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Percurso Mata da Margaraça

Paisagem Protegida da Serra do Açor (PPSA). Percurso interpretativo da Mata da Margaraça. Breve descrição. Flora. Património cultural. Mapa.
Relva Velha e Margaraça - CGV Casa Grande
Relva Velha e mata da Margaraça (à direita) (® Cristina Girão Vieira) | Casa Grande.  

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Ponto de partida e chegada: Centro de Interpretação (Casa Grande) na Mata da Margaraça.
Extensão: 1,5 km.
Duração: 1h:30min.
Dificuldade: média.
Apoios: Centro de Interpretação.

 

Breve descrição

O percurso atravessa uma das antigas áreas de terrenos agrícolas, podendo observar-se os socalcos ou quelhadas separados por velhos muros de xisto.

Logo no início do percurso, do lado direito, encontra-se uma antiga represa de água, utilizada para a rega dos terrenos agrícolas. Uma levada de água, da qual são visíveis alguns vestígios, transportava a água até esses terrenos. Estes foram sendo abandonados desde meados do séc. XX, em virtude do despovoamento e do envelhecimento da população. A floresta, foi, então, recuperando os terrenos que, em tempos, lhe haviam sido tirados.

Podem observar-se ainda castanheiros Castanea sativa enxertados com variedades mais produtivas (longal, vermelhinha, riscadinha e mastaínha), técnica igualmente utilizada na antiga área de souto da quinta. Note-se que a produção de castanha era muito importante na Quinta da Margaraça.

Ao longo do percurso pode desfrutar da tranquilidade da Mata da Margaraça, das suas cores, odores e sons. Esta mata é uma relíquia da floresta de vegetação primitiva existente nas encostas xistosas do centro do país, sendo de assinalar a presença de um elevado número de espécies e biótopos com interesse cientifico e para a conservação da natureza. Com cerca de 50 ha, numa vertente exposta a N-NW, entre os 400 e os 800 m, próxima da aldeia de Pardieiros e de Relva Velha, é uma variante do carvalhal primitivo.

Dominam o estrato arbóreo (i.e. de árvores) o carvalho-roble ou alvarinho Quercus robur e o castanheiro Castanea sativa, existindo alguns exemplares muito antigos destas duas espécies. Embora menos abundantes encontram-se outras espécies de folha caduca (i.e. caducifólias, que ficam despidas no inverno), tais como aveleiras, ulmeiros, cerejeiras e nogueiras Juglans regia.

Castanheiro ouriços - CGV Corylus avellana Aveleira fêmea - CGV
Ouriços de castanheiro Castanea sativa e aveleira Corylus avellana com frutos (® Cristina Girão Vieira).  

Esta mata caracteriza-se pela presença de elementos de cariz mediterrânico, caso do medronheiro Arbutus unedo, do folhado Viburnum tinus e do loureiro Laurus nobilis. A sua flora é muito interessante, encontrando-se aqui o maior número de exemplares de azereiro Prunus lusitanica ssp. lusitanica de toda a sua área de distribuição, sendo a população da Mata da Margaraça a maior atualmente existente. Esta espécie é uma relíquia da floresta laurissilva subtropical do Terciário.

Destaque, ainda, para uma pequena população do raro endemismo ibérico (i.e. de uma espécie que apenas existe na Península Ibérica) a Veronica micrantha [PDF 151 KB]. Entre as espécies herbáceas (i.e. de ervas) que passam o inverno na forma de bolbo há espécies interessantes da flora portuguesa, tais como o martagão Lilium martagon, o selo-de-salomão Polygonatum odoratum, um narciso Narcissus triandrus, uma espécie de cardo Eryngium duriaei e duas de orquídeas Cephalanthera longifolia e Orchis mascula.

Azereiro Prunus lusitanica ss lusitanica - AJBarros  Lilium martagon Martagão - AJB  Cephalanthera longifolia - Cristina Girão Vieira
Azereiro e martagão (® AJBarros) | Orquídea Cephalanthera longifolia (® Cristina Girão Vieira).


A partir do reinado de D. Afonso III, esta mata, então Quinta de Margaraz, foi propriedade dos Bispos Condes de Coimbra, altura em que o então titular, D. Egas Fafe, a adquiriu. No séc. XIX, foi incluída na lista de "bens nacionais", após a derrota dos Miguelistas. Em finais do mesmo século foi adquirida por particulares, entrado na posse do Estado em 1985. Na quinta de Margaraça chegaram a trabalhar 16 famílias de rendeiros, o que indica a boa fertilidade do solo e a exploração intensiva a que foi sujeita. Dessa presença humana são testemunho vários edifícios, nomeadamente a Casa Grande, onde pernoitava o proprietário, a Casa da Eira, a Casa das Lamaceiras, a azenha, o forno de refugo e a Casa dos Caseiros.

Neste percurso pode observar uma antiga represa de água, bem como uma área antiga de terrenos agrícolas, denominadas socalcos ou quelhadas que permitiam um melhor aproveitamento das terras evitando a erosão e a perda de solo.

Na Casa da Eira pode observar um pequeno núcleo museológico onde se pretende retratar o quotidiano das gentes e aldeias serranas. Nesta existem duas exposições permanentes dedicadas à etnografia serrana:

- mostra de artesanato - colheres de pau, gamelas e cestas; e
- réplica de cozinha e quarto de dormir de uma casa de xisto da serra do Açor.

Pode observar, ainda, um forno de refugo, uma construção em xisto onde se preparava a madeira de castanho para a manufatura de cestas e um moinho de água. 

 

Mapa

Perc. 1 Mata da Margaraça

2010-10-28

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