Percurso da Carrasqueira

Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES). Percurso pedestre da Carrasqueira. Breve descrição. Avifauna.

Na planificação da sua visita deverá ter em consideração as recomendações descritas no Código de Conduta e Boas Práticas [PDF 1,6 MB] das e dos visitantes nas Áreas Protegidas, bem como os conselhos úteis que apresentamos em "Relacionados", à esquerda desta página, para melhor desfrutar da sua visita.

Nota: este percurso é particularmente interessante no outono e inverno, devido à presença de elevado número de aves aquáticas. Contudo, após períodos de chuva prolongada, o caminho poderá apresentar-se parcialmente intransitável.

Acesso: a Carrasqueira pode ser atingida a partir da Comporta ou da EN253. Para tal, junto ao km 4 desta estrada, desvie para "Carrasqueira", "Cais palafítico" e "Possanco". A povoação fica cerca de 600 m depois. O cais palafítico fica a cerca de 1,3 km da povoação.
Ponto de partida e chegada: aldeia da Carrasqueira. 
Dificuldade: fácil.

 

Breve descrição

O sapal da Carrasqueira consiste numa pequena península plana que penetra no estuário a partir da Comporta, sendo rodeado por um dique, destinado a impedir as inundações. Esta península, com uma orientação paralela à de Troia, é praticamente desprovida de árvores. Os terrenos aí existentes são utilizados para fins agrícolas, adquirindo particular importância a cultura do arroz.

A península é percorrida por uma única estrada de terra batida, que conduz desde a aldeia da Carrasqueira até ao extremo norte daquela, onde também existem algumas pastagens e duas pequenas lagoas, cobertas por caniços.

O percurso tem início na aldeia da Carrasqueira, conhecida sobretudo pelo seu cais palafítico.

Carrasqueira - casa típica  Carrasqueira - porto palafítico
Casa típica na Carrasqueira e porto palafítico (i.e. construído sobre a água).

Nas vastas zonas de lamas entre marés existentes nesta área é possível observar espécies como a garça-branca-pequena Egretta garzetta [PDF 102 KB], a garça-real ou cinzenta Ardea cinerea [PDF 110 KB], o flamingo Phoenicopterus roseus [PDF 138 KB], o alfaiate Recurvirostra avosetta [PDF 101 KB], o borrelho-grande-de-coleira Charadrius hiaticula, a tarambola-cinzenta Pluvialis squatarola, o pilrito-comum ou de peito-preto Calidris alpina, o fuselo Limosa lapponica ou a rola-do-mar Arenaria interpres [PDF 123 KB].

Phoenicopterus roseus Flamingos Cristina Girão Vieira  Recurvirostra avosetta Alfaiates em voo - Cristina Girão Vieira
Flamingos e alfaiates em voo (® Cristina Girão Vieira).

Grandes bandos de patos podem frequentar as áreas estuarinas e espécies como a marrequinha Anas crecca [PDF 133 KB], o pato-real Anas platyrhynchos [PDF 134 KB] ou o pato-colhereiro ou trombeteiro Anas clypeata [PDF 167 KB] são facilmente observáveis.

Seguidamente, pode prosseguir para a península da Carrasqueira. O acesso a esta é feito a partir da povoação que lhe dá o nome. Para tal, nesta localidade, vire à esquerda junto do restaurante "O Gonçalves". Ao fim de cerca de 3,1 km, atinge-se um cruzamento onde deve virar à direita. Percorra cerca de 800 m e tome o caminho que sai para a direita e que entra na península. Nesta zona, a construção de uma urbanização poderá ter alterado um pouco o acesso descrito. Cerca de 4,2 km depois, vire à esquerda, junto a uma casa. A margem do rio fica a 400 m.

Este é um bom local para observar, não só as espécies que habitualmente frequentam os arrozais mas também as que utilizam as zonas entre marés e os caniçais. Nos terrenos agrícolas é possível encontrar a narceja-comum Gallinago gallinago [PDF 151 KB], o milherango ou maçarico-de-bico-direito Limosa limosa, o maçarico-bique-bique Tringa ochropus [PDF 145 KB], o abibe Vanellus vanellus, o guincho Larus ridibundus, o tartaranhão-ruivo dos-pauis ou águia-sapeira Circus aeruginosus [PDF 165 KB], a coruja-do-nabal Asio flammeus [PDF 173 KB], a gralha-preta Corvus corone, a laverca Alauda arvensis, a petinha-dos-prados Anthus pratensis e o chapim-de-mascarilha ou de faces-pretas Remiz pendulinus [PDF 105 KB].

Anas clypeata Pato-colhereiroA partir do dique que circunda esta área é possível observar o estuário, onde abundam o cagarraz ou mergulhão-de-pescoço-preto Podiceps nigricollis [PDF 127 KB], o flamingo Phoenicopterus roseus [PDF 138 KB], o pato-colhereiro ou trombeteiro Anas clypeata [PDF 167 KB] (ver foto), a marrequinha Anas crecca [PDF 133 KB], o perna-vermelha-comum Tringa totanus [PDF 103 KB], o pilrito-de-peito-preto Calidris alpina e a garça-real ou cinzenta Ardea cinerea [PDF 110 KB], entre muitas outras espécies.

Na época de nidificação é possível encontrar nesta zona o pernilongo Himantopus himantopus, a alvéola-amarela Motacilla flava, a calhandrinha Calandrella brachydactyla, o rouxinol-grande-dos-caniços Acrocephalus arundinaceus, a andorinha-das-chaminés Hirundo rustica e o barulhento trigueirão Emberiza calandra.

Motacilla flava - Álveola-amarela - Cristina Girão Vieira
Alvéola-amarela Motacilla flava (® Cristina Girão Vieira).