
Posto 3: Reta de Igrejas
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   Madressilva / Retas - Igrejas (® Telmo Afonso).
A presença de matos densos e altos torna-se constante daqui para a frente, figurando-se cobertura homogénea na curvatura suave dos relevos do rebordo do planalto, como na lomba alongada percorrida por um longo troço recto do caminho, a recta de Igrejas. Na mira, em frente, terras de Espanha, logo após o vale do rio Maçãs, distinguindo-se desse lado, de norte para sul, as povoações de Moldones, Nuez e Trabazos. Mais para norte, os relevos da serra da Culebra.
 
Posto 4: Fragas do Castro
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   Castro / Vale da ribeira de Cerdeira (® Telmo Afonso).
Com o trajecto a orientar-se para sul, chega-se às Fragas do Castro, arqueossítio da Idade do Ferro, no ponto em que o percurso inverte o sentido em pronunciado cotovelo, não seguindo o caminho de acesso ao moinho d’água de São Julião, ainda funcional. O desvio conduzirá à frescura das águas correntes do rio Maçãs, a montante da junção da ribeira de Carrazedo, as mesmas que, durante o Estio, accionam os dois rodízios do moinho e respectivas mós, uma alveira e outra segundeira. Da ictiofauna nativa associada ao rio constam a boga, o escalo e o barbo.
Sobranceiro a este troço do rio, do lado de cima do caminho, fica o povoado fortificado antes referido, num cabeço em esporão consideravelmente encaixado no vale, delimitado por uma linha de muralha bastante derrubada que fecha um circuito elíptico e que era complementada, em termos de arquitectura defensiva, por um torreão com ela solidário e por campo de pedras fincadas do lado norte, hoje quase imperceptível. A sua visita poderá ocasionar a observação da rara águia-real, que por estas paragens ocorre.
 
Posto 5: Fragas dos Pisões
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   Fragas dos Pisões / Caminho da ribeira de Cerdeira (® Telmo Afonso).
O percurso interna-se nos vales drenados pelas ribeiras de Carrazedo, Rebordinhos e Cerdeira. Após ultrapassar a primeira e ladeando já o curso da segunda, assomam as chamadas Fragas dos Pisões, cristas quartzíticas silúricas, com orientação NW-SE, sobranceiras à ribeira de Cerdeira, na margem da qual existiram estruturas, recordadas no nome do fraguedo, para apisoamento de panos de produção artesanal.
Paisagem deslumbrante de encostas atapetadas de carrascal, juntando-se a imponente e serpenteante galeria ripícola de freixos, salgueiros e choupos. Território de javali, corço, veado e lobo, a que se juntam aves de rapina, como o gavião.
 
Posto 6: Cerdeira
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   Cedros / Igreja de São Julião (® Telmo Afonso).
Na extremidade sul do Perímetro Florestal de Deilão, criado em 1940, encontra-se a casa florestal de Cerdeira, com as instalações conexas de antigos viveiros do Estado, cuja construção remonta a 1947. Pinheiros-bravos, pseudotsugas, cedros e ciprestes são as espécies de resinosas que dominam a área arborizada envolvente das edificações, na qual é possível encontrar um convidativo parque de merendas. Avistar algum coelho ou perdiz não será difícil de conseguir.
Ultrapassada a mancha florestal, o percurso, orientado para o regresso à aldeia de São Julião, faz-se, por entre um mosaico de terrenos agrícolas destinados a culturas de sequeiro e de lameiros, mas também de vinhas e de soutos de castanheiros que vão ocupando antigas áreas de culturas anuais de sequeiro extensivo, num desfiar de topónimos que indiciam ter havido, em tempos idos, um aproveitamento da terra mais intenso: Horta Longa, Urreta de Marta, Canadica, Hortas de Rebolal.
Chegados à aldeia, será indispensável uma visita à igreja paroquial, com interessante fachada e estrutura de sabor maneirista, acolhendo no seu interior talha barroca e neoclássica, bem como às capelas de Santa Cruz e de São Sebastião.
 

Mapa

Clique aqui  [PDF 2 MB];
Veja o percurso no Google Earth usando este marcador - percurso pedestre [KMZ 16 KB].

 

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U.A.: 2017-12-15